O que se passa na gestão dos recursos humanos da função pública é um perfeito disparate, em que a única lógica conhecida é a dos cortes cegos no número de efectivos sem a mínima preocupação visível com o funcionamento dos serviços.
O meu comentário não será muito popular, talvez seja mesmo politicamente incorrecto, mas absolutamente real. Para dar um exemplo muito simples, o serviço de onde saí para a reforma, perdeu todos os funcionários do meu sector. O resultado é que com as limitações nas admissões os lugares não foram ocupados e as aquisições de serviços a privados, foram no ano passado 7 vezes mais onerosas do que os vencimentos anuais dos 4 funcionários que existiam nos quadros. Mudou a rubrica dos gastos, mas esses foram muito maiores, e contratam-se hoje serviços a empresas que intervêm na mesma área e apresentam trabalhos de particulares que depois analisam.
Alguns podem perguntar porque é que eu e os meus colegas fomos para a reforma, e direi que todos tínhamos mais de 36 anos de serviço e idade suficiente para a requerer, mas nem foi isso que pesou mais na nossa decisão. Na realidade o problema prendia-se com as chefias, nomeadas por confiança política mas absolutamente incompetentes e incapazes e sem qualquer competência técnica, que utilizava as classificações de serviço para impedir qualquer progressão a quem trabalhava.
Acreditem ou não, essas chefias foram promovidas, já se afiambraram com uns prémios, apesar do aumento de custos e da promiscuidade entre interesses públicos e privados que se verifica. Será que é por isso que só em seis meses se aposentaram 11.610 funcionários?





