quinta-feira, outubro 16, 2014

NÃO ME ENGANEM QUE EU NÃO GOSTO



A palavra de boa parte dos políticos não vale mesmo nada, mas ao menos podiam evitar fazer figuras ridículas dizendo enormidades que só poderão enganar os mais fracos e menos informados da nossa sociedade.

Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, veio a público afirmar que “muitas famílias vão ter mais poder de compra”, mas não precisou quais, nem porquê.

Não sei se a ministra se estava a referir apenas à carga fiscal, já constante da proposta de Orçamento de Estado para 2015, mas tenho a certeza de que não levou em linha de conta muitas coisas que afectam grandemente o orçamento das famílias.

A ministra pretendeu ignorar a subida das tarifas da electricidade, já a partir de Janeiro, o aumento da carga fiscal sobre os combustíveis, que afecta os preços das mercadorias e dos serviços, e outros impostos (verdes ou de outra qualquer cor), já para não falar do aumento do imposto sobre o tabaco e sobre as bebidas alcoólicas que também estão previstos.

Colocando tudo na balança é insensato vir dizer que “muitas” famílias vão ter maior poder de compra, porque não é isso que o OE apresentado nos diz.


A bela quarentona vestida à moda da Renascença

quarta-feira, outubro 15, 2014

AS MEIAS VERDADES

"Nenhum mentiroso tem uma memória suficientemente boa para ser um mentiroso de êxito."

 Abraham Lincoln



segunda-feira, outubro 13, 2014

PORTUGAL DEPOIS DAS PRIVATIZAÇÕES



Durante vários anos os governantes de Portugal andaram a pregar que o Estado tinha uma dimensão demasiadamente grande, e que estava por isso a sufocar a economia, para além de ter uma gestão ineficiente que prejudicava os cidadãos.

Na fúria privatizadora foram empresas como a GALP, a PT, os CTT, ou a EDP, tudo empresas que davam lucro e que funcionavam praticamente em regime de monopólio. Convém acrescentar que estão nos planos de privatização deste governo, a TAP e as Águas de Portugal.

Os anéis já estão quase todos no prego, e já foram agarrados alguns dedos deste pobre povo. Portugal está mais pobre e endividado, e os portugueses pagam agora muito mais impostos do que antes das privatizações, e têm cada vez menos direitos.

Não está em causa apenas o que perdemos, porque a maior parte destas empresas está em mãos estrangeiras sem que o país tenha melhorado a sua situação económica, mas também deixámos de poder decidir verdadeiramente sobre serviços e bens estratégicos, pagando hoje muito caro pelos erros estratégicos.

Hoje já há quem “chore lágrimas de crocodilo” pela PT, e ainda berre porque pagamos mais impostos e o Estado fornece cada vez menos serviços e de menor qualidade, mas são incapazes de parar para pensar como é que se chegou aqui…


sábado, outubro 11, 2014

A PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA

Portugal tem sido um país onde os governantes se recusam a aprender com os erros, talvez porque nunca tenham tido verdadeiramente de pagar por eles.

Tudo tem sido privatizado, e note-se que neste tudo estão sobretudo os negócios rentáveis, que saindo da esfera do Estado nos colocam dependentes de interesses maioritariamente estrangeiros, mesmo em áreas vitais, como por exemplo os combustíveis, a energia ou as telecomunicações.

No caso da água vem aí a privatização dum bem essencial e escasso, por vontade duma maioria que se prepara para deixar o poder, que não se exime em subordinar o interesse público ao lucro privado, como se isso tivesse alguma racionalidade.


A História há-de julgar os políticos que dizendo querer “emagrecer” o Estado, transformaram-no numa máquina de cobrar impostos aos cidadãos por não ter outras receitas que o sustentem, e às suas funções sociais. 


quinta-feira, outubro 09, 2014

O ACORDAR LENTINHO



Não sei se ainda recordam de Vítor Gaspar, aquele que foi ministro das Finanças de Portugal, que falava duma forma extremamente lenta, mas que foi o rosto do enorme aumento de impostos do início da década.

O bom aluno da chanceler Merkel, que ia além do que esta lhe pedia, ganhou (à nossa custa) um poleiro mais bem remunerado no FMI, onde continua a ser tão obediente como antes, tendo mudado apenas o ritmo do discurso e a língua em que se expressa em público.

Há uma novidade porém no discurso de Vítor Gaspar, pois agora vem defender o investimento público, a redução de impostos sobre o trabalho e a moderação da austeridade e do ritmo do desendividamento dos países.

Gaspar acaba por demonstrar com palavras que a receita por ele defendida e praticada foi errada, o que já todos sabíamos, mas como é habitual nos maus governantes, não assumiu os seus erros.



quarta-feira, outubro 08, 2014

POLÍTICOS E NEGÓCIOS

Hoje li umas quantas notícias sobre políticos e sobre alguns casos onde estão envolvidos de algum modo decisores políticos e vieram-me à cabeça algumas imagens que recebi por mail há algum tempo, que eu partilho com os leitores...

Quando a política se cruza com os negócios...
Lembrei-me dos resultados das comissões parlamentares

domingo, outubro 05, 2014

POVO EXCLUÍDO DA COMEMORAÇÃO DA REPÚBLICA

A classe política nacional deu mais outro tiro no pé aceitando comemorar a República em privado, ignorando mais uma vez o povo.

Não costumo dar qualquer importância aos discursos de Cavaco Silva, mas nesta data recordo que ele afirmou que «os portugueses são dos povos da União Europeia que demonstram maiores níveis de insatisfação com o regime em que vivem», mas parece que esta constataçãoem nada influenciou as comemorações envergonhadas da República.

sexta-feira, outubro 03, 2014

FERIADOS E IDENTIDADE



Como todos sabemos o 5 de Outubro não vai ser considerado feriado este ano, devido a uma decisão incompreensível deste governo, que argumentou que Portugal tinha muitos feriados o que até nem era verdade, pois estávamos abaixo da média europeia neste particular.

Uma das críticas que se ouviu muito, quando a decisão foi tomada, era de que o governo não respeitava a República, abolindo este feriado, mas na realidade o governo não respeita é Portugal e os portugueses, pois o 5 de Outubro era também evocativo do Tratado de Zamora, em que Portugal foi reconhecido como reino independente.

A nossa independência significa pouco para quem gosta de estar sob a tutela estrangeira, à qual obedece cegamente, rejeitando ouvir as aspirações e exigências dos nossos cidadãos, o que não passa de uma traição a quem os elegeu. Duvido que eles assim o entendam, mas os factos estão aí…



quarta-feira, outubro 01, 2014

UMA BAGATELA DE 30 MILHÕES



Os políticos “agarrados ao poder” têm descredibilizado a sua actividade e a política em geral, tal o desprezo que têm demonstrado em tornar transparente a sua acção.

As comissões parlamentares têm sido sucessivamente uma incrível perda de tempo e de recursos, pelas conclusões que têm sido apresentadas depois dos seus trabalhos.

A investigação sobre os 30 milhões de euros pagos pelos alemães à Escom vai pelos vistos ser encerrada sem nenhuma conclusão sobre quem “abichou” aquela bagatela, ainda que seja muito claro que há indícios muito fortes sobre o destino do dinheiro.

Se o negócio das contrapartidas referentes às aquisições de material militar é um fiasco com contornos muito suspeitos, as gestões de diversos bancos também não lhe ficam atrás, e que se saiba, temos suspeitos mas condenados é que parece que não há.

Portugal continua a ser um país de brandos costumes…