quarta-feira, agosto 13, 2014

A VERDADE E OS NÚMEROS



Um dos maiores falhanços dos governos europeus, não só o português, tem sido a falta de efectivas medidas para combater o desemprego, que além de ser uma praga social, pode influenciar negativamente muitas outras coisas.

As preocupações têm-se centrado apenas em critérios económicos e a falta de preocupações sociais, e a consequente diminuição da natalidade, fizeram com que a sustentabilidade da Segurança Social ficasse ameaçada e com que as campainhas de alarme tivessem soado um pouco por todo o lado.

Por cá vieram logo números sobre a Segurança Social e sobretudo sobre a CaIXA Geral de Aposentações, que apresentam números negativos, mas não surgem outros números referentes a isenções, a dívidas, etc.

Para que se faça uma pequena ideia sobre a CGA, talvez seja útil ler-se o que escreveu o Tribunal de Contas sobre o assunto, e se revele publicamente que só nas últimas duas décadas foram transferidos para a CGA os encargos referentes a 15 fundos de pensões, que não correspondem a descontos para a mesma, e revelar-se de forma clara para onde é que foi o dinheiro desses fundos, antes de se começar a falar dos problemas que a CGA tem actualmente.

Não basta soltar uns quantos números e deixar no ar que os actuais pensionistas descontaram pouco para as reformas que usufruem, sem dizer quem é que aufere reformas pagas pela CGA sem nunca para lá descontar, e para onde foram os descontos de muitos que agora lá estão, mas que estavam cobertos por outros fundos de pensões que não foram canalizados para onde deviam ter sido.

Clareza e verdade deviam ser uma exigência da imprensa e dos organismos públicos que fornecem alguns dados mas que, convenientemente, omitem outros.  



segunda-feira, agosto 11, 2014

DIREITOS DO TRABALHO



Numa altura em que todo o esforço de recuperação económica dos países em dificuldades caiem sobre o factor trabalho, custa a acreditar que ainda existem políticos ligados aos executivos europeus, que se preocupam com a defesa dos direitos de quem trabalha.

Desiludam-se os que pensaram, mesmo que apenas por momentos, que eu estava a referir-me a alguma situação dentro do espaço nacional, porque não é o caso.

Foi notícia uma proposta do SPD da Alemanha visando proibir os chefes de telefonar aos trabalhadores fora do horário de trabalho. Note-se que a França também já tinha tomado uma iniciativa semelhante há pouco tempo.

Em Portugal a norma é de se exigir total disponibilidade aos trabalhadores, dizendo-se logo desde a admissão que esse é um requisito fundamental e indispensável, determinante do futuro na respectiva carreira, o que desde o início de funções “amarra” os trabalhadores a esta dependência.



sábado, agosto 09, 2014

FRASE FAMOSA

"Não acredites nem nos que pedem emprestado, nem nos que emprestam; porque muitas vezes, perde-se o dinheiro e o amigo...e o empréstimo."

William Shakespeare

Sundown by Palaciano

quinta-feira, agosto 07, 2014

O ALGODÃO NÃO ENGANA



A frase publicitária aplica-se no que respeita aos dados que vão sendo conhecidos, relativamente a quem foi responsável em larga medida pela triste situação em que o país se encontra.

Durante vários anos acenaram-nos com as tretas de que estávamos a viver acima das nossas possibilidades, que éramos pouco produtivos, que queríamos viver só de subsídios, que muitos não queriam trabalhar, mas tudo isto era para esconder uma realidade muito mais negra, que nem o poder económico nem o político queriam revelar.

É pois sem surpresa que lemos títulos como: “Ajudas à banca explicam mais de 20% da dívida pública”, “Algum défice e muita dívida e garantias para proteger a banca”, ou “Estado deu o braço à banca em vez de lhe estender a mão”.

Hoje já são poucos os que se atrevem a voltar ao antigo discurso, pelo menos nos dias mais próximos, enquanto o caso BES estiver na berlinda, mas a memória costuma ser curta…



terça-feira, agosto 05, 2014

A FRASE DE ONTEM



“Mesmo assim, a queda do império que dominava o BES (e muito mais…) é uma verdadeira reforma estrutural que pode proporcionar uma maior independência do poder político face a formas obscuras e insidiosas de poder económico-financeiro não escrutinado. “

António Bagão Félix

É de realçar esta afirmação pelo reconhecimento de que o poder político está e tem estado subordinado ao poder económico, que como se percebe tem muitas facetas bastante negras.



segunda-feira, agosto 04, 2014

A ACTUALIDADE

Enquanto que os cidadãos são punidos por fata de pagamento das suas dívidas, sendo confiscados os seus bens de imediato, aos accionistas dos bancos são dados os meios e o tempo necessário para acautelarem boa parte dos seus bens e fortuna, antes de qualquer medida punitiva.


Ouvimos há pouco o plano do Banco de Portugal para o BES, mas estranhamente, ou talvez não, do governo ainda não veio uma só palavra, depois da afirmação de que não seria utilizado dinheiro público, o que tecnicamente não é verdade. 

A laranja ainda está verde, mas ao contrário do que acontecerá com este fruto, da solução preconizada para a recapitalização do BES, ou do Novo Banco não se espera nada de doce...

sábado, agosto 02, 2014

DE BARRETE EM BARRETE…



Já estamos habituados a que Passos Coelho diga hoje uma coisa, e pouco tempo depois faça o seu contrário, como aconteceu desde a promessa de que não cortaria vencimentos aos funcionários públicos, na campanha eleitoral anterior à sua tomada de posse como 1º ministro.

Há poucos dias, o 1º ministro, dizia que não seriam usados dinheiros públicos na crise do BES, e que os prejuízos do banco seriam suportados pelos accionistas do dito, mas como já se tornou um mau hábito, o Estado (nós) prepara-se para acudir ao banco em falência.

Ainda não nada oficialmente assumido, mas agora já não se ouvem vozes ligadas ao poder a negar a mais do que provável entrada do Estado no capital do BES. O que ainda reforça mais esta ideia é o facto de alguns “analistas” ligados ao poder, virem afirmar que a capitalização do banco poderá ser feita com recurso ao fundo da troika, como se não fosse o Estado (nós) o responsável por essa linha de recapitalização.

Como tem sido um hábito recorrente, uns enchem-se com estas maroscas bancárias, e os que nem sequer petiscam, pagam o banquete daquela malandragem. Um dia a casa ainda vem abaixo…