domingo, abril 23, 2017

CULTURA - PONTOS DE VISTA

O saber é por muitos considerado como uma vantagem (poder), que não deve ser partilhado com outros, a não ser que disso dependa o próprio futuro muito ambicionado.

Não partilho da ideia da não partilha do conhecimento, e acho mesmo que a não partilha do conhecimento só se compreende como sendo uma forma de egoísmo e de oportunismo, que não enobrece ninguém.

Vem isto a propósito da afirmação de um responsável por um monumento que dizia publicamente que era, neste momento, a pessoa que melhor o conhecia, e que em abono da verdade ainda não escreveu qualquer livro sobre o assunto, ou sequer partilhou esse conhecimento com os seus subordinados, como seria o seu dever.


A única coisa que todos temos como certa, é a morte, e de que servirá todo o conhecimento que adquirimos, muitas vezes por estarmos numa posição privilegiada, se ela for connosco para a cova?   


sexta-feira, abril 21, 2017

A CONCILIAÇÃO DA VIDA FAMILIAR E LABORAL

O ministro Eduardo Cabrita diz que o governo vai penalizar empresas com práticas discriminatórias, o que merece o aplauso de quase todos, e fala em disparidades salariais, da segregação em certas profissões, da paridade nos cargos dirigentes e na conciliação da vida pessoal, profissional e familiar, como exemplos das preocupações do executivo.

É difícil criticar as preocupações do senhor ministro, mas parece-me que dentro do próprio Estado existem mecanismos de discriminação, e só vou falar da conciliação da vida familiar, pessoal e laboral e num sector muito específico, os museus.

Existem trabalhadores com a categoria de assistente técnico, que garantem a abertura dos museus, palácios e monumentos, que são claramente discriminados relativamente a outros colegas com a mesma categoria (e em muitos casos admitidos para essas funções), que trabalham apenas de segunda a sexta, com a garantia de não trabalhar aos feriados, e que até beneficiam de tolerâncias de ponto e fazem pontes sem qualquer dificuldade. Os salário de uns e outros é rigorosamente o mesmo.

Não sei como é que este caso absolutamente real e da esfera do Estado, ainda não foi considerado discriminatório. Claro que conheço, e tenho à minha frente, um Despacho de 2015 que “legaliza” esta verdadeira aberração, mas não é por isso que deixa de ser um mecanismo sofisticado de discriminação, usando uma classificação do próprio ministro Eduardo Cabrita.


Não vi discutir a necessidade de ter os museus, palácios e monumentos abertos aos fins-se-semana e alguns feriados, porque não se perceberia num país dependente das verbas do turismo, mas é evidente que para horários excepcionados terá que existir uma compensação dessa mesma excepcionalidade, porque o sistema actual configura uma clara discriminação negativa.  


quarta-feira, abril 19, 2017

COMPLEXOS ESCLAVAGISTAS

Nestes últimos dias fomos todos "bombardeados" por escritos de portugueses que deram em bater em Marcelo R. de Sousa por não ter pedido desculpas por ter havido um português no século XVI (Infante D. Henrique), que obteve a permissão do Papa para comerciar escravos oriundos da África a sul do Sara.

Primeiro foi uma jornalista, depois um português residente (creio eu) nos EUA, "a malhar" no pobre MRS por ter um discurso do século XIX, que pretenderia "branquear" o "triste passado" português.

Nem vou discutir as posições que os ditos, ou qualquer outra pessoa, possam defender, porque prezo imenso a liberdade de pensamento e de expressão, mas também eu tenho a liberdade de expressar o que penso, depois de ler o que escreveram.

Não me consta que qualquer dos dois críticos tenha idade suficiente para comentar o chamado "passado colonial", nem me consta que eles tenham vivido na África de que falam, nem no restante continente.

Os conhecimentos históricos também me pareceram muito pobres, para não dizer indigentes, para sustentarem as opiniões que expressaram.

A História faz-se com o devido distanciamento e não se fazem julgamentos morais utilizando os conceitos actuais, mas creio que eles apenas se esqueceram de algumas das regras básicas para iniciarem um diálogo que seja profícuo.

Por fim convido todos a pensar um pouco no que pensarão os nossos descendentes do modo como vivemos hoje...

Nota: O realce de parte do texto é da minha autoria.


terça-feira, abril 18, 2017

O MEU MONUMENTO PREFERIDO

Porque hoje se comemora o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios aqui fica expresso qual é o meu monumento preferido.


domingo, abril 16, 2017

A GREVE NOS MUSEUS

A greve dos vigilantes dos museus, palácios e monumentos dependentes do Ministério da Cultura decorreu nos dias 14 e 15 deste mês com uma adesão bastante elevada, fechando muitos serviços e os que abriram ao público fizeram-no sem as mínimas condições de segurança, com a complacência de directores que não cumpriram a sua função de defender o Património à sua guarda, e os funcionários que chefiam.

O ministro da Cultura e a directora da DGPC não conseguiram resolver o problema dos precários, apesar dos alertas dos sindicatos, e acabaram por fugir a respostas concretas perante a comunicação social, seguindo apenas a cartilha dos gabinetes de comunicação para iludir o público em geral.

Os vigilantes dos museus continuam a ser insuficientes, continuam a existir muitos precários e desempregados a fazer estas funções, os horários destes trabalhadores são diferenciados, mas a carreira é considerada comum, o que não faz qualquer sentido.

O problema não foi resolvido, apenas adiado, bem como a resposta dos trabalhadores, que têm o Verão pela frente para usarem a seu favor a escassez de pessoal e o aumento do turismo.


quarta-feira, abril 12, 2017

FOTOS EM PASSEIO

A beleza é um bem frágil.

Ovídio
O mar e as rochas

As rochas e o mar

Azenhas do Mar

sábado, abril 08, 2017

O ELEFANTE HANNO

Como se sabe o rei D. Manuel I enviou um elefante branco ao Papa Leão X, e a sua entrega foi feita por Tristão da Cunha que encabeçava um cortejo de 140 pessoas, algumas dos territórios por onde andava então Afonso de Albuquerque, e outros animais (leopardos e uma pantera).

A entrada em Roma foi triunfal, e o elefante foi baptizado pelo Papa de Hanno, julga-se que por associação aos elefantes de Aníbal. Diz-se que o elefante terá feito vénias e divertiu os cardeais que terão tido direito a uns borrifos soprados pela tromba do paquiderme.

Segundo a tradição foi construído um edifício para albergar Hanno, que participou em procissões e fazia as delícias do Papa. Cerca de dois anos depois acabou por morrer devido a uma dieta deficiente e às tentativas desastradas de o curar.


O elefante Hanno teve direito a um enterro com cerimónia fúnebre. 


quinta-feira, abril 06, 2017

CONVERSAS DA CULTURA

É raro mas, por vezes, tenho a oportunidade de conversar abertamente com altos responsáveis da Cultura ( abaixo dos representantes do ministério), e é interessante constatar que andam mal informados e que estão “amarrados” pelo politicamente correcto, ou seja, preferem não levantar ondas ou pressionar os superiores, defendendo os subordinados.

Quando questionados sobre a problemática da falta de pessoal de vigilância, e sobre a dificuldade em fixar funcionários nessas funções, só conseguem dizer que não têm verbas para abrir mais concursos dos que os impostos pelo Tribunal de Contas em 2015.

A facilidade e ligeireza com que dizem que não existem verbas disponíveis para valorizar as funções de vigilância, que têm horários (impostos) diferenciados, ao contrário dos colegas do mesmo grupo profissional (assistentes técnicos), é simplesmente indecente.

Não admira que das recentes admissões para estas funções, boa parte já as tenham abandonado para “saltarem” para outros ministérios com horários menos penalizadores, e com probabilidades futuras de progressão, que nos museus não existem.

Os senhores políticos, e aqui também os dos partidos que suportam o governo, vêm recomendar mais gratuitidades nos museus, palácios e monumentos, mesmo sabendo que se não fossem as receitas geradas, nem dinheiro haveria para o normal funcionamento dos serviços.


Defender os trabalhadores sem cuidarem das receitas e das dotações orçamentais é pura hipocrisia. Não investir em pessoal, em formação, e em conservação, não conduz a melhores serviços e a um aumento de receitas, disso podem estar cientes. A Cultura não pode estar entregue a quem se acomoda e não a defende.


terça-feira, abril 04, 2017

OS GRUNHOS

Na política vemos quase sempre uns senhores, e senhoras, bem vestidos, aprumadinhos, cheios de salamaleques quando discursam para os eleitores, e orgulhosos dos seus títulos, académicos e políticos.

O estilo e os pergaminhos nem sempre prevalecem e, bastas vezes, vem à tona a verdadeira índole de trastes que se aproveitam dos lugares que ocupam para servir interesses que não são os dos cidadãos que neles confiaram, directa ou indirectamente.

Não existem grandes diferenças entre o senhor Dijsselbloem e o Marco Gonçalves, jogador do Canelas, à parte o estilo e o aspecto, ambos se comportaram como grunhos, que são, e curiosamente foi o mais modesto que ainda tentou balbuciar um pedido de desculpas, coisa que o outro nem sequer foi capaz de vocalizar.


Uma vez grunho, grunho para sempre!


domingo, abril 02, 2017

VISITA A MUSEU

No primeiro domingo de cada mês as entradas são grátis nos museus em geral, e verificam-se sempre as maiores enchentes, como é natural.
Como sei que muitos dos meus amigos são favoráveis às entradas grátis, deixo-vos uma situação que hoje aconteceu num museu, também ele com entradas grátis.

Um jovem dos seus vinte e tantos anos, acompanhado por duas outras pessoas, estava numa sala a tirar uma uma selfie utilizando para tal um selfie stick, quando se aproximou um funcionário que o interpelou:

- O senhor desculpe-me mas pode tirar as fotos que quiser, mas sem utilizar o selfie stick.

O jovem muito indignado e sem conseguir disfarçar o seu desagrado, retorquiu:

- Como é que quer que eu tire uma selfie aceitável sem ficar a ver-se o meu braço?

O funcionário tentou disfarçar o riso e encolhendo os ombros afastou-se balbuciando um singelo obrigado.