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sexta-feira, dezembro 18, 2015

AS DESIGUALDADES



Portugal é um dos países europeus onde as desigualdades são mais gritantes, o que em nada nos beneficia em questões de competitividade, ao contrário do que alguns nos querem fazer crer.

Nesta altura é quase considerado louco quem fale de aumentos salariais, ou de pensões, porque nos dizem que a economia não aguenta, que medidas dessas causariam mais desemprego, etc.


Uma das coisas que me levam a discordar dos diversos executivos, mesmo dos de esquerda, tem sido o modo utilizado para proceder a aumentos, mesmo daqueles que realmente não o são, limitando-se a tentar compensar o que se perde com a inflação.


Sempre fui contra os aumentos percentuais, devido às enormes desigualdades já existentes, pois resultam sempre em mais desigualdade, porque recebe mais quem já recebia mais, como é evidente.


A inflação não atinge mais quem mais ganha, mas cria mais problemas a quem menos ganha, creio que é claro para todos. Quando a intenção é compensar o que se perde com a austeridade, faz todo o sentido que o montante a atribuir deve ser igual para todos, independentemente do que possam auferir, e só quando se pretende recompensar o desempenho é que faz sentido haver aumentos diferenciados, e aí é que se pode admitir as percentagens.


Idade by Palaciano

domingo, novembro 01, 2015

QUANDO O BASTA É IMPERATIVO

A pressão exercida sobre quem trabalha, quer nos objectivos a atingir, quer no número de horas em disponibilidade absoluta, é cada vez maior, e sempre com cada vez menos recursos, é uma constante dos nossos dias, em todos os sectores de actividade.

O lucro, sempre o lucro, é o objectivo único, sempre presente em todos os serviços e actividades, como se fosse possível aumentar os proventos indefinidamente.

Há limite para tudo, seja para o esforço individual, seja para a produtividade, e ignorar esses limites leva a um retrocesso e consequente perda de produtividade, porque mesmo para a mente há limites, como para a resistência de todos os materiais.

Há muitos factores que são frequentemente esquecidos por quem gere recursos humanos, como a saúde, a realização pessoal, e ausência de preocupações com a satisfação das necessidades básicas, que impedem que se produza mais.


Em português muito simples, há quem cegue com o objectivo de obter mais produtividade, esquecendo-se de que há que saber dar para receber. O equilíbrio é difícil, mas é aí que está a ciência da produtividade! 


terça-feira, setembro 08, 2015

JUSTIÇA E TRABALHO



Foi recentemente criado um sistema de protecção das trabalhadoras grávidas que impede que as empresas que despedem (ilegalmente) por esse motivo, e que são condenadas, deixam de poder beneficiar de subsídios ou subvenções públicas.

A medida peca por tardia e por não existirem meios adequados que protejam quem trabalha, como inspecções mais frequentes, e maior cruzamento de dados que, com legislação adequada, acabassem também com a utilização de falsos recibos verdes e o uso sistemático de contratações a prazo de desempregados, para obtenção de isenções fiscais, sem nunca serem preenchidas as vagas que são necessárias ao funcionamento normal das empresas.

Claro que o Estado e as empresas de capitais públicos também não são bons exemplos nesta matéria, porque também por lá existem os falsos recibos verdes, desempregados a desempenhar funções permanentes recebendo apenas subsídios de transporte e de alimentação, e estagiários assegurando o serviço por não se poderem abrir concursos.

Há muitos sítios onde encontrar trafulhices que prejudicam quem trabalha, lesam o fisco e sobretudo envergonham uma sociedade onde a Justiça devia prevalecer relativamente aos interesses particulares.   



sexta-feira, junho 05, 2015

FORTE COM OS FRACOS



Uma das coisas que mais me faz estar desiludido com o que se passa neste país é fosso que existe entre ricos e pobres, não só no que diz respeito ao poder de compra, como nas oportunidades duns e falta delas para outros, ou a diferença nos resultados da Justiça entre ricos e pobres.

Em Portugal os cidadãos são tratados de maneira diferente consoante a sua condição social, ou peso da carteira, preferem ser mais directos.

Há relativamente pouco tempo tive conhecimento do que aconteceu a um cidadão que cometeu a falta de subtrair umas centenas de euros do seu local de trabalho, cerca de metade do salário que auferia, e que foi liminarmente despedido e responsabilizado criminalmente, o que lhe valeu uma condenação co pena suspensa, uma multa de milhares de euros além da indemnização do patrão com juros de mora pelos 4 anos que durou o processo. É evidente que a sua má conduta é reprovável, que a restituição do dinheiro era uma obrigação e que devia ser punido, talvez dum modo menos pesado, mas é evidente que estamos a falar dum indivíduo pobre, que nem dinheiro teve para pagar a um bom e experiente advogado.

Por contraponto ao pobre “ladrão”, como a acusação não hesitou em referir, temos banqueiros e altos quadros de vários bancos que faliram e enganaram os depositantes, prometendo o que não cumpriram, e apresentaram as coisas dum modo que não correspondia à realidade, que são sistematicamente ilibados pela justiça, pois podem recorrer a bons escritórios de advogados que encontram sempre maneira de os safar de encrencas, ficando a rir-se à conta dos que ficaram sem o que era seu por neles confiarem.

O Estado, dito de direito, é forte na condenação dos pobres e fraco na acusação dos ricos…



sábado, novembro 22, 2014

O GRAU ZERO DO REGIME



Para que conste, porque há quem se esqueça com facilidade, eu nunca morri de amores por José Sócrates, que foi um mau governante, que critiquei muito enquanto esteve no poder.

A detenção de Sócrates é, na minha opinião, a machadada final no regime vigente onde pontuam à vez dois partidos: o PS e o PSD.

O regime estava há muito moribundo, e os políticos que têm partilhado o poder têm uma imagem péssima na opinião pública, com a credibilidade de rastos.

O timing desta detenção é mais do que suspeito, e não são poucos os que pensam que há aqui mão da política, o que em nada abona a favor da Justiça. Outra dúvida sobre a “solidez dos factos” prende-se com os inúmeros processos em que são arguidos políticos e outros poderosos, que dão imensas notícias nos jornais, devido aos indícios de eventuais crimes, e que acabam por dar em nada.

Para o país quer Sócrates seja pronunciado culpado, ou inocente, a imagem que passa para os cidadãos e para o estrangeiro, será sempre muito negativa. O regime está podre!



terça-feira, novembro 18, 2014

QUE DIFERENÇA



A maior fraude financeira de Wall Street foi revelada em 2008, e o seu autor, Bernard Madoff, foi condenado em 2009 condenado, por mais de uma dezena de crimes, entre os quais fraude, lavagem de dinheiro e perjúrio, a mais de 150 anos de prisão.

Por cá tivemos o caso BPN que, na nossa dimensão, poderá ser considerado tão grave como o de Madoff, e ainda não há condenações finais, apesar de se tratar dum caso igualmente de 2008, e não se recuperou dinheiro nenhum, ao contrário do que aconteceu lá pelos States

Já está aí o caso BES, e igualmente vemos muitas suspeitas, muitas perdas, mas já quase todos esperam que seja apenas muito barulho, para nada.

Não sou um admirador da política seguida nos EUA nem tão pouco da sua Justiça, contudo, no que concerne a escândalos desta natureza, eles reagem bem mais depressa e as condenações também surgem com maior celeridade.