Parece que os políticos portugueses ficaram em estado de choque com as declarações do bastonário dos advogados, quando afinal já se tinham ouvido declarações semelhantes na boca de muitas outras pessoas. Logo saltaram para a praça pública alguns, a dizer que generalizar é perigoso, que faltavam os nomes e as provas, ou que estava a ser lançado um labéu a muitos inocentes.
Os portugueses entenderam e corroboram as afirmações do bastonário, mesmo sabendo que elas não serão extensíveis a todos os políticos, e também sabem que não podem investigar a fundo as suas desconfianças, o que só está ao alcance das autoridades competentes para a investigação.
É difícil não suspeitar de uma classe que é pródiga em sair da política e ir parar a empresas públicas de áreas que tutelou, ou para empresas privadas sobre as quais teve interferências políticas, mesmo sabendo que isso está sujeito a todas as interpretações. Também são conhecidos casos em que sem quaisquer provas dadas numa actividade, que não a política, ascendem a altos cargos em grandes empresas, tornando difícil a compreensão de tal ascensão profissional e social, a menos que seja uma carteira de contactos que interessa às ditas empresas.
Confesso que nunca encontrei, embora conheça alguns, ex-políticos que tenham saído de cargos públicos e enfrentem dificuldades na vida, ou não ostentem algum tempo depois sinais evidentes de grande desafogo financeiro.
A política tem sido um trampolim para muitos, que sem carreiras na sociedade civil que se possam considerar relevantes, se transformam depois de ocuparem cargos públicos, em funcionários de topo tanto no sector público como privado. Claro que há quem tenha méritos reconhecidos e carreiras firmadas, e gente séria na política, mas esses sabem bem que a carapuça não lhes serve. Nisto o difícil é mesmo provar se há aproveitamentos abusivos da posição ocupada, mas para isso existem, ou se não existem criem-se, as autoridades que fiscalizem possíveis irregularidades
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