Comparações – Quando se entra em comparações entre países, corremos sempre o risco de dizer disparates monumentais. O caso da Islândia, que esteve à beira da banca rota em 2008, foi dado como exemplo do que podia acontecer com Portugal, isto antes do caso da Grécia. A comparação, usada para justificar os sacrifícios impostos aos cidadãos, é simplesmente uma anedota. Os islandeses passaram do foie gras e do champanhe para a pizza e coca-cola, ou das férias nos Alpes para as montanhas islandesas. Este tipo de crise também nós aguentava-mos mas a nossa realidade é muito diferente, e para pior.
Nota: Acabei de saber os resultados do referendo na Islândia e o NÃO ao acordo financeiro para indemnização dos investidores britânicos e holandeses, venceu por 93,2% contra os míseros 1,8% do "sim".
A lógica do dinheiro – A tão proclamada solidariedade europeia vê-se com clareza pela sugestão da Alemanha de que a Grécia devia vender algumas ilhas do Egeu para conseguir dinheiro para equilibrar as suas contas públicas. À Islândia foram exigidas indemnizações chorudas aos depositantes estrangeiros (holandeses e britânicos), que foram afectados pela falência dos bancos. A Grécia reagiu exigindo mais sacrifícios ao povo, a Islândia realizou um referendo para decidir uma posição nacional, que se sabe ser negativa apesar de o défice estimado para este ano ser apenas de 1,6% depois de ter atingido os 40% em 2008.


