quarta-feira, abril 07, 2010

A SANGRIA CONTINUA

Durante muitos anos a função pública foi engordada com a admissão de boys e girls, da absoluta confiança de quem lá os colocava. Concursos simplesmente não eram necessários, e criava-se logo um vínculo ao Estado que garantia o futuro dos nomeados mesmo que o poder mudasse de cor.

Quando se começou a falar no monstro, prevaleceu a ideia de diminuir o número de funcionários, mas está claro que apenas aconteceu uma diminuição dos funcionários que tinham ingressado nas suas carreiras por concurso e não por nomeação.

Os gastos do Estado com as funções de que é responsável aumentaram, ao mesmo tempo que diminuía o número de funcionários, mostrando que as aquisições de serviços a entidades externas, não significam qualquer poupança.

Demagogicamente penalizaram-se as reformas, que deixaram de respeitar os tempos de serviço em detrimento da idade. Os direitos foram atropelados, e as reformas deixaram de ser calculadas em função do tempo de serviço, passando a haver penalizações em função da idade, acrescida da penalização relativa ao tempo de trabalho que também aumentou.

Admiram-se agora que o número dos que pedem reformas antecipadas seja altíssimo, e que os serviços, se vejam a braços com falta de pessoal. Os funcionários optam por um mal menor, que é a actual penalização, porque no futuro ela será maior e os cálculos das pensões serão certamente menos favoráveis (ainda), do que actualmente.

O desmantelamento da função pública serve alguém, muito provavelmente determinadas empresas, interesses partidários e políticos que são muito perigosos para a Democracia.



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Simanca Osmani

3 comentários:

Isamar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Só não baza quem não pode mesmo. As penalizações não atigem os grandes a quem até é permita a acumulação de pensões e de vencimento.
Lol

AnarKa

Cata- Vento disse...

Subscrevo este artigo feito com a pertinência, eloquência e clareza que o caracterizam, caro Guardião. Assistimos a uma sangria sem precedentes na função pública, incluindo o ensino, que não é de estranhar face à política que de há cinco anos a esta parte vem fazendo quem nos governa.A desilusão, a desmotivação e a insatisfação são tão generalizadas e profundas que deixam feridas irreversíveis naqueles para quem a profissão foi irrepreensivelmente desempenhada ao longo de algumas décadas.
Bem-haja!

Um abraço fraterno

p.s. Eliminei o primeiro comentário. As minhas desculpas.