terça-feira, outubro 17, 2017

RESPONSABILIDADE E CULPA



Existe muita gente que defende que a demissão da ministra da Administração Interna não se deve equacionar, e que seria uma inutilidade e até uma infantilidade, como afirmou António Costa.

Eu penso que a demissão da ministra é absolutamente necessária, não porque a culpa dos acontecimentos trágicos dos últimos meses seja dela, mas porque tem responsabilidades políticas nestes casos, devido ao cargo que ocupa.

As nomeações feitas na Protecção Civil, a falha de previsão das necessidades no mês de Outubro atendendo às previsões meteorológicos, e o desastre que foram as declarações dos responsáveis do MAI, são responsabilidades eminentemente políticas.

A atitude de António Costa ao dizer que temos que nos habituar a calamidades desta natureza, é absolutamente infeliz e inoportunas, quando devia afirmar que o Estado iria fazer tudo o que estava ao seu alcance, de modo a dar esperança ao país. A defesa da intransigente da sua ministra já começa ser encarada como teimosia, e a rivalizar com a do seu antecessor, Passos Coelho.  



sábado, outubro 14, 2017

COZINHAS MONUMENTAIS

Alguns dos nossos palácios e monumentos têm cozinhas verdadeiramente monumentais e bonitas, que atraem as atenções de quem os visita.

Deixo-vos fotografias das cozinhas do Palácio Nacional de Sintra, do Mosteiro de Alcobaça e do Paço de Vila Viçosa, algumas das mais interessantes, na minha modesta opinião.




quinta-feira, outubro 12, 2017

OS MUSEUS E A SEGURANÇA



Esta sexta-feira teremos em Portugal a iniciativa “A Terra Treme”, para chamar a atenção para o risco sísmico e para a importância de comportamentos simples que os cidadãos devem adoptar em caso de sismo.

Sabe-se que a Autoridade Nacional de Protecção Civil tem um plano especial de emergência preparado para o pior cenário de sismo na área metropolitana de Lisboa, uma área de grande risco sísmico.

Existe a possibilidade do Furacão Ophelia atingir o Continente nos próximos dias, depois de passar nas próximas horas pelos Açores.

Perante estas ameaças, bem reais, fica a pergunta que importa fazer: estarão os museus, palácios e monumentos preparados para responder a estes cataclismos ou outras situações de emergência?

Nas minhas rondas por estes serviços tenho indagado se os trabalhadores têm formação específica para situações de emergência, se existem planos de emergência e se estes são treinados em simulações, e as respostas têm sido negativas, o que é preocupante, e perigoso.



domingo, outubro 08, 2017

UMA CHEFIA ESTRANHA II



(Cont.)

Não julguem que eu estava a falar de apenas um serviço no último post, mas desenganem-se, porque consigo encaixar nesta descrição três, sim, três serviços diferentes, um que conheci há cerca de 30 anos e dois outros nos últimos tês anos.

Chefes supremos sem capacidade para planear, escutar, discutir, e estabelecer objectivos são chefes falhados em qualquer lado. Por vezes existem pessoas que não têm perfil para coordenar equipas, e mesmo sem serem más pessoas serão sempre prejudiciais para os serviços.

Os poderes instalados, quer pelo estatuto quer pelo controlo da máquina, não podem empecilhar o funcionamento, nem desestabilizar os grupos de trabalho, e quem o permite não se pode queixar.

A malta cá de baixo também não está isenta de culpas no cartório, porque em geral guerreia-se entre si, em vez de se unir e bater o pé e exigir respeito e condições de trabalho condignas.

A incompetência ainda campeia em lugares de nomeação, ou que resultam de concursos muito pouco isentos, e os altos cargos continuam a ser preenchidos por pessoas que não se comprometem com objectivos, e isso é fatal.



sexta-feira, outubro 06, 2017

ESTRANHA CHEFIA



Imagine-se um serviço com mais de trinta pessoas com um chefe supremo, três ou quatro chefes de segunda linha, meia dúzia de graduados e protegidos que controlam umas coisas, dois fantoches investidos em chefias de base, que não passam de paus mandados, e uns vinte operacionais, sem formação digna desse nome, desmotivados pelo abandono a que são votados, e culpados de tudo o que corre mal, pois são os únicos que dão a cara pelo serviço.

Isto pode parecer uma abstracção mas é uma realidade que conheço bem, onde estão reunidas todas as condições para correr mal.

Analisando do topo da pirâmide para baixo, temos um chefe supremo que tentou delegar funções em pessoas que simplesmente não queriam trabalhar, nem tão pouco queriam que o chefe pudesse levar água ao seu moinho e disso pudesse gozar os louros.

Num piso intermédio temos os graduados e os protegidos, que tendo o domínio sobre os contactos e sobre as burocracias, com ou sem competências estão pessoas cujo poder é efectivo mesmo sem ser oficial, porque acima deles está quem não pesca nada do processo de funcionamento.

Cá por baixo temos os operacionais, literalmente entregues aos bichos, e sem nenhum respaldo na chefia de baixo nível que não reúne nem competência nem estatuto para coordenar ou defender os seus colegas.

Neste caso temos uma chefia fraca e influenciável, dominada por interesses pessoais, que resulta num verdadeiro caos no funcionamento, num crescendo de reclamações, umas mais razoáveis do que outras, e onde as culpas ficam sempre para quem está na base da pirâmide, que afinal é quem o público vê.

(continua)    



quarta-feira, outubro 04, 2017

GENTE ESPECIAL

Depois dos projectos PIN (potencial interesse nacional), agora temos os VER (visto especial de residência), demonstrando-se assim que a burocracia atinge apenas alguns, porque haverá sempre quem esteja acima dos procedimentos normais, por uma qualquer razão, muito especial...


segunda-feira, outubro 02, 2017

A TEIMOSIA NA POLÍTICA



Há políticos que gostam de cultivar a sua teimosia, julgando que com isso mostram determinação e coerência, não conseguindo adaptar-se aos tempos e às situações, que na política são bastante voláteis, como se sabe.

Entre o cata-vento puro e o político que se vai adaptando às situações vai uma grande distância, já entre a teimosia pura e a burrice é apenas um pequeno passo.

Em Portugal temos assistido às teimosias de Passos Coelho que o têm levado, e ao seu partido, a enterrar-se e enredar-se cada vez mais nas suas palavras e nas suas asneiras. Na Espanha vemos um Rajoy que exibe uma grande falta de jeito para o cargo, e uma teimosia perigosa, que conseguiu transformar um referendo que podia ser sempre contestado em termos legais numa vitória dos independentistas.

Políticos desta natureza são um perigo para qualquer Democracia e podem ser responsáveis pela insegurança, pelo radicalismo e até por actos desesperados por parte de indivíduo ou indivíduos mais instáveis.