O assunto da portagem das SCUT não é só uma monumental trapalhada, como também mostra as contradições da política e dos políticos dos dois maiores partidos portugueses.
Começando pelo princípio temos o PS que foi o pai do conceito Sem Custos para o Utilizador, que agora, por imposição do mesmo partido, novamente no poder, deixa de ser sem custos para passar a se integralmente pagas por alguns utilizadores, bastante menos pelos utilizadores regulares, e com um complemento substancial de todos os que pagam impostos, mesmo que não sejam utilizadores. É esquisito, mas inteiramente verdadeiro.
O PSD, agora dirigido por um (mais do que) liberal assumido, defende o princípio do utilizador-pagador, em todas as SCUT, mas com uma discriminação positiva, que torna a portagem para os utilizadores frequentes mais barata do que para os restantes. Se isto não é precisamente o contrário do tal conceito do utilizador-pagador, macacos me mordam.
Estes dois partidos, que se digladiam na tentativa de mostrar diferenças, que nãos existem, entre eles, confundem SCUT com outras estradas que não foram financiadas do mesmo modo, e criam diferenciação entre moradores de uns concelhos em relação a outros, e de uma zona do país em relação a outras, para além de terem um conceito para as auto-estradas e outro para as SCUT e outras estradas também com portagens.
Para condimentar ainda mais esta salsada, porque é que não pagam mais os carros mais caros, os que beneficiam das vantagens em impostos do gasóleo, os carros mais modernos, e os mais potentes? Porque é que as portagens não têm em conta os rendimentos do dono da viatura?
Para se fazer discriminação positiva há afinal muitos outros critérios que podem ser considerados, e tão legítimos como os que têm sido abordados. Justiça de verdade, só existirá quando a intenção de introduzir portagens nestas estradas (SCUT e as outras), for abandonada, cumprindo-se assim o que nos foi prometido quando foram construídas.

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Yuliya Goldina