
Ouvir o senhor ministro Teixeira dos Santos perguntar se quem deve pagar a factura da crise devem ser os pobres ou classe média, sem praguejar, é um exercício de autocontrolo dos mais duros que um cidadão pode fazer.
O ministro das Finanças falava a propósito da redução das deduções fiscais na Saúde e na Educação. Muito controladamente, apetece-me perguntar ao senhor ministro o que é que ele entende ser a classe média.
Teixeira dos Santos já está no cargo há vários anos, sendo portanto um dos responsáveis pela má situação económica do país, e sempre utilizou duas medidas para tentar resolver o problema: atacar os salários da função pública, fazendo tábua rasa das diferenças salariais existentes, e aumentando a carga fiscal. Os resultados estão à vista.
Pela análise do que já se conhece do PEC, ficámos todos a saber que qualquer cidadão com um salário de 518€ já faz parte da classe média, na opinião do governo, e os ricos são só os que são abrangidos pelo novo escalão do IRS.
Senhor ministro seja intelectualmente sério e não diga enormidades destas, considerando que todos os que ganham um pouco mais do que o ordenado mínimo nacional, pertencem à (sua) classe média, e que os que ganham dez vezes mais, ainda assim são da classe média. Bem a propósito das suas medidas quanto à harmonização dos sistemas de pensões, também devia explicar-nos porque é que uns quantos, privilegiados, podem acumular pensões, e a grande maioria não pode?
Harmonizem-se, porra!

