sexta-feira, julho 21, 2017

AINDA O GALPGATE



Hoje li pela manhã um artigo de opinião, no DN, assinado por Vítor Bento, que me indignou por tentar confundir as coisas usando comparações perfeitamente desajustadas da realidade, para sugerir que a solução mais justa para os secretários de Estado que aceitaram viajar à conta da GALP, era o arquivamento do processo.

Afirma VB que, há 10 anos, o surpreendera a generalizada indiferença perante a extrema facilidade com que, entre nós (portugueses), governantes e funcionários do Estado aceitavam prendas e convites de fornecedores ou beneficiários de decisões do Estado.

O autor do artigo finge desconhecer a legislação produzida nos últimos anos abrangendo precisamente essas práticas, e cometeu a injustiça de generalizar, o que não é ético pois pretendeu com isso desculpabilizar comportamentos que cabe ao Ministério Público julgar e punir, de acordo com a lei.

Vítor Bento devia saber que, foi feita pelos políticos legislação que pune os funcionários públicos que recebam vantagens indevidas pelo exercício das suas funções, e que se esqueceram na altura de que os governantes deviam ser os primeiros a dar o exemplo, e tiveram depois de emendar a mão, mas mesmo assim acabaram por ficar com um estatuto diferente, vá lá saber-se porquê. Mesmo assim os senhores secretários de Estado lá meteram a pata na poça.

Outro esquecimento do senhor VB, foi o de mencionar quais seriam os funcionários públicos a quem eram oferecidas viagens e estadias no estrangeiro, ou “outras formas de considerável valor económico”, porque não creio que o senhor Eustácio, calceteiro, a dona Maria J., administrativa num ministério, o Hugo, electricista, ou o Adalberto , das Finanças, alguma vez tenham sido aliciados com vantagens desse tipo. Bem sei que eu não circulo nos mesmos meios que o senhor Vítor Bento, e por isso gostava que ele fosse mais específico, porque seria interessante… 



1 comentário:

Anónimo disse...

Entre os seus pares as coisas passam se assim, porque os Zes eram logo alvos de processos e iam para a rua num ápice