quarta-feira, novembro 30, 2005
domingo, novembro 27, 2005
A PAZ PODRE
Os trabalhadores deste sector da Cultura souberam, apesar de terem muitas razões para protestar, deixar passar os momentos de turbulência política e da indefinição das chefias e das mudanças na tutela, para exigirem a atenção e o diálogo com o Ministério da Cultura. Os problemas existem e são necessárias mudanças, contudo agora ninguém pode culpar os trabalhadores e os sindicatos pela situação em que nos encontramos.
Há prioridades nas reivindicações, começando pelos horários dos guardas de museu e vigilantes-recepcionistas, passando pelos quadros do pessoal dos serviços, pela formação profissional, pela correcção das injustiças criadas pela última revisão das carreiras e até pela questão dos fardamentos e dos atrasos nos pagamentos do trabalho extraordinário. Estas questões são antigas, já foram muito debatidas mas os diferentes titulares da pasta da Cultura demonstraram sempre ser incapazes de fazer avançar o processo, por manifesta falta de peso político dentro dos diversos governos.
O ano de 2006 vai concerteza ser muito diferente, se nada for feito, e ainda há algum tempo para se evitarem greves e outro tipo de contestação que já começa a ser sugerida.
quarta-feira, novembro 23, 2005
terça-feira, novembro 22, 2005
sexta-feira, novembro 18, 2005
terça-feira, novembro 15, 2005
domingo, novembro 13, 2005
sexta-feira, novembro 04, 2005
COMEÇAR PELO TELHADO
Isto vem a propósito dum despacho da Lusa e da notícia do DN de 4 de Novembro, onde foi divulgada a intenção de admitir cerca de 230 professores por um prazo de 1 ano, com possível integração nos quadros do Ministério da Cultura. A ideia não é inteiramente descabida nem suscita, em princípio qualquer contestação, pelo menos da minha parte, mas fica-me uma dúvida sobre aquilo que a ministra parece não ter dito, atendendo às notícias publicadas.
Há muitos anos que o Ministério da Cultura tem vindo a dizer aos trabalhadores que, apesar da reconhecida falta de pessoal na área da vigilância, nada podia fazer no que toca à admissão de pessoal desta categoria para os quadros, por motivos orçamentais levantados pelo Ministério das Finanças e também devido ao congelamento imposto pelo(s) governo(s). Então agora já não existem estas condicionantes apesar dos despachos só serem apresentados pelos titulares da Cultura e Educação ?
É intrigante que, começando pelo telhado, se vá apostar nos serviços educativos sem estar assegurada a abertura dos serviços, tarefa desempenhada pelos vigilantes-recepcionistas. Curioso também é o número de professores adiantado, que é sensivelmente igual ao de vigilantes que neste momento estão contratados a termo certo para poder ser possível manter os serviços abertos.
Não há quem entenda as prioridades da senhora ministra da Cultura, as que saem nos jornais pelo menos, porque ainda não houve da sua parte disponibilidade para receber os representantes dos trabalhadores.
quarta-feira, novembro 02, 2005
terça-feira, novembro 01, 2005
1755 - TERRAMOTO E PATRIMÓNIO
Passados 250 anos relembra-se o desastre e as perdas humanas mas não se ouve uma palavra sobre os danos no património que chegou até aos nossos dias. O raro exemplo, mostrado com insistência nesta data, é o Convento do Carmo.
Poucos sabem, e quase ninguém o diz, mas muitos outros monumentos que conhecemos sofreram estragos consideráveis por causa do terramoto de 1755. Ainda que se fale geralmente no terramoto de Lisboa ele fez-se sentir numa área muito vasta e causou danos bem longe da capital.
Fala-se bastante da destruição do Paço da Ribeira, pouco se ouve sobre os monumentos de Belém, mas nada se diz sobre danos no Palácio de Sintra, no Mosteiro de Alcobaça e no da Batalha, para só citar alguns. Conhecem-se vagas referências a danos nos tectos do Palácio de Sintra, fala-se na possível queda duma torre onde estaríam situados os aposentos de D. João I e também há quem tente imaginar como sería a Capela do Fundador (Mosteiro da Batalha) antes do lanternim que hoje conhecemos.
Perante estas e outras evidências mais ou menos fundamentadas surge a pergunta, porque é que não se conhecem estudos sobre os danos causados no património que ainda podemos visitar ? A investigação e a sua posterior divulgação não são realidades nem prioridades pelo que se pode constatar.
segunda-feira, outubro 31, 2005
quinta-feira, outubro 27, 2005
segunda-feira, outubro 24, 2005
O TIRO AO LADO
O tiro ao lado que eu reitero é na identificação dos males de que padece a economia nacional que se prendem com a falta de organização e planeamento, com a estabilidade de políticas económicas e fiscais e com a dependência excessiva dos privados em relação ao Estado.
No sector privado o objectivo primordial é o lucro e a expansão do negócio, sem margem para dúvidas, mas muitos teimam em apostar mais no custo do trabalho do que na inovação na qualidade e na incorporação de valor ao produto final. Esta aposta está esgotada, mesmo assim há quem brade aos céus pelo congelamento de salários e acene com valores do PIB, irrisórios claro está, fingindo desconhecer a enormidade da economia paralela e da fraude fiscal que permite que haja grandes fortunas que alegremente se passeiam impunemente por paraísos fiscais.
A economia não tem de ser uma ciência oculta, pode muito bem ser comparada a um edifício que se quer restaurar. Começamos por arranjar o telhado (altas chefias e outras elites), depois verificam-se as estruturas eléctricas, canalizações e esgotos (racionalizar meios físicos, humanos e materiais), só depois é que se parte para os acabamentos e a decoração. Tudo será mais fácil se houver ponderação, planeamento e organização.
Construir é de baixo para cima, reestruturar é de cima para baixo. As elites são o maior grupo de interesses e o mais poderoso, basta abrir-mos os olhos.
quinta-feira, outubro 20, 2005
quarta-feira, outubro 19, 2005
sexta-feira, outubro 14, 2005
sexta-feira, outubro 07, 2005
quarta-feira, outubro 05, 2005
QUESTÕES DE ESTRATÉGIA
Na revista Actual de 1 de Outubro vem a notícia segundo a qual o MC está interessado na recuperação de Monserrate. Em princípio ninguém terá objecções, até porque se trata de um monumento classificado e integrado numa zona de Património Mundial, mas o caso complica-se com a administração do imóvel que está a cargo da sociedade anónima (e não empresa municipal) Parques de Sintra Monte da Lua. Relembro que esta sociedade explora uma vasta área da Serra de Sintra e arrecada as entradas do Parque e do Palácio da Pena, Castelo dos Mouros, Convento dos Capuchos e do Parque e Palácio de Monserrate.
É aqui que começamos a estranhar a notícia, porque a dita sociedade deve uma verba enorme ao IPPAR referente à participação do mesmo na sociedade, e outros fornecedores, havendo até quem tenha afirmado que está tecnicamente falida.
Será que a senhora ministra pretende avançar neste sentido sem reequacionar a participação do IPPAR na sociedade ? Se a notícia é verdadeira, pergunto se é justo continuar a pedir apertos de cinto no IPPAR, nomeadamente aos trabalhadores, e continuar a investir no Monte da Lua que continua a não cumprir as suas obrigações.
O MC começa a ficar enredado nas teias duma sociedade que se rege pelo direito privado e se vai sobrepondo ao interesse público, que alegremente o vai financiando. Não haverá outros monumentos geradores de receitas para os cofres do Estado que estejam em condições de beneficiar do referido mecenato ?
terça-feira, outubro 04, 2005
DETESTO INCOMPETENTES
Enquanto muitos perdem tempo na discussão da produtividade e na sua relação directa com a formação académica, o que é uma evidência, eu debato-me com a incompetência, o favorecimento, o autismo, o elitismo e o clientelismo.Não discuto a importância da formação, pelo contrários bato-me por ela, mas distingo a formação académica da formação específica num determinado sector. A habilitação académica dá-nos as ferramentas necessárias para poder-mos evoluir e encontrar respostas nas áreas que escolhemos, contudo, quando não existe a prática e actualização perde-se uma grande parte da sua utilidade.
Nos nossos dias, o sistema, ou melhor a nossa sociedade, está a “produzir” muitos indivíduos com cursos superiores que escudados por “canudos” e com algumas “cunhas” à mistura vão ocupando lugares de chefia sem terem que demonstrar qualidades para as funções.
A produtividade e a competitividade, em Portugal, ressentem-se muito mais da fraca qualidade e de visão das chefias do que da capacidade produtiva dos trabalhadores. Esta é a explicação lógica para o facto dos portugueses serem bons trabalhadores além fronteiras e de, pelo contrário, serem considerados pouco produtivos no solo pátrio. Há outras razões como o estímulo salarial e outros factores ligados com a protecção na doença, no desemprego, etc.
A pirâmide da responsabilidade, neste país, está invariavelmente invertida, responsabilizando-se sempre “o mais pequenino” pelos insucessos e glorificando-se as chefias pelo sucesso.
Isto é verdade no Estado, mas também se verifica em muitas empresas, para mal de todos nós.
Canudos não significam forçosamente competência, nem o seu contrário, o trabalho é que qualifica as pessoas, mesmo as menos ilustradas.













