Sexta-feira, Novembro 13, 2009

CORRUPÇÃO

Há coisas que ouvimos mais do que uma vez e que são repetidas sempre que alguns factos se repetem. O pacote Cravinho é um dos exemplos e surge sempre que surgem suspeitas de corrupção em alta escala, envolvendo figuras também elas com posições elevadas nas hierarquias do poder, empresarial e do Estado.

Um dos pontos mais controversos do pacote Cravinho, que já foi admitido como essencial para o combate efectivo à corrupção noutros países democráticos, mas que por cá encontra resistências é sem dúvida o do enriquecimento ilícito e da inversão do ónus da prova nestes casos.

Para vos ser muito sincero, a afirmação de que a inversão do ónus da prova é a violação grosseira dos princípios constitucionais, é uma falácia com que se acena como se isso já não fosse prática corrente noutros casos. Recordem-se de multas de estacionamento, por terem pisado o traço contínuo, por exemplo, e vejam quem é que têm o ónus da prova.

O facto de ter sido precisamente o PS a chumbar o enriquecimento ilícito, vem agora trazer amargos de boca a muita gente e alguns até nem se podem queixar, porque para o cidadão comum o chumbo equivale à defesa de muito malandro que enriquece sem esforço e fica impune, precisamente por ter enriquecido antes de ser apanhado.

Um pacote anti-corrupção? By Mahmoud Mokhtari


««« - »»»
Fotos Nacionais
The Arc by lobices

The T Bridge by lobices

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

PALAVRAS

Sabe-se agora que as escutas entre Sócrates e Vara foram consideradas nulas pelo Supremo Tribunal de Justiça, pensa-se que devido ao facto de Sócrates ser 1º ministro.

É controverso este entendimento, ainda que do ponto de vista formal se possa argumentar com a falta de autorização daquele tribunal superior.

Seja qual for a decisão final, que parece ainda não ter sido ainda tomada, José Sócrates não sai bem da fotografia porque a “conversa com um amigo” poderá ser sempre encarada como um possível negócio ilícito, já que sendo anuladas e destruídas nunca farão prova da sua inocência, a que afinal teria direito de fazer prova usando estas provas agora postas em causa.

Será que alguém depois da anulação destas escutas vai acreditar que as conversas eram apenas inocentes conversas entre amigos?



NOTA: Por lapso meu não ficou claro no último post que nada tenho a opor à discussão das uniões entre pessoas do mesmo sexo, apesar de continuar a pensar que todas as uniões de facto são discriminadas especialmente quanto aos direitos do membro que sobreviva à morte da sua companhia efectiva, isto independentemente do sexo dos dois elementos das uniões de facto.





Segunda-feira, Novembro 09, 2009

A PROPÓSITO DE LEGITIMIDADES

A propósito das prioridades de agendamento e de discussão de temas nesta nova legislatura foi curioso ouvir da boca de vários políticos, que a Assembleia da República tinha toda a legitimidade para decidir sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, sem o recurso a nenhum referendo, exactamente porque o partido do governo, e não só, tinham o assunto incluído nas suas prioridades expressas nos programas eleitorais.

Não pretendo hoje discutir o tema, mas sim a argumentação utilizada na prioridade dada à sua discussão apesar da conjuntura actual.

A Assembleia da República é composta por eleitos e sempre julguei que era daí que lhe advinha a legitimidade, mas com os políticos e partidos que temos nunca se sabe. Lembrar-se-ão alguns de que estava nos programas da totalidade dos partidos representados no Parlamento na última legislatura, a intenção de realizar um referendo a propósito do Tratado de Lisboa, e depois foi o que se viu.

O esquecimento que afecta demasiado os políticos é também uma das razões que dita a sua falta de credibilidade, e apelar à legitimidade, como foi feito agora, pode avivar as memórias dos portugueses e causar ainda maior descrédito numa classe que já não está no seu lugar por convicção mas por outras razões bem diversas.

««« - »»»
Foto - Cinza e Vermelho
by elektrum

««« - »»»
Humor Variado
Habib Pashazadeh

Hamed Nabaha

Julian Pena-Pai

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

QUADRAS

Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias…

Mesmo que te julguem mouco
Esses que são teus iguais,
Ouve muito e fala pouco:
Nunca darás troco a mais!

Recordar António Aleixo

««« - »»»
Pintura & Cor
NEW ORIGINAL PAINTING by Leonidafremov

««« - »»»
Bonecos no Chiqueiro
Humor Suino by Goraz

Uma maldade sem o conhecimento do W.D.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

A MINHA INCREDULIDADE

Estando a corrupção na ordem do dia são mais do que muitos os comentários e falatórios que se ouvem por aí e se lêem na imprensa. O comentário que agora começa a ser habitual e dado como verdade adquirida é de que “os portugueses são bastante tolerantes perante a pequena corrupção”.

É fantástico que agentes da Justiça, politólogos e comentadores reputados encham a boca com tamanho disparate, para logo de seguida justificarem o fiasco que é a falta de punição dos grandes corruptores e corrompidos. Já há quem diga até que a complacência do povo faz com que a Justiça não funcione correctamente e os facínoras se sintam cada vez mais impunes.

O povo se pudesse castigar os bandidos que roubam desalmadamente, actuaria severamente e descontroladamente por estar farto de ser roubado. Confundir a tolerância perante a “cunha” e outros tipos menores de corrupçãozinha, que na lei até têm nomes diversos, com o roubo desalmado e o tráfico de influências em altas negociatas é como confundir a árvore com a floresta.

Como costumo ser politicamente incorrecto, apetece-me exagerar um pouco as teorias de Saramago, esperando não ser acusado de ser intelectualmente desonesto, e dizer que se deviam interpretar literalmente algumas passagens bíblicas (Antigo Testamento) e aplicar a Lei de Talião (lex talionis) nestes crimes de alta corrupção.



Imagem de Henrique Monteiro

GripeA por Henrique Monteiro

««« - »»»
Foto - Realismo
Look the eyes por lobices

Terça-feira, Novembro 03, 2009

VAMOS ENTÃO AOS CUSTOS…

Nos tempos que correm sou pouco sensível aos protestos dos políticos que se reclamam de esquerda e de direita só porque pertencem a este ou àquele partido político. Olhem que nem sequer estou a ser cínico, apenas me baseio no excesso de subordinação à economia de mercado, com todos os defeitos que tem demonstrado, de quase todos os partidos políticos que têm estado envolvidos no poder em Portugal.

O caso BPN com a sua nacionalização recente e a mais do que provável privatização num futuro próximo vem baralhar mais ainda as possíveis diferenças entre a esquerda e a direita portuguesas.

Para os mais confusos fica a alusão a um dos dogmas mais profundos da direita que diz que as nacionalizações (todas) são uma factura pesada que os contribuintes têm que pagar. Como devem saber, mesmo que falemos só da esquerda mais radical, só ouvimos falar de nacionalizações de empresas estratégicas que apresentam lucros substanciais.

Pois bem meus caros, o PS português decidiu nacionalizar o BPN, e só o banco e não a holding que o detinha, quando a falência parecia inevitável. O dinheiro necessário a atender compromissos entrou em quantidades que em muito ultrapassaram o que foi dito aos portugueses à data da nacionalização, e sempre foi afirmado que os avales à banca e que o dinheiro seria restituído com juros.

Passado cerca de um ano ouvimos falar de privatização, ouvimos afirmações dos responsáveis da CGD que não vai perder nada com a injecção de dinheiro no BPN, e ouvimos também o presidente do BPN afirmar com todas as letras que a privatização do banco está à vista e que a nacionalização do BPN vai ter custos significativos para os contribuintes.

Afinal de contas o custo não é o da nacionalização, mas sim o da privatização, porque o que sempre esteve em causa foi nacionalizar os prejuízos e privatizar os lucros. Agora que o passivo está limpo (3,5 mil milhões de euros depois) privatiza-se depressa sem acautelar o dinheiro dos contribuintes? Esquerda ou direita? Escolham se quiserem, porque para mim ficou claro!



««« - »»»
Fotos da Época
Japanese maple tree by wingmar

Golden Autumn by tomsumartin

««« - »»»
Humor Preocupado
Rumen Kostov Dragostinov

Benjasit Tumying

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

POLÍTICA DA BANHADA

Muitas vezes são os factos insólitos e mesmo as bizarrias dos políticos que acabam por denunciar o carácter e o modo de pensar dos ditos.

Quase que apostava que já estão à espera de umas alfinetadas no Vara ou no Penedos, indivíduos que ao que consta pisaram na bola e foram apanhados por uns senhores que decidiram bisbilhotar as suas conversas telefónicas e não só. Pois enganaram-se, porque hoje estou mais virado para a Cidade Luz e para outros personagens.

Consta que um tal de Sarkozy, que por acaso habita o Eliseu (seja lá isso o que for), que ainda há poucos dias pretendia que o seu filho ficasse com um cargo para o qual não teria o mérito necessário, também tinha “autorizado” a instalação de um chuveiro de 250 mil euros no Grand Palais (penso que será uma vivenda).

O tal senhor Sarkozy, que me confidenciaram, usa umas palmilhas ou saltos nos sapatos para ficar quase da altura da esposa que se diz cantora, diz que nem sequer gastou a massa toda que estava autorizado a gastar durante a presidência francesa, e ao que consta não usou uma única vez o tal chuveiro que até fazia massagens e tudo.

Há gente muito miudinha para quem isto mete muita confusão. O pobre homem só quer o bem da família (protegendo o filho), e quem é que prefere massagens dum banal chuveiro quando pode apreciar uma esposa que já foi modelo e não canta em casa, a poucos blocos do Grand Palais, onde também tem certamente um chuveiro e as pantufas com aqueles acrescentos práticos?

Vão tomar banho, seus invejosos!



Imagem retirada da Net



835