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terça-feira, março 24, 2015

MUSEU DOS COCHES



Em Portugal já se conheceram muitos políticos deslumbrados, e quase todos estiveram envolvidos em projectos megalómanos, que custam os olhos da cara e que nunca se sustentarão a si próprios.

Quando falamos de equipamentos culturais, e fizeram-se alguns nos últimos 20 anos, as coisas tomam aspectos que roçam a tragédia, isto apesar do que vemos na imprensa, que nunca contabiliza apenas receitas e custos, como deve ser. Em boa verdade há uma honrosa excepção, que é o Oceanário de Lisboa, que serve para confirmar a regra.

Isto tudo vem a propósito do novo Museu dos Coches, que terá enormes custos de manutenção do edifício, que obrigariam a ter quase um milhão de visitas pagantes/ano para cobrir os custos de funcionamento, o que dificilmente acontecerá nos próximos 5 anos.

A vaidade de muitos governantes é um fardo que todos suportaremos com os impostos que nos vão sufocando. O novo museu foi um erro, e não há como voltar atrás.


quarta-feira, abril 29, 2009

CULTURA E DESNORTE

As coisas na Cultura estão mal e o dinheiro, ou melhor, a falta dele, deixam o Ministério da Cultura vulnerável perante as naturais críticas oriundas dos mais variados sectores.

Os escassos 0,4% atribuídos à Cultura são uma realidade a que Pinto Ribeiro não pode fugir, e que afinal castigam um ministro que logo à partida disse que queria fazer mais com menos dinheiro, ainda antes de se ter inteirado das situações reais no terreno.

Não bastava a escassez de recursos financeiros, logo apareceu a ideia peregrina de gastar muitos milhões de euros num novo Museu dos Coches, que ninguém ainda tinha reclamado, mas que dava algum jeito ao ministro Pinho que tinha planos para a orla ribeirinha de Lisboa.

O ministro da Cultura, que passou relativamente ao lado dos anúncios oficiais deste novo museu, acabou por vir a defender a ideia, disfarçando assim o facto de ter sido ultrapassado por um colega do executivo.

Na sua campanha em prol do novo Museu dos Coches, valeu tudo, desde arregimentar umas quantas figuras que se apresentaram como defensoras da ideia, como se alguém fosse realmente contra um novo museu com condições ideais e propositadamente construído para esse efeito.

Pinto Ribeiro continua sem perceber, ou pelo menos sem querer admitir que há demasiadas carências a que o seu ministério não consegue acudir por falta de recursos, que é a maior preocupação dos seus críticos. Pretende o senhor ministro que todos esqueçamos que não há verbas suficientes para efectuar os trabalhos de manutenção e restauro necessários no Património a cargo do Ministério da Cultura, como se o que está bem à vista não fosse afinal uma evidência.

O último capítulo da saga ministerial é a recente defesa de um museu das descobertas, anunciada em Belmonte, como se nada de mais urgente exista para realizar na área do Património.



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