domingo, setembro 25, 2016

VOLUNTARIADO SIM, MAS SÓ NO ESTADO

O PSD propõe lei que dispensa funcionários públicos que sejam bombeiros durante a época crítica dos incêndios, o que em princípio até nem parece mal, já que a dispensa é facultativa.

É sintomático que o PSD venha com esta proposta, especialmente nos termos em que ela está colocada. O apoio ao voluntariado é louvável, e a consagração na lei da dispensa, em abstracto, é também de louvar.

Nestas coisas da política, e o PSD é um partido político, há sempre um MAS, escondido, e neste caso o MAS é que a obrigação não veicula os privados, onde também trabalham muitos voluntários. Porque é que não são também abrangido nesta proposta? Gostava de conhecer a argumentação desta exclusão, especialmente no interior do país onde não existem bombeiros municipais.


segunda-feira, setembro 19, 2016

A REALIDADE É CRUEL PARA MUITA GENTE



Um estudo que veio a público recentemente mostra que o que vinha a ser dito por muitos economistas e comentadores políticos, sobre quem perdeu mais com as medidas impostas pelo resgate, era mentira, pois quem mais perdeu foi quem tinha rendimentos mais baixos e não a classe média ou a média alta.

Todos os portugueses perderam, é um facto, mas é mais do que evidente que quando se tem pouco qualquer diminuição de rendimentos conduz irremediavelmente à carência de meios de subsistência.

Outra realidade inconveniente para quem defendeu as alterações das leis laborais, tornando-as mais favoráveis aos empregadores e diminuindo os direitos de quem trabalha, é que estamos perante um aumento de casos de stress no trabalho, que para além de custarem caro à Segurança Social, são causados pelas reestruturações das empresas ou da precariedade profissional (72%), carga de trabalho excessiva (66%) e tratamento inaceitável por parte dos empregadores e chefias tais como intimidação ou o assédio (59%).

Não são as esquerdas que estão erradas, porque na sua maioria não são compostas maioritariamente por gente rica, como dizia um comentador, mas são as direitas e os ricos que estão errados, porque desconhecem a realidade e vivem num mundo de fantasia, ou então tentam enganar-nos com mentiras bem urdidas



quinta-feira, setembro 15, 2016

PORTUGAL, TRABALHO, AMBIENTE E ECONOMIA

Economistas americanos afirmam que três dias de folga por semana ajudariam a salvar o planeta, e lembram o exemplo do estado do Utah, que praticou a semana dos quatro dias, na função pública, durante cerca de três anos com resultados visíveis, e só não continuou com isso porque o sector privado não acompanhou a medida e houve o choque inevitável, entre o sector público e o privado.

Na Suécia a jornada de trabalho foi reduzida das oito para as seis horas semanais, mantendo-se os salários dos trabalhadores, já lá vai um ano, e os resultados são positivos, segundo as autoridades suecas.

Por cá temos o economista João Duque que considera que ”seria uma má ideia para os povos mais desfavorecidos no mundo”, e vai ainda mais longe no seu comentário, “um americano de barriga cheia que está farto de poluição acha bem, mas a parte subdesenvolvida do mundo acha mal” recordando que as pessoas trabalham para “aumentar o seu bem-estar” e que o positivo que se colhe do trabalho é “superior ao negativo gerado pela poluição e desperdício”.

Perante tanta “intelijumência” de tão reputado economista, nem vale a pena recordar que a América é o exemplo acabado dum país capitalista, e que a Suécia é uma das sociedades com menos desigualdades e com mais direitos do mundo. Quanto ao factor ambiental só digo que ninguém quer ficar rico condenando o planeta e a humanidade a um verdadeiro holocausto, que acabará com a nossa espécie. Não posso deixar de salientar que com os avanços das tecnologias a redução do tempo de trabalho será inevitável, porque o desemprego em massa seria insustentável.


Lamento que o senhor professor, e economista, tenha vistas tão curtas, bem como lamento que os nossos ambientalistas sejam tão pouco coerentes com os princípios que dizem defender…


terça-feira, setembro 13, 2016

A ÉTICA E OS CÓDIGOS DE CONDUTA

Ainda há poucos dias discutia-se se membros do governo deviam aceitar “ofertas” durante o seu mandato, e havia quem dissesse que algumas eram “socialmente aceites”, outros contrapunham que simplesmente “não há almoços grátis”, e que portanto os governantes deviam seguir as normas instituídas para os funcionários públicos, que estão proibidos de receber ofertas, ponto final.

Em Portugal temos uns políticos que se julgam “acima dos restantes mortais”, e que portanto devem regular-se por normas especiais, podendo ser punidos apenas politicamente por quem os escolheu, e posteriormente pelos eleitores, caso sejam candidatos a uma qualquer eleição.

O caso mais recente de conduta inapropriada de um político, ainda que não punível legalmente, atingiu Durão Barroso, que viu os seus pares (excepto os dirigentes do PSD), colocarem em causa o seu novo “emprego” na Goldman Sachs.


Não devia ser necessário haver códigos de conduta escritos para se perceber o que não é aconselhável, ou passível de críticas fundamentadas, a políticos no activo ou recém-saídos de cargos importantes em instituições nacionais ou internacionais, mas pelos vistos alguns só entendem proibições, porque a sua ética é mais “elástica” do que a dos outros…

Aves Pousadas By Palaciano*