quinta-feira, novembro 16, 2017

PAGAR EM IGREJAS SOB TUTELA DO ESTADO?



Depois de constar que em França o Estado está a ponderar cobrar entradas em Igrejas, Sés e Basílicas para ajudar à sua manutenção, surgiram em Portugal algumas perguntas e muitas opiniões sobre o tema, que obviamente é controverso.

Numa altura em que o turismo está em alta, até pode parecer fácil discutir o assunto, mas as opiniões são diversas e uma decisão seria sempre muito contestável, contudo existem problemas que exigem uma solução a curto ou médio prazo.

A unanimidade existe quanto aos horários de culto, em que todos concordam que a entrada deva ser gratuita, mas depois tudo o resto não é consensual.

O problema coloca-se, evidentemente, em edifícios classificados onde se pratica o culto, mas a que o Estado é chamado ao pagamento de obras de conservação ou de restauro, por incapacidade da Igreja para o fazer.

Em muitos destes locais de culto realizam-se casamentos, baptizados, e outros serviços religiosos para além do culto habitual, e as receitas desses serviços são pagas directamente à Igreja, como se sabe. Noutros locais de culto, situados dentro de monumentos nacionais (Batalha, Jerónimos, Mafra, etc.) passa-se o mesmo, e fora dos horários ocupados por essas cerimónias, existe uma enorme pressão por parte dos visitantes (a maioria estrangeiros) que aproveitam a gratuitidade, como é óbvio, e ainda obrigam os monumentos a ter pessoal escalado para a sua vigilância.

A manutenção de edifícios (monumentais) classificados é muito dispendiosa, e o Estado (todos nós) necessita de (muito) dinheiro para as conservar, e esse dinheiro só pode vir de duas proveniências: (mais) impostos e/ou o pagamento das entradas, não há como escapar a esta inevitabilidade.


"AJUDE NO RESTAURO"

terça-feira, novembro 14, 2017

UM MUSEU ESQUECIDO NO TEMPO



O Museu de Escultura Comparada foi criado por decreto em 1919, e depois de muitas peripécias, bloqueios e guerrinhas, acabou por abrir no Palácio Nacional de Mafra em data algo discutível, mas que terá sido oficializada em 27 de Fevereiro de 1964, altura em que quatro membros do governo, entre eles o Eng.º Arantes e Oliveira que muito apoiou o conservador Ayres de Carvalho nesta batalha pela existência deste museu.

O tempo passa depressa e o museu fechou pouco depois, ficando as peças praticamente abandonadas em salas fechadas ao público e sem a manutenção devida.

Algumas peças estiveram, em tempos, em exposição no percurso do palácio, mas nos últimos anos e com a adopção de um novo percurso de visita, voltaram a ficar longe dos olhar do público.

Nota: Estamos a poucos dias do Tricentenário do lançamento da 1ª pedra do Edifício de Mafra

Reprodução do Túmulo de D. Fernando
Reprodução do coche dos Oceanos

domingo, novembro 12, 2017

TRAPALHADAS NA CULTURA



Tudo o que envolve a política e os políticos que temos, e não é só na Cultura, acaba sempre num atira culpas para lá e para cá, em que todos se dizem isentos de culpa, ou todos reclamam a paternidade dos sucessos.

O jantar no Panteão Nacional que tanto brado causou é apenas um dos exemplos, talvez o mais recente. O anterior governo fez um regulamento e autorizou outros jantares no mesmo local, e este também viu os responsáveis por si nomeados, autorizarem este jantar, que afinal era uma actividade “indigna” daquele espaço, segundo António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa.

Eu considero que autorizar este ( e outros) jantares naquele espaço foi um disparate imenso, como acho um disparate fazerem-se jantares à luz de velas em espaços monumentais, até com tectos pintados, autorizar raves num museu nacional, ou permitir aparelhagens sonoras em altos berros para se fazer um aquecimento de atletas ao som da zumba, mesmo à porta duma Basílica, ou sessões de fogo de artifício num monumento nacional.

A minha opinião talvez não seja muito importante, mas a de um director de um museu que se vê desautorizado pelo 1º ministro, e não quer apresentar a demissão, parecendo mostrar um grande apego ao lugar, muito para além do razoável, incomoda e é notícia.



quarta-feira, novembro 08, 2017

MUSEUS E FACTOS



Quando escrevi o post “Museus – reclamações mais habituais”, foi com o intuito de alertar os responsáveis dos museus e o público em geral, para a realidade a que nunca se dá eco na comunicação.

É evidente que se dá mais relevância a uma greve, ou a um qualquer caso de mau atendimento, mas isso não consegue esconder os principais motivos de desagrado, ainda que muito desse desagrado não seja traduzido em reclamações no Livro Amarelo.

Um senhor com responsabilidades num museu, resolveu considerar que o post era ofensivo, e que denegria o seu trabalho enquanto técnico superior, e o dos seus colegas, que fazem tudo o que é possível com os meios que têm à disposição.

Claro que o senhor tem direito à sua opinião, tal como eu, mas não conseguiu negar nenhum dos pontos que eu, e o público, consideramos mais susceptíveis de reclamação. Já que se afirmou como responsável pelo pessoal de vigilância deixo-lhe duas questões, embora conheça as respostas:

- Quais as acções de formação que recomendou fossem ministradas aos vigilantes?
- Quanto tempo empregou a “ajudar” os seus subordinados a desempenhar as suas funções com maior eficiência?

Não tenho qualquer vontade de criticar por criticar, mas é por isso mesmo que acho que para resolver os problemas e encontrar as devidas soluções, é necessário envolver todos, independentemente das suas funções e categorias.



segunda-feira, novembro 06, 2017

MUSEUS – RECLAMAÇÕES MAIS HABITUAIS

Fala-se muito de visitas a museus, palácios e monumentos, do encantamento e das desilusões dos visitantes, dos preços dos bilhetes, das gratuitidades, e de muitas outras coisas, mas nem sempre nos debruçamos sobre o que dizem os visitantes durante as visitas, talvez porque os seus responsáveis não encontram tempo para falar com o público.

Uma das grandes dificuldades encontradas pelos visitantes é a de encontrar informações fidedignas quando programam as suas deslocações, uns porque não vão aos sítios oficiais dos locais a visitar, outros porque confiam em roteiros de anos anteriores. Deixei para segundo plano a ineficácia de quem gere as informações online dos serviços que muitas vezes não prestam muita atenção às alterações e não as anunciam com a antecedência devida.

Outra grave lacuna que aborrece qualquer visitante é a falta de indicações simples, à entrada dos museus, palácios e monumentos, sobre horários, preços e serviços como bilheteiras, lojas, wc’s, cafetarias, acessibilidades, ou locais de descanso.

Durante a visita não há nada mais desagradável do que a falta de indicações sobre o percurso recomendado, sobre as salas, colecções ou objectos, que deixam os visitantes às aranhas e sem possibilidade de aproveitamento devido da visita. Claro que nem dou grande relevo às condições do edifício (limpeza, preservação e conservação), ao modo como estão dispostas as colecções, e aos cuidados com a segurança das instalações, dos visitantes e dos funcionários, de que tenho falado.


Existem coisas que só se conseguem perceber verdadeiramente no contacto directo com os visitantes ou na audição de quem com eles interage diariamente, e isso não é feito pelos responsáveis dos museus, palácios e monumentos, que se contentam com inquéritos programados e com perguntas por eles selecionadas, a que responde geralmente um público mais disponível a perder tempo a ajudar, mais culto e mais conhecedor, que não representa outros públicos, menos conhecedores, menos disponíveis e mais numerosos.


sábado, novembro 04, 2017

A CATALUNHA E A LEGALIDADE



Temos seguido a odisseia da Catalunha, que está num impasse entre a independência e a perda da autonomia, depois de uma tentativa mais do que trapalhona de alcançar a independência depois de um referendo quase impossível e sem o reconhecimento internacional.

Os fazedores de opinião têm sido maioritariamente contra aquilo a que já chamaram de aventureirismo, alegando que é preciso respeitar a lei e que o caminho seguido foi contra a dita.

Todos gostamos que a lei seja respeitada, mas não conheço nenhum povo que nos últimos séculos tenha conseguido a sua autodeterminação sem fazer acções que eram contra as leis instituídas, sendo que a maioria teve que recorrer à acção armada, ou se preferirem, ao terrorismo.

Não tenho qualquer admiração pelo senhor Puidgdemont, mas ela fez uma pergunta a que o senhor Rajoy ainda não respondeu, nem vai com toda a certeza responder: respeitará o senhor Rajoy os resultados das eleições que agora marcou? Reconhecerá o seu resultado e respeitará o que a maioria do povo catalão decidir, mesmo que se seja o apoio aos separatistas?

Os tempos estão difíceis, e o temor do separatismo assalta uma Europa que não conseguiu nunca dar a voz a todas as nações em pé de igualdade, apesar de todas as promessas…