segunda-feira, novembro 16, 2015

MAIS UMA TRAPALHADA DOS BANCOS



O caso do BES, e depois do Novo Banco, como veio a chamar-se o “banco bom”, está a mostrar a face mais sinistra das entidades bancárias, que quando são chamadas a assumir as suas responsabilidades,” fogem sempre com o rabo à seringa”, deixando os maus resultados da sua actividade para os contribuintes.

Já se tinha visto que “quando estão com as calças nas mãos”, lá vem o Estado (contribuintes), assumir encargos e a sua responsabilidade, para poderem recapitalizar os bancos, e invariavelmente não se vê ninguém ser condenado, mesmo quando é claro que houve má gestão e até gestão danosa do dinheiro dos depositantes.

Para tapar os olhos aos contribuintes são criados instrumentos de salvaguarda para situações de dificuldades nos bancos, como o Fundo de Resolução, ou o Fundo de Garantia dos Depósitos, que responsabilizam os bancos no seu conjunto a assumir responsabilidades perante os depositantes, mas isso é apenas na teoria, porque na realidade os bancos acabam sempre por escapar entre as malhas da lei, e são sempre os contribuintes a pagar os prejuízos, como vai acontecer, de novo, com o Novo Banco.


domingo, novembro 08, 2015

ENLAMEAR É FEIO, DIOGO?



O dirigente centrista Diogo Feio é um indivíduo patusco, pois com a cara mais séria é capaz de defender o chefe, Paulo Portas, que já disse tudo e também o seu contrário, nas suas inúmeras vidas ligadas à política, enquanto jornalista e depois simplesmente como político.

Claro que não vou dizer (?) agora que Paulo Portas foi para a política porque “os partidos são uma maçada”, ou porque “os quadros dos partidos são medíocres”, ou porque “aquela é a maneira de subir na vida”. Tudo isso e muito mais disse o próprio, numa outra vida, e ficou registado para a posteridade.

Na política é muitas vezes mais sensato ficar calado do que alimentar polémicas, mas Diogo Feio ainda não aprendeu, apesar dos anos que tem de político. Sugiro ao dirigente do CDS que reveja o vídeo que está à disposição de todos e que é bem revelador do líder do seu partido.



sábado, novembro 07, 2015

MANIFESTO CLARIFICADOR



Em qualquer país democrático podem existir governos de direita, do centro ou da esquerda, tudo dependendo da escolha dos cidadãos e da vontade dos eleitos, podendo exercer o poder em maioria, em minoria ou com acordos que garantam a viabilidade do seu mandato.

Falo de democracias, porque existem outras realidades, como as ditaduras ou aqueles regimes manhosos em que a Democracia é apenas de fachada, existindo de facto um poder apoiado na força do medo, ou na força do dinheiro.

Em Portugal temos quem não aprecie especialmente a Democracia, quem não admita qualquer mudança, quem não goste de arriscar em situações sob as quais não possui algum controlo.

Qualquer alteração do status quo atrapalha uns quantos senhores que sempre viveram à sombra do Estado, que sempre gravitaram em torno do poder, e que quando são surpreendidos pela mudança, alegam a existência de falta de confiança no país e nos eleitos que formam governos co os quais não se identificam.

A promiscuidade dos negócios e do poder tem sido flagrante, e um governo com o apoio da esquerda, aterroriza certos empresários. Não é a iniciativa provada que está a ser posta em causa, mas sim a sua influência sobre quem exerce o poder, e alguns benefícios que podem estar em causa, e isso nota-se no tal Manifesto dos 100.



quinta-feira, novembro 05, 2015

AS FERIDAS DO RETORNO



Acho bem que se comece a falar abertamente do que aconteceu a muitas centenas de milhar de pessoas, obrigadas a voltar ao seu país de origem, ao dos seus ancestrais, ou mesmo aos que fugiram de países a que chamavam a sua terra, para vir para o pais que tinham jurado defender, mesmo noutras paragens.

Começando pela palavra “retornado”, que teve sempre uma carga negativa pela parte de quem a proferia, até à revolta legítima de quem se viu espoliado de todos os seus pertences, obtidos por meios legítimos, até à humilhação a que foram sujeitos antes de partirem de África, e sobretudo depois quando chegaram àquele que pensaram ser o seu porto seguro. Não é difícil perceber o silêncio a que se remeteram, enterrando a sua raiva, o seu desânimo e a sua esperança, para ultrapassar a provação com a maior brevidade.

Há quem pense que houve medo de parte de quem “retornou” de falar desse passado em África, ou até dos primeiros tempos aqui onde encontraram um porto pouco receptivo. Talvez fosse de meditar nas perguntas que eles podiam fazer e que não fazem porque são desnecessárias, como:

-Porque não foram cumpridas muitas promessas feitas antes da entrega dos territórios?
- Porque é que Portugal não indemnizou quem viu nacionalizados ou confiscados os seus bens?

Outras perguntas mais incómodas podiam dizer respeito ao ouro que o Estado português retirou dos bancos em África antes das independências, ou porque se silenciaram massacres de portugueses, e não só, imediatamente antes das grandes vagas de refugiados.

O passado não volta e as feridas sararam mais depressa do que as dos povos aos quais foram dadas as independências, e isso é talvez o maior legado que os “retornados” deram à nação que tão mal os tratou. Vidas destroçadas e muita gente amargurada, conseguiram construir novas vidas, muitas vezes novas famílias, e meia dúzia de anos depois, ninguém falava já de “retornados” nem de “colonos”.



terça-feira, novembro 03, 2015

PAÍS DE EMIGRANTES



Foi preciso vir o Observatório da Emigração apresentar um estudo para se dar alguma atenção ao facto conhecido por muitos, de que temos a maior taxa de emigrantes dos países europeus, com mais de 20% dos cidadãos a viver fora do país.

Antes do 25 de Abril era por causa do serviço militar e por causa das más condições de vida, depois do 25 de Abril começou por ser por causa do grande número de retornados e pelas dificuldades da economia, depois e com a Democracia razoavelmente instalada e estabilizada, a emigração continuou, e a partir de 2010 voltou a subir dum modo dramático, que continua até hoje.

Os portugueses que emigram fazem-nos porque o país não lhes oferece oportunidades de fazer uma vida decente e relativamente desafogada cá dentro. Governos de má qualidade, empresários de igual qualidade, e cidadãos pouco exigentes, têm permitido que as coisas tenham acontecido deste modo.

Enquanto tudo for comandado do exterior, seja através da União Europeia seja dos pelos mercados e seus agentes, Portugal continuará a assistir a este êxodo, em maior ou menor quantidade. Os cidadãos têm que ser mais exigentes, mais participativos e têm que saber agir sempre que necessário, manifestando a sua opinião, protestando contra o que não concordam e punindo quem tão mal nos tem governado.

Quem não usa dos seus direitos não será nunca ouvido!



domingo, novembro 01, 2015

QUANDO O BASTA É IMPERATIVO

A pressão exercida sobre quem trabalha, quer nos objectivos a atingir, quer no número de horas em disponibilidade absoluta, é cada vez maior, e sempre com cada vez menos recursos, é uma constante dos nossos dias, em todos os sectores de actividade.

O lucro, sempre o lucro, é o objectivo único, sempre presente em todos os serviços e actividades, como se fosse possível aumentar os proventos indefinidamente.

Há limite para tudo, seja para o esforço individual, seja para a produtividade, e ignorar esses limites leva a um retrocesso e consequente perda de produtividade, porque mesmo para a mente há limites, como para a resistência de todos os materiais.

Há muitos factores que são frequentemente esquecidos por quem gere recursos humanos, como a saúde, a realização pessoal, e ausência de preocupações com a satisfação das necessidades básicas, que impedem que se produza mais.


Em português muito simples, há quem cegue com o objectivo de obter mais produtividade, esquecendo-se de que há que saber dar para receber. O equilíbrio é difícil, mas é aí que está a ciência da produtividade!