Ao ler o DN de sexta-feira deparei com duas notícias capazes de fazer chorar as pedras da calçada. A primeira dizia que «Grandes famílias “perdem” 7,5 mil milhões» e a segunda refere que «Banca deve 53,4% do PIB ao estrangeiro».As notícias são aparentemente diferentes, mas lá bem no fundo estão relacionadas por um pormenor muito importante: há muito investimento especulativo e muito pouco gerador de trabalho. Na banca, e desde o início do ano, somam-se as perdas continuadas dos títulos cotados, sendo já extremamente difícil encontrar algum que não se tenha desvalorizado. Pode dizer-se que não é um prejuízo real, a menos que se esteja na posição de vendedor, mas esses activos valem presentemente muito menos do que há seis meses.
Na banca também se verificam perdas avultadas, e em todas as instituições cotadas, e tal facto não se deve apenas à crise internacional, porque muitos dos empréstimos foram concedidos para o consumo, há cada vez mais crédito mal parado, e o montante do crédito pedido pelos bancos a instituições estrangeiras atingiu valores tais que já começam a preocupar banqueiros estrangeiros que podem começar a restringir os empréstimos à banca nacional.
Não tarda teremos uns quantos senhores economistas a dizer que estamos a viver muito acima das nossas posses, mas podem crer que são os mesmos que tratam das grandes fortunas e dos maiores grupos económicos, que também recorrem ao crédito, ou então consultores e gestores dos maiores bancos e financeiras, que incentivam o recurso ao crédito, muitas vezes de forma demasiado apelativa e pouco informativa.
O DN enumerou algumas das grandes famílias que mais dinheiro tinham perdido nestes 6 meses, mas por esses eu não choro com toda a certeza, porque há muito boa gente que sofre muito mais com o desemprego, e mesmo entre os empregados há muitos que estão com a corda na garganta por terem baixos salários, e alguns por terem sido seduzidos pelos empréstimos baratos, que hoje já são insustentáveis.
Nota: Imagem retirada do DN de 27/06/2008



