quinta-feira, julho 13, 2017

MUSEUS, VISITANTES E COMPORTAMENTOS



Há pouco mais de uma semana fui surpreendido pela opinião de um amigo, que dizia que os turistas nos museus se comportavam cordatamente e que a presença de vigilantes era quase desnecessária, podendo ser substituída por câmaras e algum cuidado na exposição das peças.

Fiquei atordoado, até porque ele é um frequentador de museus e monumentos, e resolvi indagar opiniões junto de outros amigos que também são viajados e conhecem bastantes monumentos.

Depois de ouvir as suas opiniões, concordantes quanto ao comportamento dos turistas, resolvi questionar estes amigos com a sua percepção sobre comportamentos de risco.

A abordagem foi feita a meu jeito, e as perguntas feitas foram por eles consideradas estranhas:

- Se as mochilas deviam ser proibidas de entrar, mesmo as de pequena dimensão.
- Se os carrinhos de bebé e as malas trolley deviam ficar cá fora.
- Se os selfie sticks deviam ser proibidos.
- Qual o procedimento aceitável a ter com visitantes que tocam em pinturas, objectos, ou
ultrapassam barreiras delimitadoras.

Foi curioso ver as suas respostas, porque acharam (todos) que as mochilas, os carrinhos de bebé, as malas e os selfie sticks eram inofensivos, e que as pessoas pura e simplesmente não mexem nos objectos expostos nem desrespeitam as barreiras existentes, e que os comportamentos desviantes devem ser tão raros que as probabilidades de acontecerem são praticamente nulas. Quanto às transgressões, quase inexistentes, basta uma repreensão (afinal sempre faz falta o vigilante).

Fiquei ciente que quem aprecia museus o faz verdadeiramente, e aproveita as suas visitas para desfrutar do que lhe é oferecido, sem se deter sobre o que se passa ao seu lado, o que compreendo perfeitamente. O mesmo fazem uns quantos senhores com responsabilidades nestes equipamentos culturais, que não cuidam de expor as peças de modo a estarem o mais protegidas que seja possível, dos comportamentos descuidados ou inconscientes.

Infelizmente a realidade é outra, os comportamentos irregulares são muitos, a exposição das peças é muitas vezes descuidada e torna-se um convite para a asneira, e é impossível ter um vigilante atrás de cada visitante. Os visitantes são como os transeuntes de uma qualquer cidade, e têm em geral bons comportamentos, mas as excepções existem, e todos gostavam de ter um polícia por perto quando os maus comportamentos acontecem…


2 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Uma grande verdade.
Às vezes, são os próprios funcionários dos museus que possibilitam certas coisas. No início do ano fui ao Museu do Chiado, ver a exposição do Amadeo Souza Cardoso. Chovia bastante pelo que levei chapéu de chuva. O funcionário à entrada informou que tinha de deixar o chapéu de chuva na recepção da entrada. Dirigi-me lá para deixar o chapéu, e a empregada diz-me para o levar.
"Mas o seu colega, disse que era proibido, tinha que ficar aqui."
"Meta-o dentro do casaco para não se ver. Aqui não pode ficar, porque vocês vão sair por outra porta."
E pronto, lá fui eu e os demais colegas com os chapéus meio escondidos dentro dos casacos.
Um abraço e bom fim de semana

Anónimo disse...

Falta de funcionários para manter um bengaleiro, o que é comum a muitos outros museus e monumentos.
Joca