terça-feira, março 16, 2010

ESCOLHAS ERRADAS

O desemprego é uma chaga social que atinge todos os países europeus, e não só, e a menos que a economia europeia tenha uma recuperação milagrosa, superior a 2,5 ou 3% ao ano, não se prevê que os postos de trabalho perdidos, possam vir a ser recuperados.

Países como a Alemanha defenderam as suas empresas e as suas indústrias de modo a não encerrarem e a manterem os postos de trabalho mesmo no auge da crise, como se viu com a indústria automóvel e a farmacêutica. Por cá só houve a preocupação de salvar os bancos, e afinal com maus resultados como se vê.

O governo vem agora falar em novas regras para o subsídio de desemprego, que mais não são que a diminuição das prestações, da sua duração e a obrigatoriedade de se aceitarem empregos mal remunerados. As fundamentações são ridículas por parte do Estado, começando pela afirmação de haver falta de mão-de-obra em alguns sectores, sem os mencionar bem como aos salários oferecidos, e também com o argumento de que há quem se aproveite desta prestação social e esteja a enganar o sistema, o que não abona nada a função fiscalizadora que o Estado deve efectuar, porque o dinheiro é dos contribuintes.

A intenção de reduzir as despesas sociais numa conjuntura recessiva entra em contradição com a decisão de não taxar para já as mais-valias bolsistas (que não criam emprego), exactamente porque a economia está a atravessar uma crise. Trabalho versus capital, com o governo do lado do mais forte, resulta invariavelmente em contestação social, que pode tomar aspectos muito perigosos se estas medidas forem agora tomadas.



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By Ari Vicentini

6 comentários:

Anónimo disse...

Com governos assim só nos resta uma solução que é correr com eles de lá.
Lol

AnarKa

Ferreira-Pinto disse...

A tese economicista faz escola em todos os sectores da vida.

Concordo quando diz que o Estado devia fiscalizar em vez de punir todos por igual.
Fiscalizar e ser rigoroso com quem aldraba, isso sim!

Anónimo disse...

O governo coloca a mão por baixo aos que lhes garantam mordomias quando saírem do poleiro. Fiscalizar? Ética?
É ver como agora se permite a lavagem de dinheiro com o pagamento de 5%, e sem perguntas. Isto é melhor do que um casino, e sai mais em conta.
Bjos da Sílvia

C Valente disse...

Passei e deixo as saudações amigas

Marreta disse...

As medidas serão certamente tomadas, até porque as eleições legislativas já foram e as próximas a não ser que exista algum imprevisto possível ainda estão longe. No entanto o caminho que prevejo é essencialmente o de um enorme crescendo da contestação social que poderá (e deverá quanto a mim) descambar num final radical.
É mais do que tempo de acabarmos com esta fantochada de desgovernos falsos, hipócritas, desonestos, corruptos e pouco ou nada sociais que apenas se apoderam do tacho para se governarem a eles próprios e a compadres.
O Povo leva tempo a abrir os olhos mas acabará por abri-los, inevitavelmente, por muito enganado e ludibriado que seja.

Saudações do Marreta.

Pata Negra disse...

Acrescento uma contradição à tua completa análise: ao mesmo tempo que sugerem a qualificação da mão de obra, a formação profissional e o alargamento da escolaridade, promovem o trabalho a qualquer preço até que um dia acordemos completamente escravos deles!
Um abraço operário