Os amigos juntam-se na tasca, em torno dos copos de tinto e das moelas divinais da Ti Etelvina, e a conversa vai cair nos temporais do final do ano, e na desgraceira que vai ser para aqueles que tudo perderam, e que apesar de pouco, era boa parte do seu sustento.
Falou-se de indemnizações, mas esta malta é muito batida pela vida e logo alguém disse com a sabedoria dos inúmeros calos que ostentava nas mãos: “Isso vai para os bolsos de quem tem muito, e muitos conhecimentos, e os mais pequeninos ficam a chuchar no dedo”.
A descrença manifesta nos governantes levou-me a lançar a ideia de ser nomeado ali mesmo o pior político do ano de 2009, porque até gostava de saber a opinião dos meus companheiros de tertúlia.
Pois fiquem a saber que foi com surpresa que recebi as respostas da malta, e por unanimidade o José Sócrates recolheu o título de PIOR, mas também por unanimidade todos os outros políticos da praça, do governo e da oposição, ficaram empatados no 2º lugar do pódio.
Depois de aviarmos as moelas e de ficarem vazios os copos, despedimo-nos renovando os desejos de bom ano e cumprimentos à famelga, e lá foi cada um para sua casa, contentes por ter desancado naquela cambada que não atina em fazer deste país um caso de sucesso, um motivo de orgulho.

