sábado, março 25, 2017

BIBLIOTECAS

As conversas são como as cerejas, e ao falar de bibliotecas antigas e monumentais eis que surgem uns quantos nomes, e outras tantas descrições, bem como as inevitáveis comparações, que esbarram sempre com os gostos de cada um, e a autenticidade do que hoje se vê e o que elas eram quando foram criadas. São todas belas, mas umas são nossas...

Biblioteca de Mafra

Biblioteca Joanina (Coimbra)

Biblioteca de Codrington (Oxford) 

Esta é a biblioteca do Trinity College Dublin (Irlanda)

quinta-feira, março 23, 2017

AS FARPAS

"Excerto de "As Farpas" de Eça de Queirós, 146 anos depois...

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»


Escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número d'As Farpas.

Elevador do Carmo (2010) by Palaciano

Convento do Carmo (2010) by Palaciano

terça-feira, março 21, 2017

UM CHAFARIZ EM BELÉM

Já não está no mesmo local mas é sempre bom recordar pedaços da História deste Portugal.

Chafariz de Belém 1940


domingo, março 19, 2017

A DERROCADA NOS JERÓNIMOS

"Um triste acontecimento commoveu ha poucos dias Lisboa e o resto do paiz. Abateu o corpo central da nova galeria em construcção junto ao magnifico templo dos Jeronymos, e que constituindo a frente da Casa Pia, estava a ponto de concluir-se depois de longos annos de trabalhos e de muitos capitaes dispendidos, devendo então, com o monumento que recorda os nossos feitos passados, constituir um todo harmonico, especimen d'essa architectura maravilhosa que hoje asignala a gloriosa epocha de D. Manuel I, d'onde tirou o nome.

O desmoronamento teve logar no dia 18 de dezembro pelas 9 horas da manhã, e do altivo torreão que já se elevava aos ares perto talvez de trinta metros, apenas resta hoje de pé, quasi intacto felizmente, o corpo inferior, como a nossa gravura o representa, salvando-se a varanda gothica, de admiravel desenho, e o portico ligeiramente damnificado. Poucos dias antes fôra collocada no nicho superior á primeira varanda, uma magnifica estatua da Caridade, cinzelada pelo distincto esculptor Simões de Almeida, e essa mesma teve a cabeça decepada.

N'este desastre houve sobretudo a lamentar a morte de oito vidas. Oito dos trabalhadores que lidavam na obra, não podendo fugir a tempo, foram colhidos pela derrocada, ficando soterrados n'aquella pesada mole de areia e de cantaria...Lamenta-se que, depois de oito vidas de pobres trabalhadores, se hajam perdido com o desastre centenas de contos de réis, quando era talvez melhor ter deixado de os empregar de semelhante fôrma. Em todo o caso o que seria hoje um absurdo maior era reedificar o torreão derrocado pelo plano primitivo. Não pode ser: é preciso que a opinião dos homens competentes intervenha e que o edificio levantado ao lado dos Jeronymos mostre ao menos que no nosso tempo ainda se comprehende a harmonia architectonica d'aquelle magnifico templo."

in O Ocidente : revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, N.º 25 ( 1 Jan. 1879) 


Gravura anterior à derrocada

Gravura depois da derrocada

Fotografia depois da derrocada

sexta-feira, março 17, 2017

MAFRA

No Palácio Nacional de Mafra existem muitos recantos e espaços que, devido ao gigantismo da edificação, ou não são visitáveis no percurso normal de visita, ou então passam despercebidos numa visita normal.

Na foto a cores (tirada com o telemóvel) pode ver-se o altar da capela do torreão da rainha, e nas outras duas, a preto-e-branco está parte da maquinaria dos carrilhões, que infelizmente ainda aguardam as obras de restauro, e que não fazem parte do percurso normal de visita. 

Para alguns nada disto é novo, mas para a grande maioria pode ser um bom aperitivo para uma visita a agendar proximamente...

Uma pequena capela

Carrilhões manuais

Relógios e carrilhões mecânicos

quarta-feira, março 15, 2017

ACREDITAM NAS AVALIAÇÕES?

Eu ainda me recordo das críticas que existiam há uns anos acerca das avaliações na função pública, quando todos malhavam sempre que lhes dava na gana. Falavam do mérito e do rigor enchendo a boca de conceitos que diziam existir (?) no sector privado.

Há poucos dias foi notícia que o novo modelo de avaliação no Novo Banco prevê quotas, o que para todos significa um afunilamento de subidas nas carreiras. Claro que têm razão os críticos deste tipo de avaliações com quotas, que permite que numa equipa de vários elementos existam uns que recebem boas avaliações e outros avaliações mais baixas, apesar de todos colaborarem num mesmo objectivo.

O que importa salientar em tudo isto é que é esse o sistema usado na última década na função pública, que nunca mereceu as parangonas dos jornais e a indignação pública que agora temos visto.


Por vezes só passando pelas situações é que se vê a iniquidade dos processos de avaliação baseados em quotas. 


segunda-feira, março 13, 2017

ERROS DE PALMATÓRIA

O conflito entre países europeus e a Turquia, derivado da campanha para as eleições neste país, tem sido notícia nos últimos dias.

Se impedir a campanha de um país em território de outro pode ser aceitável, impedir ministros estrangeiros de entrar no país para contactar os seus cidadãos, não me parece que seja muito correcto.

Países como a Holanda, a Alemanha, a Suécia e a Áustria decidiram suspender os comícios nos seus países, e a Turquia acabou por ameaçar retaliar politicamente e economicamente.

Depois de ter recusado a entrada da Turquia na União Europeia, ainda que economicamente existam muitas empresas europeias a produzir os seus produtos em solo turco, só faltava mesmo à Europa atirar a Turquia para os braços de Moscovo, por pura inabilidade diplomática.

As restrições à imigração e agora estas atitudes que podem ser confundidas com sentimentos islamofóbicos, isolam cada vez mais a Europa do resto do mundo.  

Como diria Don Vito Corleone: mantenha os amigos por perto; e os inimigos mais perto ainda.