quinta-feira, abril 06, 2017

CONVERSAS DA CULTURA

É raro mas, por vezes, tenho a oportunidade de conversar abertamente com altos responsáveis da Cultura ( abaixo dos representantes do ministério), e é interessante constatar que andam mal informados e que estão “amarrados” pelo politicamente correcto, ou seja, preferem não levantar ondas ou pressionar os superiores, defendendo os subordinados.

Quando questionados sobre a problemática da falta de pessoal de vigilância, e sobre a dificuldade em fixar funcionários nessas funções, só conseguem dizer que não têm verbas para abrir mais concursos dos que os impostos pelo Tribunal de Contas em 2015.

A facilidade e ligeireza com que dizem que não existem verbas disponíveis para valorizar as funções de vigilância, que têm horários (impostos) diferenciados, ao contrário dos colegas do mesmo grupo profissional (assistentes técnicos), é simplesmente indecente.

Não admira que das recentes admissões para estas funções, boa parte já as tenham abandonado para “saltarem” para outros ministérios com horários menos penalizadores, e com probabilidades futuras de progressão, que nos museus não existem.

Os senhores políticos, e aqui também os dos partidos que suportam o governo, vêm recomendar mais gratuitidades nos museus, palácios e monumentos, mesmo sabendo que se não fossem as receitas geradas, nem dinheiro haveria para o normal funcionamento dos serviços.


Defender os trabalhadores sem cuidarem das receitas e das dotações orçamentais é pura hipocrisia. Não investir em pessoal, em formação, e em conservação, não conduz a melhores serviços e a um aumento de receitas, disso podem estar cientes. A Cultura não pode estar entregue a quem se acomoda e não a defende.


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