sexta-feira, junho 22, 2018

MUSEU DAS DESCOBERTAS AINDA MEXE

Já manifestei a minha opinião sobre a polémica em torno da escolha deste nome para um possível/futuro museu, afirmando que o maior problema, para mim, é desconhecer o espólio do mesmo e a mensagem que se pretende transmitir, e não o nome, porque aí só existe a diferença entre o real significado das palavras “Descobertas” ou “Descobrimentos” e a interpretação de alguns, com a qual não concordo.

Agora surgiu no Público uma carta com vários subscritores, que parecem ter em comum o facto de serem afrodescendentes, e que se insurgem contra este museu.

Não tenho nada contra a opinião dos outros, só porque discordo deles, mas acho que não vinha a propósito a cor da pele, mencionada na carta, nem achei legítimas afirmações como a de estarem por isso “excluídos do corpo nacional”, por esse motivo, quando são livres (como se viu) de expressar as suas opiniões. Também não percebi a frase “não aceitamos um Museu construído sobre os ombros do silenciamento da nossa História…”, pois fiquei sem perceber se estão a expressar-se enquanto portugueses ou enquanto estrangeiros.


Quanto à exigência dum Museu do Colonialismo, da Escravatura ou da Resistência Negra, acho que é uma exigência estranha, já que o Museu das Descobertas, a existir, deverá abarcar o tema e as suas consequências, agradáveis e menos agradáveis, sempre de acordo com fontes históricas, pois só assim o concebo.

Imagem do Público 22/06/2018

quarta-feira, junho 20, 2018

OS CARRILHÕES DE MAFRA


Começaram ontem as obras de reabilitação dos carrilhões do Palácio Nacional de Mafra, ainda com pouca visibilidade mas perceptível para quem circula nas imediações, pois já se assiste à descarga de andaimes e outro material necessário para a empreitada.

Penso que os trabalhos sejam bastante complexos e que, por medida de segurança, o palácio (ou parte dele) tenha que ser encerrado durante alguns momentos em que as operações sejam mais delicadas. Vamos ver como decorrem os trabalhos e esperar por notícias mais concretas sobre o assunto.

Esperamos que outras obras se sigam a curto prazo como sejam a da recuperação dos órgãos da Basílica, que parece terem sido assumidas pela Câmara de Mafra, do elevador, da nova sinalética e das novas tabelas das salas, que serão da responsabilidade da DGPC, bem como o acesso à Basílica a pessoas de mobilidade reduzida, que já devia ter sido implementada com recurso a programas comunitários. Os áudio-guias até são fáceis de conseguir em parceria com privados que os alugam, assim haja conteúdos para serem usados, e não falo de aplicações para telemóveis e tablets, que com a colaboração de fornecedores de redes móveis e internet também seriam uma mais-valia para a divulgação desta pérola do nosso Património.

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segunda-feira, junho 18, 2018

O TRABALHO E A FAMÍLIA

Os discursos e as promessas são, por parte de muitos políticos, uma forma de tentar convencer os cidadãos das suas intenções, ou para apenas fingir que têm reais preocupações com o seu bem-estar.

António Costa veio desafiar os parceiros (sociais) para “grande acordo” que permita conciliar trabalho e família, no dia em que o acordo para a revisão da legislação laboral foi formalizado entre patrões e, claro, a UGT.

O 1º ministro desconhece, ou finge desconhecer, que há profissionais de diversas actividades, mesmo na função pública, em que os funcionários praticam horários em que é praticamente impossível conciliar o trabalho com a família, como por exemplo nos museus, onde o pessoal de vigilância, lojas e bilheteiras, só consegue passar dois dias por mês com os familiares.


Costa tem um discurso com o qual é fácil concordar-se, mas a prática do seu governo desmente claramente as sua palavras. Que tal começar por dar o exemplo na própria casa, senhor 1º ministro?


sábado, junho 16, 2018

OS HUMANOS E OS OUTROS ANIMAIS


Quase todos gostamos de animais, alguns têm mesmo animais em suas casas, e tudo estaria muito bem se não existissem umas quantas situações que complicam a nossa relação com alguns animais.

Notícias como a da existência de duas grandes matilhas de cães vadios em dois locais diferentes do Concelho de Sintra, que já atacaram pessoas, deixam-nos incomodados. Quando se falam em soluções a mais ouvida, da boca dos protecionistas é a da captura e esterilização das fêmeas, o que resolve o problema a longo prazo (dizem) mas que não descansa os residentes nas áreas, porque nem o cativeiro é equacionado.

Retive umas afirmações da Provedora dos animais que me deixaram estupefacto, pois quando questionada sobre a existência frequente de cães à solta nos jardins (o que não é permitido) apenas diz que “é uma questão cultural” e que atira ainda para o ar que “era importante que quando levam um animal para casa as pessoas tivessem alguma formação, uma carta dos seus direitos e deveres”, o que parece muito bem, mas a quem compete fazer essa formação, pode dizer-nos?

Fiquei também a saber que a senhora Provedora não gosta particularmente das gaivotas, enquanto nutre uma simpatia evidente pelos pombos. Afirmações como “ por mim, o abate de pombos terminava agora”, e “qualquer morte de um animal (referia-se a pombos) só porque é conveniente não é ética” deixam bem clara a sua opinião.

Falando da questão cultural, e falo agora de Lisboa, todos sabemos que é proibido alimentar os pombos, mas nos poucos locais onde isso está anunciado, não se informam quais são as coimas, e não há quem fiscalize o cumprimento de tal norma. A senhora provedora podia fazer bem mais.

Quem se preocupa com os animais e está no poder, e há muita gente com esse tipo de preocupações, porque não publicita melhor os direitos e os deveres dos proprietários dos animais, e das populações em geral, no que toca à interacção com os animais?  

Outra coisa que me deixa confuso é que não se fale dos ratos, das cobras, das tartarugas, das iguanas, dos papagaios, dos canários, e de muitos outros animais, aves e peixes que alguns de nós temos em nossas casas. Tanta legislação acaba por ser confusa, quando bastava um pouco de bom senso, para haver humanidade no tratamento dos animais, e firmeza no combate de pestes e de comportamentos de risco envolvendo pessoas e animais, porque no fundo, quem  prevarica somos nós, os ditos humanos.

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