quinta-feira, abril 27, 2017

MUSEUS - COM RESPEITO AO RESPEITO

Não vou entrar na discussão em torno da tolerância de ponto dada pelo governo no próximo dia 12 de Maio, discutindo se é absurda ou se é um sinal de imaturidade do regime, mas vou apenas rebater a argumentação de António Costa, o 1º ministro.

Segundo a TSF António Costa ter-se-á defendido das críticas de diversos deputados dizendo que “é natural que muitos portugueses desejem participar na visita do Papa” e que esta é uma decisão natural e optar pelo contrário seria estranho, uma falta de respeito e também uma decisão insensível.

Os argumentos do senhor 1º ministro podem ser considerados por muitos “insensíveis” e até “uma falta de respeito” por muitos funcionários públicos, que carregando o ónus da animosidade dos trabalhadores do sector privado, não poderão participar na visita do Papa, porque o senhor António Costa nem se lembrou que eles existem, ou nem se importou em discriminá-los, uma vez mais.

Como saberão muitos de vós, os funcionários dos museus, palácios e monumentos que trabalham em contacto com o público, na vigilância, lojas e bilheteiras, e apenas estes (nos ditos serviços), não terão a tal tolerância de ponto (como não têm as outras), e não poderão seguir a visita no dia 13 de Maio, simplesmente porque estarão a trabalhar, ao contrário de todos os outros colegas com a mesma categoria e igual remuneração, que são respeitados pelo governo.


Quando anteriormente disse que estes funcionários eram alvo de discriminação negativa, alguns torceram o nariz, mas talvez agora entendam um pouco as razões por que houve a greve na Páscoa.


terça-feira, abril 25, 2017

FESTEJOS DO 25 DE ABRIL

Os festejos dos 43 anos da revolução dos cravos decorreram também em Lisboa, e foi uma festa onde se juntaram novos e velhos, portugueses e estrangeiros, todos festejando a Liberdade.


Uma nota interessante que não passou despercebida a quem por lá passou, ou viu pela televisão, foi verem-se representados os partidos mais à esquerda e os sindicatos também conotados com a esquerda, mas os partidos do centrão, que marcaram presença nas comemorações oficiais no Parlamento, não marcaram presença no desfile da avenida.

Retirado do Facebook

25 DE ABRIL


domingo, abril 23, 2017

CULTURA - PONTOS DE VISTA

O saber é por muitos considerado como uma vantagem (poder), que não deve ser partilhado com outros, a não ser que disso dependa o próprio futuro muito ambicionado.

Não partilho da ideia da não partilha do conhecimento, e acho mesmo que a não partilha do conhecimento só se compreende como sendo uma forma de egoísmo e de oportunismo, que não enobrece ninguém.

Vem isto a propósito da afirmação de um responsável por um monumento que dizia publicamente que era, neste momento, a pessoa que melhor o conhecia, e que em abono da verdade ainda não escreveu qualquer livro sobre o assunto, ou sequer partilhou esse conhecimento com os seus subordinados, como seria o seu dever.


A única coisa que todos temos como certa, é a morte, e de que servirá todo o conhecimento que adquirimos, muitas vezes por estarmos numa posição privilegiada, se ela for connosco para a cova?   


sexta-feira, abril 21, 2017

A CONCILIAÇÃO DA VIDA FAMILIAR E LABORAL

O ministro Eduardo Cabrita diz que o governo vai penalizar empresas com práticas discriminatórias, o que merece o aplauso de quase todos, e fala em disparidades salariais, da segregação em certas profissões, da paridade nos cargos dirigentes e na conciliação da vida pessoal, profissional e familiar, como exemplos das preocupações do executivo.

É difícil criticar as preocupações do senhor ministro, mas parece-me que dentro do próprio Estado existem mecanismos de discriminação, e só vou falar da conciliação da vida familiar, pessoal e laboral e num sector muito específico, os museus.

Existem trabalhadores com a categoria de assistente técnico, que garantem a abertura dos museus, palácios e monumentos, que são claramente discriminados relativamente a outros colegas com a mesma categoria (e em muitos casos admitidos para essas funções), que trabalham apenas de segunda a sexta, com a garantia de não trabalhar aos feriados, e que até beneficiam de tolerâncias de ponto e fazem pontes sem qualquer dificuldade. Os salário de uns e outros é rigorosamente o mesmo.

Não sei como é que este caso absolutamente real e da esfera do Estado, ainda não foi considerado discriminatório. Claro que conheço, e tenho à minha frente, um Despacho de 2015 que “legaliza” esta verdadeira aberração, mas não é por isso que deixa de ser um mecanismo sofisticado de discriminação, usando uma classificação do próprio ministro Eduardo Cabrita.


Não vi discutir a necessidade de ter os museus, palácios e monumentos abertos aos fins-se-semana e alguns feriados, porque não se perceberia num país dependente das verbas do turismo, mas é evidente que para horários excepcionados terá que existir uma compensação dessa mesma excepcionalidade, porque o sistema actual configura uma clara discriminação negativa.  


quarta-feira, abril 19, 2017

COMPLEXOS ESCLAVAGISTAS

Nestes últimos dias fomos todos "bombardeados" por escritos de portugueses que deram em bater em Marcelo R. de Sousa por não ter pedido desculpas por ter havido um português no século XVI (Infante D. Henrique), que obteve a permissão do Papa para comerciar escravos oriundos da África a sul do Sara.

Primeiro foi uma jornalista, depois um português residente (creio eu) nos EUA, "a malhar" no pobre MRS por ter um discurso do século XIX, que pretenderia "branquear" o "triste passado" português.

Nem vou discutir as posições que os ditos, ou qualquer outra pessoa, possam defender, porque prezo imenso a liberdade de pensamento e de expressão, mas também eu tenho a liberdade de expressar o que penso, depois de ler o que escreveram.

Não me consta que qualquer dos dois críticos tenha idade suficiente para comentar o chamado "passado colonial", nem me consta que eles tenham vivido na África de que falam, nem no restante continente.

Os conhecimentos históricos também me pareceram muito pobres, para não dizer indigentes, para sustentarem as opiniões que expressaram.

A História faz-se com o devido distanciamento e não se fazem julgamentos morais utilizando os conceitos actuais, mas creio que eles apenas se esqueceram de algumas das regras básicas para iniciarem um diálogo que seja profícuo.

Por fim convido todos a pensar um pouco no que pensarão os nossos descendentes do modo como vivemos hoje...

Nota: O realce de parte do texto é da minha autoria.


terça-feira, abril 18, 2017

O MEU MONUMENTO PREFERIDO

Porque hoje se comemora o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios aqui fica expresso qual é o meu monumento preferido.


domingo, abril 16, 2017

A GREVE NOS MUSEUS

A greve dos vigilantes dos museus, palácios e monumentos dependentes do Ministério da Cultura decorreu nos dias 14 e 15 deste mês com uma adesão bastante elevada, fechando muitos serviços e os que abriram ao público fizeram-no sem as mínimas condições de segurança, com a complacência de directores que não cumpriram a sua função de defender o Património à sua guarda, e os funcionários que chefiam.

O ministro da Cultura e a directora da DGPC não conseguiram resolver o problema dos precários, apesar dos alertas dos sindicatos, e acabaram por fugir a respostas concretas perante a comunicação social, seguindo apenas a cartilha dos gabinetes de comunicação para iludir o público em geral.

Os vigilantes dos museus continuam a ser insuficientes, continuam a existir muitos precários e desempregados a fazer estas funções, os horários destes trabalhadores são diferenciados, mas a carreira é considerada comum, o que não faz qualquer sentido.

O problema não foi resolvido, apenas adiado, bem como a resposta dos trabalhadores, que têm o Verão pela frente para usarem a seu favor a escassez de pessoal e o aumento do turismo.


quarta-feira, abril 12, 2017

FOTOS EM PASSEIO

A beleza é um bem frágil.

Ovídio
O mar e as rochas

As rochas e o mar

Azenhas do Mar

sábado, abril 08, 2017

O ELEFANTE HANNO

Como se sabe o rei D. Manuel I enviou um elefante branco ao Papa Leão X, e a sua entrega foi feita por Tristão da Cunha que encabeçava um cortejo de 140 pessoas, algumas dos territórios por onde andava então Afonso de Albuquerque, e outros animais (leopardos e uma pantera).

A entrada em Roma foi triunfal, e o elefante foi baptizado pelo Papa de Hanno, julga-se que por associação aos elefantes de Aníbal. Diz-se que o elefante terá feito vénias e divertiu os cardeais que terão tido direito a uns borrifos soprados pela tromba do paquiderme.

Segundo a tradição foi construído um edifício para albergar Hanno, que participou em procissões e fazia as delícias do Papa. Cerca de dois anos depois acabou por morrer devido a uma dieta deficiente e às tentativas desastradas de o curar.


O elefante Hanno teve direito a um enterro com cerimónia fúnebre. 


quinta-feira, abril 06, 2017

CONVERSAS DA CULTURA

É raro mas, por vezes, tenho a oportunidade de conversar abertamente com altos responsáveis da Cultura ( abaixo dos representantes do ministério), e é interessante constatar que andam mal informados e que estão “amarrados” pelo politicamente correcto, ou seja, preferem não levantar ondas ou pressionar os superiores, defendendo os subordinados.

Quando questionados sobre a problemática da falta de pessoal de vigilância, e sobre a dificuldade em fixar funcionários nessas funções, só conseguem dizer que não têm verbas para abrir mais concursos dos que os impostos pelo Tribunal de Contas em 2015.

A facilidade e ligeireza com que dizem que não existem verbas disponíveis para valorizar as funções de vigilância, que têm horários (impostos) diferenciados, ao contrário dos colegas do mesmo grupo profissional (assistentes técnicos), é simplesmente indecente.

Não admira que das recentes admissões para estas funções, boa parte já as tenham abandonado para “saltarem” para outros ministérios com horários menos penalizadores, e com probabilidades futuras de progressão, que nos museus não existem.

Os senhores políticos, e aqui também os dos partidos que suportam o governo, vêm recomendar mais gratuitidades nos museus, palácios e monumentos, mesmo sabendo que se não fossem as receitas geradas, nem dinheiro haveria para o normal funcionamento dos serviços.


Defender os trabalhadores sem cuidarem das receitas e das dotações orçamentais é pura hipocrisia. Não investir em pessoal, em formação, e em conservação, não conduz a melhores serviços e a um aumento de receitas, disso podem estar cientes. A Cultura não pode estar entregue a quem se acomoda e não a defende.


terça-feira, abril 04, 2017

OS GRUNHOS

Na política vemos quase sempre uns senhores, e senhoras, bem vestidos, aprumadinhos, cheios de salamaleques quando discursam para os eleitores, e orgulhosos dos seus títulos, académicos e políticos.

O estilo e os pergaminhos nem sempre prevalecem e, bastas vezes, vem à tona a verdadeira índole de trastes que se aproveitam dos lugares que ocupam para servir interesses que não são os dos cidadãos que neles confiaram, directa ou indirectamente.

Não existem grandes diferenças entre o senhor Dijsselbloem e o Marco Gonçalves, jogador do Canelas, à parte o estilo e o aspecto, ambos se comportaram como grunhos, que são, e curiosamente foi o mais modesto que ainda tentou balbuciar um pedido de desculpas, coisa que o outro nem sequer foi capaz de vocalizar.


Uma vez grunho, grunho para sempre!


domingo, abril 02, 2017

VISITA A MUSEU

No primeiro domingo de cada mês as entradas são grátis nos museus em geral, e verificam-se sempre as maiores enchentes, como é natural.
Como sei que muitos dos meus amigos são favoráveis às entradas grátis, deixo-vos uma situação que hoje aconteceu num museu, também ele com entradas grátis.

Um jovem dos seus vinte e tantos anos, acompanhado por duas outras pessoas, estava numa sala a tirar uma uma selfie utilizando para tal um selfie stick, quando se aproximou um funcionário que o interpelou:

- O senhor desculpe-me mas pode tirar as fotos que quiser, mas sem utilizar o selfie stick.

O jovem muito indignado e sem conseguir disfarçar o seu desagrado, retorquiu:

- Como é que quer que eu tire uma selfie aceitável sem ficar a ver-se o meu braço?

O funcionário tentou disfarçar o riso e encolhendo os ombros afastou-se balbuciando um singelo obrigado.


sexta-feira, março 31, 2017

A BANCA E A CULTURA

No dia em que se fala da venda do Novo Banco, e em que se ouve da boca de António Costa que “não há novos encargos para os contribuintes”, importa reflectir um pouco no que se passa em Portugal, com os bancos (não só este) e a Cultura.

Os portugueses já ouviram garantias semelhantes no caso de outros bancos, e todos sabemos que depois as coisas não foram bem assim, e lá fomos chamados a pagar os prejuízos dos bancos, pois o Estado somos nós. No caso do Novo Banco é preciso não esquecer o que já lá foi injectado em dinheiros públicos, em mais do que uma ocasião, e que na melhor das hipóteses só começará a ser pago daqui a umas décadas.

Enquanto a Cultura, em Portugal, só “merece” uma fatia do Orçamento de Estado que não ultrapassa os 0,3% do PIB, os bancos, que na sua maioria eram privados deram durante muitos anos grandes lucros aos seus accionistas, e pagaram muitos milhões aos seus gestores, levaram nestes últimos anos uma fatia muito maior do nosso PIB, obrigando o país a endividar-se lá fora, aumentando assim a nossa dívida pública.

Os tais bancos que o Estado ajudou, e nos está a custar muito, estão nas mãos de estrangeiros, a Cultura continua a não ter verbas para manter os nossos monumentos, a não ter dinheiro para realizar grandes exposições, e a não conseguir preencher os quadros dos museus e monumentos por constrangimentos económicos.


Será que alguém acha mais bem empregue o dinheiro “enterrado” em bancos que hoje são estrangeiros, do que o dinheiro empregue na recuperação do Património e na sua valorização?


quarta-feira, março 29, 2017

segunda-feira, março 27, 2017

PORMENORES

O que mais me chama a atenção nos monumentos, depois da sua história, são sem dúvida os detalhes, e é por isso que aqui vos deixo dois detalhes de dois diferentes monumentos. Divirtam-se a identificar os ditos monumentos...

Lanterna

Janela

sábado, março 25, 2017

BIBLIOTECAS

As conversas são como as cerejas, e ao falar de bibliotecas antigas e monumentais eis que surgem uns quantos nomes, e outras tantas descrições, bem como as inevitáveis comparações, que esbarram sempre com os gostos de cada um, e a autenticidade do que hoje se vê e o que elas eram quando foram criadas. São todas belas, mas umas são nossas...

Biblioteca de Mafra

Biblioteca Joanina (Coimbra)

Biblioteca de Codrington (Oxford) 

Esta é a biblioteca do Trinity College Dublin (Irlanda)

quinta-feira, março 23, 2017

AS FARPAS

"Excerto de "As Farpas" de Eça de Queirós, 146 anos depois...

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»


Escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número d'As Farpas.

Elevador do Carmo (2010) by Palaciano

Convento do Carmo (2010) by Palaciano

terça-feira, março 21, 2017

UM CHAFARIZ EM BELÉM

Já não está no mesmo local mas é sempre bom recordar pedaços da História deste Portugal.

Chafariz de Belém 1940


domingo, março 19, 2017

A DERROCADA NOS JERÓNIMOS

"Um triste acontecimento commoveu ha poucos dias Lisboa e o resto do paiz. Abateu o corpo central da nova galeria em construcção junto ao magnifico templo dos Jeronymos, e que constituindo a frente da Casa Pia, estava a ponto de concluir-se depois de longos annos de trabalhos e de muitos capitaes dispendidos, devendo então, com o monumento que recorda os nossos feitos passados, constituir um todo harmonico, especimen d'essa architectura maravilhosa que hoje asignala a gloriosa epocha de D. Manuel I, d'onde tirou o nome.

O desmoronamento teve logar no dia 18 de dezembro pelas 9 horas da manhã, e do altivo torreão que já se elevava aos ares perto talvez de trinta metros, apenas resta hoje de pé, quasi intacto felizmente, o corpo inferior, como a nossa gravura o representa, salvando-se a varanda gothica, de admiravel desenho, e o portico ligeiramente damnificado. Poucos dias antes fôra collocada no nicho superior á primeira varanda, uma magnifica estatua da Caridade, cinzelada pelo distincto esculptor Simões de Almeida, e essa mesma teve a cabeça decepada.

N'este desastre houve sobretudo a lamentar a morte de oito vidas. Oito dos trabalhadores que lidavam na obra, não podendo fugir a tempo, foram colhidos pela derrocada, ficando soterrados n'aquella pesada mole de areia e de cantaria...Lamenta-se que, depois de oito vidas de pobres trabalhadores, se hajam perdido com o desastre centenas de contos de réis, quando era talvez melhor ter deixado de os empregar de semelhante fôrma. Em todo o caso o que seria hoje um absurdo maior era reedificar o torreão derrocado pelo plano primitivo. Não pode ser: é preciso que a opinião dos homens competentes intervenha e que o edificio levantado ao lado dos Jeronymos mostre ao menos que no nosso tempo ainda se comprehende a harmonia architectonica d'aquelle magnifico templo."

in O Ocidente : revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, N.º 25 ( 1 Jan. 1879) 


Gravura anterior à derrocada

Gravura depois da derrocada

Fotografia depois da derrocada

sexta-feira, março 17, 2017

MAFRA

No Palácio Nacional de Mafra existem muitos recantos e espaços que, devido ao gigantismo da edificação, ou não são visitáveis no percurso normal de visita, ou então passam despercebidos numa visita normal.

Na foto a cores (tirada com o telemóvel) pode ver-se o altar da capela do torreão da rainha, e nas outras duas, a preto-e-branco está parte da maquinaria dos carrilhões, que infelizmente ainda aguardam as obras de restauro, e que não fazem parte do percurso normal de visita. 

Para alguns nada disto é novo, mas para a grande maioria pode ser um bom aperitivo para uma visita a agendar proximamente...

Uma pequena capela

Carrilhões manuais

Relógios e carrilhões mecânicos

quarta-feira, março 15, 2017

ACREDITAM NAS AVALIAÇÕES?

Eu ainda me recordo das críticas que existiam há uns anos acerca das avaliações na função pública, quando todos malhavam sempre que lhes dava na gana. Falavam do mérito e do rigor enchendo a boca de conceitos que diziam existir (?) no sector privado.

Há poucos dias foi notícia que o novo modelo de avaliação no Novo Banco prevê quotas, o que para todos significa um afunilamento de subidas nas carreiras. Claro que têm razão os críticos deste tipo de avaliações com quotas, que permite que numa equipa de vários elementos existam uns que recebem boas avaliações e outros avaliações mais baixas, apesar de todos colaborarem num mesmo objectivo.

O que importa salientar em tudo isto é que é esse o sistema usado na última década na função pública, que nunca mereceu as parangonas dos jornais e a indignação pública que agora temos visto.


Por vezes só passando pelas situações é que se vê a iniquidade dos processos de avaliação baseados em quotas. 


segunda-feira, março 13, 2017

ERROS DE PALMATÓRIA

O conflito entre países europeus e a Turquia, derivado da campanha para as eleições neste país, tem sido notícia nos últimos dias.

Se impedir a campanha de um país em território de outro pode ser aceitável, impedir ministros estrangeiros de entrar no país para contactar os seus cidadãos, não me parece que seja muito correcto.

Países como a Holanda, a Alemanha, a Suécia e a Áustria decidiram suspender os comícios nos seus países, e a Turquia acabou por ameaçar retaliar politicamente e economicamente.

Depois de ter recusado a entrada da Turquia na União Europeia, ainda que economicamente existam muitas empresas europeias a produzir os seus produtos em solo turco, só faltava mesmo à Europa atirar a Turquia para os braços de Moscovo, por pura inabilidade diplomática.

As restrições à imigração e agora estas atitudes que podem ser confundidas com sentimentos islamofóbicos, isolam cada vez mais a Europa do resto do mundo.  

Como diria Don Vito Corleone: mantenha os amigos por perto; e os inimigos mais perto ainda. 
  


sexta-feira, março 10, 2017

OS CARRILHÕES DE MAFRA

Há algum tempo falei numa rede social sobre o facto de ainda não terem sido restaurados os carrilhões do Palácio Nacional de Mafra, estando-se na altura a entrar no ano dos festejos do tricentenário deste monumento, e além de algumas críticas recebi também uma informação, não oficial, de que o restauro estava para breve, ainda durante este ano de 2017. No mesmo sentido li uma notícia no DN.

Não sei se as obras de restauro vão enfim avançar, porque o concurso para adjudicação parece que foi contestado e depois a contestação deu em nada, mas até ao último fim-de-semana, nem sinal de obras.

É bom recordar que o parecer dos peritos sobre o mau estado dos carrilhões dizia: “as principais causas da deterioração das torres e dos seus conteúdos foram a falta de serviços regulares de manutenção e o restauro inadequado a que foram sujeitas no passado, para além de um meio ambiente marítimo relativamente agressivo. A corrosão severa de partes do sistema sineiro, nomeadamente dos martelos, matracas e suportes, criou o perigo de queda.”


A preços de 2014 o arranjo estava estimado em aproximadamente 2.500.000 euros, não sei quanto poderá custar hoje, nem sei se o risco de queda dos sinos e das torres é elevado, moderado ou inexistente, mas confesso que estou preocupado, porque estamos a falar do nosso Património. 

Fotos retiradas da Internet


terça-feira, março 07, 2017

ALERTAS NO TURISMO

Sei que muitos já deixaram alertas sobre os perigos que o turismo nacional enfrenta, especialmente nas grandes urbes como Lisboa e Porto, onde a autenticidade do que oferecemos se vai perdendo, porque a oferta começa a ser igual à que se encontra noutras capitais europeias.

Fala-se do arrendamento de curta duração, que afasta os nacionais dos bairros típicos, que assim deixam de o ser pois o que mais se vê são turistas, lojas de souvenirs, restaurantes de fast food, menus estrangeiros e os tão tipicamente portugueses tuk-tuks.

O triângulo formado pelos habitantes, a oferta gastronómica e o Património histórico e paisagístico, fica imensamente reduzido, mas não é tudo.


O perigo mais recente, que quem trabalha com estrangeiros já começa a ouvir com demasiada frequência, é o aumento dos preços da hotelaria, sobretudo do alojamento, que começa a afastar mais uma das vantagens do Turismo nacional.  


sábado, março 04, 2017

CITAÇÃO

Num mundo cada vez mais frio e calculista, de contratos e negociações, de propostas e contrapartidas, arriscamo-nos a perder o que nos resta da nossa natureza e da nossa humanidade. Dar sem esperar nada em troca e receber sem sentir a obrigação de retribuir é a nossa única salvação. E é tão fácil que até chateia.

Miguel Esteves Cardoso

Hibisco

sexta-feira, março 03, 2017

INFORMAÇÃO EM MUSEUS, PALÁCIOS E MONUMENTOS

Uma das falhas mais apontadas pelos visitantes nacionais e estrangeiros, aos nossos museus, palácios e monumentos, é a falta de informação. Convenhamos que em alguns serviços a informação é escassa, por vezes em suportes antiquados, e sobretudo em poucas línguas.

Este assunto é sempre controverso porque será sempre impossível agradar a todos, como se sabe. Muitas vezes para se dar toda a informação sobre uma sala teria que se ocupar imenso espaço, o que prejudicaria a exposição e causaria uma concentração de pessoas a consultar as tabelas, que prejudicaria a fruição e a fluidez do movimento dos restantes visitantes.

Nos nossos dias existem suportes que podem obviar estes problemas, porque basta existir uma App que após a sua descarga para um simples smartphone, ultrapasse o problema. O aluguer de áudio-guias é outro meio de disponibilizar informação mais detalhada a quem a procura.


Nada disto é novo, e podemos aprender com os museus que são referências de qualidade, como o Louvre, por exemplo, e afinal são coisas que até nem custam muito dinheiro e não são difíceis de conseguir.


quarta-feira, março 01, 2017

APOSENTOS REAIS

Muita gente conhece o Palácio Nacional de Sintra, um dos antigos palácios reais que mais visitas recebe, e certamente o mais antigo ainda existente.

Quando se lê sobre a utilização deste monumento fica a saber-se que foi usado até 1910, altura em que foi implantada a República em Portugal.

O que é visto no percurso museológico são espaços carregados por séculos de História, o que se compreende, e a utilização das últimas décadas é esquecida aqui, porque pode ser melhor contada noutros espaços construídos mais tarde.

A actual Sala Manuelina já foi o local dos aposentos do rei, que Raúl Lino destruiu na década de 30 do século passado, e o mesmo aconteceu aos aposentos do príncipe D. Afonso (O Arreda) que se situavam na Sala das Galés.


O espaço dos aposentos da rainha, já com as marcas de Maria Pia (tecto do quarto de dormir), ainda existe, mas não são visitáveis nem estão devidamente decorados.  


segunda-feira, fevereiro 27, 2017

IDEALISMO

Idealista é quem, notando que uma rosa cheira melhor que um repolho, conclui que é também mais nutritiva.

Henry Mencken


sábado, fevereiro 25, 2017

A PENÚRIA DA CULTURA

A Cultura tem sido o parente pobre dos Orçamentos de Estado dos últimos anos, tenham sido eles do PSD ou do PS, mas tendo chegado a um ponto tão baixo no ano passado, houve quem julgasse que agora com um governo apoiado pelas esquerdas houvesse uma inversão de tendência, pelo menos tendo em conta o que a esquerda tem vindo a dizer sobre o assunto.

As últimas notícias sobre os dinheiros disponíveis são decepcionantes, e como as unhas já foram roídas até ao sabugo, só resta mesmo cortar as carnes.

As alternativas são poucas e o silêncio do Ministério da Cultura é ensurdecedor, e mais ensurdecedor ainda é o silêncio da DGPC, onde a escassez de verbas pode levar ao encerramento de equipamentos.


É mesmo isto que querem os partidos que apoiam este governo? Também aqui o silêncio é muito estranho, ou talvez não…

Leitura recomendada AQUI


quinta-feira, fevereiro 23, 2017

AUSTERIDADE E LÁGRIMAS DE CROCODILO

Depois de nos obrigarem a passar as passas do Algarve com políticas de austeridade absurdas, e que todos com dois dedos de testa criticaram, lá começam a aparecer os estudos e as conclusões de que as medidas de austeridade ainda pioraram a nossa situação, com resultados negativos na dívida, no crescimento, no desemprego e no consumo privado, aumentando assim a recessão.

Os especialistas, sempre eles, desta vez alemães do German Institute for Economic Research, o mais habitualmente conhecido como DIW Berlin, vêm agora reconhecer o falhanço das políticas de austeridade aplicadas entre 2010 e 2014, algo que qualquer nabo sabia desde o começo do martírio.


Os palermas encabeçados pela Merkel e pelo rodinhas que manda nas finanças da Alemanha, mais a sanguessuga de cabelos brancos do FMI, os burocratas engravatados do BCE e da União Europeia, juntamente com o Coelho cantor, o Gasparzinho e a Maria Luís, deviam passar a usar umas orelhas de burro para todo o sempre, já que a justiça terrena nunca os castigará devidamente.


segunda-feira, fevereiro 20, 2017

MEMÓRIA

Soneto

Ao Luís Vaz, recordando o convívio da nossa mocidade.

Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.

Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer os olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
não pode ser Amor com tal virtude.

Também eu das palavras me arredeio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.

E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?

Olha bem os meus olhos, e responde.

António Gedeão

Enquadramento By Palaciano*