sexta-feira, novembro 14, 2014

ESTADO E CONFUSÕES



Este governo tem vindo a desrespeitar os funcionários públicos de todas as maneiras possíveis, seja retirando-lhes direitos, seja castigando-os com cortes específicos, mas também os tem desmoralizado sugerindo que são culpados pelo estado das finanças públicas, o que é um perfeito disparate.

Ao afirmar reiteradamente que o Estado é ineficiente, o governo nunca assume as suas culpas, antes continua a nomear cada vez mais gente da sua confiança para os lugares chave da máquina do Estado, afirmando que esses sim são os mais válidos.

As coisas mudam de figura quando existem suspeitas de actos de corrupção, tráfico de influências, branqueamento de capitais, ou favorecimento, porque aí já não se diz que são os dirigentes situados em cargos de nomeação, muitas vezes sem qualquer vínculo ao funcionalismo público, que estão em causa, antes usam termos como altos quadros do Estado, apesar de não ser uma afirmação rigorosa.



quarta-feira, novembro 12, 2014

SÓ TRETAS



É absolutamente confrangedor ouvir da boca da ministra das Finanças, que a classe média portuguesa é cada vez mais castigada pelo esforço fiscal, porque Portugal tem poucos ricos.

A realidade que está à vista para qualquer contribuinte, e que decorre até das afirmações dos governantes, é que temos cada vez mais pobres, a quem já não é possível “sacar” mais, cada vez mais temos mais ricos, basta ver as estatísticas, mas que têm os seus negócios sediados noutras paragens, e por consequência resta a classe média (que paga impostos), que vai ficando cada vez menor.

Um dado que incomoda toda a gente são os números do crédito malparado, cujo montante aumentou, ainda que o número de famílias em incumprimento tenha baixado, enquanto que muitas outras já foram declaradas insolventes e outras (muitas) renegociaram os seus créditos.



segunda-feira, novembro 10, 2014

CAVACO NÃO ESTÁ ISENTO DE CULPAS

Cavaco Silva parece ter alguns lapsos de memória que agora com o caso PT se tornaram mais do que evidentes. Perguntar o que é que andaram a fazer os accionistas e os gestores da PT, sabendo como nós sabemos, pela imprensa, que as ligações entre a empresa de telecomunicações e o BES eram as que se conhecem, é inoportuno.

Convém recordar o presidente que, ele próprio, condecorou primeiro Henrique Granadeiro e depois Zeinal Bava, manifestando também ele que não sabia o que é que os dois andavam a fazer dentro da PT.

O Cavaco bem informado, e formado em economia, foi embarretado, tanto pelo Salgado como pelos gestores da PT, por isso não lhe fica nada bem tentar culpabilizar os gestores minoritários pelo excesso de confiança, em quem recebia a maior confiança do próprio presidente.


sábado, novembro 08, 2014

PROVA DE VIDA DO SEC



O secretário de Estado da Cultura decidiu fazer uma prova de vida anunciando que vai terminar o Palácio da Ajuda, usando uma verba de 4,4 milhões de euros, provenientes do seguro referente ao roubo das joias da Coroa numa exposição na Holanda há alguns anos.

Esta notícia até podia ser digna de aplauso se anunciada no princípio do mandato deste governo, mas agora isto soa a propaganda. O SEC não teve qualquer acção relevante na protecção do Património construído, e já teve tempo para isso.

Jorge Barreto Xavier pretende atirar os 4,4 milhões de euros, para cima duma única obra, quando já anunciou que o governo pretende criar uma empresa pública para manter e explorar o conjunto monumental da zona de Belém e da Ajuda.

O projecto é demasiado importante e caro para ficar sob alçada de Xavier Barreto, e a revitalização do Palácio da Ajuda só pode ser uma realidade rentável com o suporte dos monumentos de Belém, onde também vai ser preciso muito dinheiro, e visão, para sustentar o novo Museu dos Coches, o Museu de Arte Popular, ou o Museu de Arqueologia, para falar apenas de alguns.

Cuidar e proteger o Património é uma tarefa complexa onde a maioria do trabalho é composto de pequenas e médias intervenções, e dirigido por equipas coesas, competentes e dedicadas, que são difíceis de formar.


sexta-feira, novembro 07, 2014

CONVERSAS DE CAFÉ



Ontem à noite a conversa no café era sobre o aumento dos descontos para a ADSE e outros subsistemas de saúde do Estado, que desde Junho passaram de 2,5% para 3,5%.

Como já vem sendo habitual a divisão entre funcionários públicos e trabalhadores do privado ficou mais ou menos clara, como resultado duma campanha constante e agressiva por parte da classe dirigente, ultraliberal.

Foi interessante ouvir o único reformado do grupo alertar o pessoal de que este aumento de descontos para os funcionários públicos e o facto do Estado deixar de contribuir para a ADSE, abre o caminho para a privatização dos serviços de saúde e para a entrada das seguradoras no sector e a consequente dispensa de descontos por parte das entidades empregadoras para prover cuidados de saúde aos seus funcionários.

Longe vai o tempo em que alguém podia ficar descansado enquanto via as barbas do vizinho a arder. Agora as coisas andam muito depressa, e se hoje são os funcionários públicos a pagar para terem direito a cuidados de saúde, num futuro muito próximo serão todos os que trabalham no provado a ter que o fazer, e o Estado arcará só com a saúde dos indigentes, com serviços de muito baixa qualidade.

Logo depois fez-se silêncio e todos perceberam a pergunta que ele nos deixou: será que é isso que os portugueses querem?



quarta-feira, novembro 05, 2014

CHAMAR OS BURROS PELOS NOMES

Ouvir falar em "ajustamentos" na Segurança Social, para justificar a "dispensa" de perto de 700 funcionários, é revoltante.

O que chega mesmo a enojar é ouvir o titular da pasta dizer que não é um despedimento, mas sim uma "oportunidade" para os ditos funcionários, pois podem ficar aptos para outros trabalhos noutros serviços. 

Dando os nomes verdadeiros às coisas, o ministro tenta aldrabar a malta e estamos perante um dos maiores despedimentos colectivos neste país, em que a entidade empregadora é o Estado, que não hesitou em alterar a natureza dos vínculos dum modo unilateral, despedindo sem justa causa.

Resta aos portugueses "despedir" o governo com a mesma falta de respeito que ele demonstra ter por todos nós...

segunda-feira, novembro 03, 2014

AS CONDECORAÇÕES DA PRAXE

A afirmação de Durão Barroso de que a atribuição duma condecoração por Cavaco Silva era o reconhecimento de Portugal pelos seus "serviços" na Comissão Europeia, o que significaria que foi uma decisão correcta a que tomou em 2004, é no mínimo uma presunção errada.

Durão Barroso em nada beneficiou Portugal nas suas funções europeias, basta constatar a sua subserviência perante os interesses da chanceler Merkel, e nem sequer menciono o facto de nem ter dado a devida importância à sua língua, expressando-se preferencialmente em francês ou inglês, em detrimento do português.

Quanto ao facto de ter deixado o governo em 2004, para ir a correr para a Comissão Europeia, que lhe valeu o nome de Fujão Barroso, não o fez para o bem de Portugal (ainda que não tenha deixado saudades), mas sim por ambição e interesse pessoal. 


sábado, novembro 01, 2014

IMPASSE OU INCOMPETÊNCIA?



Alguém bem-intencionado fez-me chegar o Jornal da Região onde constavam diversas notícias sobre Sintra, onde se falava também da construção (futura) de estacionamento (pago) nas periferias.

Sobre o trânsito acho que está tudo dito, é escasso e quase todo pago, e a alternativa em transporte público é igualmente cara, havendo portanto uma penalização dupla para os visitantes, e para os que por lá trabalham.

A notícia que eu considerei mais curiosa foi sobre o Hotel Neto, onde se lê que Basílio Horta reconhece que a recuperação do edifício está num impasse pelos seus elevados custos, que pelos vistos não terá tomado em conta quando a Câmara exerceu o seu direito de preferência na aquisição, em detrimento da Parques de Sintra.

Conjugando esta notícia com a outra em que o edil se diz disposto a fazer a Câmara pagar para conseguir uma participação de 50% na PSML fico pasmado. Não sei quanto pensa Basílio Horta que vale uma empresa que é responsável por tão vasto Património, mas será certamente muito mais que o dinheiro que está em causa na recuperação do Hotel Neto…