quinta-feira, novembro 05, 2015

AS FERIDAS DO RETORNO



Acho bem que se comece a falar abertamente do que aconteceu a muitas centenas de milhar de pessoas, obrigadas a voltar ao seu país de origem, ao dos seus ancestrais, ou mesmo aos que fugiram de países a que chamavam a sua terra, para vir para o pais que tinham jurado defender, mesmo noutras paragens.

Começando pela palavra “retornado”, que teve sempre uma carga negativa pela parte de quem a proferia, até à revolta legítima de quem se viu espoliado de todos os seus pertences, obtidos por meios legítimos, até à humilhação a que foram sujeitos antes de partirem de África, e sobretudo depois quando chegaram àquele que pensaram ser o seu porto seguro. Não é difícil perceber o silêncio a que se remeteram, enterrando a sua raiva, o seu desânimo e a sua esperança, para ultrapassar a provação com a maior brevidade.

Há quem pense que houve medo de parte de quem “retornou” de falar desse passado em África, ou até dos primeiros tempos aqui onde encontraram um porto pouco receptivo. Talvez fosse de meditar nas perguntas que eles podiam fazer e que não fazem porque são desnecessárias, como:

-Porque não foram cumpridas muitas promessas feitas antes da entrega dos territórios?
- Porque é que Portugal não indemnizou quem viu nacionalizados ou confiscados os seus bens?

Outras perguntas mais incómodas podiam dizer respeito ao ouro que o Estado português retirou dos bancos em África antes das independências, ou porque se silenciaram massacres de portugueses, e não só, imediatamente antes das grandes vagas de refugiados.

O passado não volta e as feridas sararam mais depressa do que as dos povos aos quais foram dadas as independências, e isso é talvez o maior legado que os “retornados” deram à nação que tão mal os tratou. Vidas destroçadas e muita gente amargurada, conseguiram construir novas vidas, muitas vezes novas famílias, e meia dúzia de anos depois, ninguém falava já de “retornados” nem de “colonos”.



terça-feira, novembro 03, 2015

PAÍS DE EMIGRANTES



Foi preciso vir o Observatório da Emigração apresentar um estudo para se dar alguma atenção ao facto conhecido por muitos, de que temos a maior taxa de emigrantes dos países europeus, com mais de 20% dos cidadãos a viver fora do país.

Antes do 25 de Abril era por causa do serviço militar e por causa das más condições de vida, depois do 25 de Abril começou por ser por causa do grande número de retornados e pelas dificuldades da economia, depois e com a Democracia razoavelmente instalada e estabilizada, a emigração continuou, e a partir de 2010 voltou a subir dum modo dramático, que continua até hoje.

Os portugueses que emigram fazem-nos porque o país não lhes oferece oportunidades de fazer uma vida decente e relativamente desafogada cá dentro. Governos de má qualidade, empresários de igual qualidade, e cidadãos pouco exigentes, têm permitido que as coisas tenham acontecido deste modo.

Enquanto tudo for comandado do exterior, seja através da União Europeia seja dos pelos mercados e seus agentes, Portugal continuará a assistir a este êxodo, em maior ou menor quantidade. Os cidadãos têm que ser mais exigentes, mais participativos e têm que saber agir sempre que necessário, manifestando a sua opinião, protestando contra o que não concordam e punindo quem tão mal nos tem governado.

Quem não usa dos seus direitos não será nunca ouvido!



domingo, novembro 01, 2015

QUANDO O BASTA É IMPERATIVO

A pressão exercida sobre quem trabalha, quer nos objectivos a atingir, quer no número de horas em disponibilidade absoluta, é cada vez maior, e sempre com cada vez menos recursos, é uma constante dos nossos dias, em todos os sectores de actividade.

O lucro, sempre o lucro, é o objectivo único, sempre presente em todos os serviços e actividades, como se fosse possível aumentar os proventos indefinidamente.

Há limite para tudo, seja para o esforço individual, seja para a produtividade, e ignorar esses limites leva a um retrocesso e consequente perda de produtividade, porque mesmo para a mente há limites, como para a resistência de todos os materiais.

Há muitos factores que são frequentemente esquecidos por quem gere recursos humanos, como a saúde, a realização pessoal, e ausência de preocupações com a satisfação das necessidades básicas, que impedem que se produza mais.


Em português muito simples, há quem cegue com o objectivo de obter mais produtividade, esquecendo-se de que há que saber dar para receber. O equilíbrio é difícil, mas é aí que está a ciência da produtividade! 


sábado, outubro 31, 2015

AFINAL HÁ BRUXAS

Lá se realizou mais uma investidura de ministros e secretários de Estado, com direito a discurso de Cavaco Silva, e com extraordinárias medidas de segurança, parecendo que havia receio de algum atentado.

A cerimónia foi tristonha e enfadonha q.b.,os mais bem dispostos pareciam os ministros e ajudantes cessantes, dando a ideia de que todos os indigitados para este executivo, estão mentalizados para um mandato muito curto.

Cavaco e Passos Coelho não acreditaram em bruxas, mas lá que as há, isso há!

quinta-feira, outubro 29, 2015

TUDO NA MESMA NA CULTURA



No anterior governo da coligação, a Cultura ficou reduzida a secretaria de Estado, não que isso fosse em si mesmo um grande problema, mas porque Passos Coelho deu o sinal inequívoco de que menorizava a área, que estando sob a sua tutela, não tinha recursos e foi entregue a alguém que não dava qualquer garantia de ser exigente na defesa da Cultura.

Neste novo governo, que nasce já condenado a cair, aparece um ministério da Cultura, que integra também a Igualdade e a Cidadania. Se podia parecer que a criação dum ministério da Cultura seria o reconhecimento dum erro, na realidade nada pode ser mais enganador, porque a Cultura seria comandada por um qualquer secretário de Estado, tal como as outras duas valências do ministério, e a ministra Teresa Morais apenas substituía Passos Coelho na tutela da autêntica salganhada que foi anunciada. Para os cépticos do que digo fica um outro pormenor, que seria o minúsculo orçamento que a Cultura teria que partilhar com a Igualdade e a Cidadania.

O povo não é tolo, e esta jogada condenada ao fracasso, não servirá sequer para nos distrair do facto de que a coligação não dá qualquer valor à Cultura.



terça-feira, outubro 27, 2015

VIVER É UM RISCO PARA A SAÚDE

Com alguma periodicidade somos bombardeados com notícias, que nos querem fazer crer que a ingestão deste ou daquele alimento, ou bebida, podem ser prejudiciais à nossa saúde.

Os avisos mais recentes incidem sobre a carne processada e sobre a carne vermelha, mesmo quando não processada, que seriam cancerígenas ou provavelmente cancerígenas. Ainda há poucos dias também foi noticiado que as águas podiam ser más para a saúde, no caso de terem um PH mais baixo que o PH corporal.

A sabedoria popular diz-nos que devemos variar a nossa dieta alimentar, ingerir sobretudo produtos da época, bastante fruta e legumes, e preferir os produtos naturais e tradicionais.

A OMS devia dizer era as razões que levam a que as carnes processadas, segundo processos autorizados, as transformem em produtos cancerígenos. Talvez seja importante recordar que os processos tradicionais, e ancestrais, foram abandonados por serem considerados pouco seguros para a saúde.


O fundamentalismo é sempre mau conselheiro.


domingo, outubro 25, 2015

FUTURO ANUNCIADO

Com uma moção de censura à porta e chegada a altura de pensar na vida, um certo roedor da nossa praça prepara-se para uma nova vida no mundo do espectáculo, voltando assim ao passado... 


quinta-feira, outubro 22, 2015

MUGABE E CONFÚCIO



Foi com alguma surpresa que o mundo tomou conhecimento de que o prémio Confúcio foi para Robert Mugabe, presidente do Zimbabwe há 35 anos, conhecido pela sua violência e tortura contra o seu povo.

Este prémio Confúcio da Paz, o equivalente chinês do Nobel da Paz, foi-lhe atribuído porque “injectou energia fresca” na procura mundial da harmonia entre as nações, de acordo com o The Guardian.

Confúcio deve estar a dar voltas na cova, pois este filósofo chinês, cujos princípios tinham por base o respeito pelos idosos, pelas crianças e pela família, baseando-se na moralidade pessoal e governamental, no procedimento correcto nas relações sociais, justiça e sinceridade.

Temos um ditado antigo que terá a sua origem, segundo alguns estudiosos, na filosofia de Confúcio, que diz “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”. Que diria Mugabe se lhe fizessem o que ele fez e faz aos seus opositores?

Enfim, mais uma daquelas chinesices que não são para ser entendidas pelos bárbaros do Ocidente…



quarta-feira, outubro 21, 2015

COM AMIGOS ASSIM…

Já todos suspeitavam, e agora foi confirmado, que os governantes portugueses apoiavam a saída da Grécia do euro, o muito falado Grexit, apesar dos desmentidos que fizeram na altura os nossos políticos.

Schäuble revelou agora que apenas a França e a Itália se opuseram a tal solução, e depois lá foi conseguido um acordo com a Grécia, acordo que todos sabem ser impossível de cumprir integralmente.

Vários dirigentes gregos afirmaram que o governo português era um dos mais “ferozes” no intuito de obrigar a Grécia a submeter-se às exigências europeias, não mostrando qualquer flexibilidade, como seria de esperar dum país que passara por um processo tão doloroso para os seus cidadãos.


A figura do ministro das Finanças alemão, que é simplesmente detestável, mostrou agora que a cumplicidade portuguesa, necessária na altura, pode ser descartada quando deixa de ter qualquer utilidade.

Fotografia

terça-feira, outubro 20, 2015

PORTUGAL VAI DE PORSCHE



A economia e as finanças do país estão muito mal, diga Passos o que disser, e a grande maioria dos portugueses sente isso na sua bolsa e nas suas vidas.

A dívida soberana aumentou durante estes últimos 4 anos, e a dívida das grandes empresas também está em níveis insustentáveis, apenas a dívida dos particulares diminuiu de volume, talvez porque o crédito se tornou mais difícil. Os encargos da dívida não diminuíram, apenas foram empurrados no tempo, consequência dos juros historicamente baixos.

Apesar do panorama negro que está à vista de todos, há quem tenha um optimismo muito grande, e tenha feito disparar as vendas da Porsche, do grupo VW, e é fácil perceber a razão: “quando muitos perdem, há sempre uns poucos que lucram com isso”.