sábado, novembro 10, 2012

VAMPIRO



Tu que, como uma punhalada
Invadiste meu coração triste,
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,

Para no espírito humilhado

Encontrar o leito ao ascendente,
- Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente,

Como a seu jogo o jogador,

Como à garrafa o beberrão,
Como aos vermes a podridão
- Maldita sejas, como for!

Implorei ao punhal veloz

Dar-me a liberdade, um dia,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.

Mas não! O veneno e o punhal

Disseram-me de ar zombeiro
"Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro

Ah! imbecil-de teu retiro

Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"




1 comentário:

Anónimo disse...

Baudelaire? Isto está muito eclético por estes lados...
Bjos da Sílvia