quinta-feira, janeiro 28, 2016

EM ROMA SÊ ROMANO

Quem é que ainda não ouviu a frase, «em Roma sê romano»? Pois esqueçam a frase e sobretudo o seu significado, porque a tradição mudou, definitivamente.

Uma visita do presidente iraniano a Roma, em que serão abordados diversos negócios, agora permitidos, depois do fim do embargo decretado pela Europa ao Irão, está a causar grande celeuma. O assunto explica-se em poucas palavras: o presidente iraniano é um dirigente religioso, e nessa condição, e atendendo à sua religião, não seria próprio ser confrontado com as representações de nus.

Moral da história, a bem do sucesso nos negócios, a Cultura italiana, e europeia, é censurada (tapada) para não "ofender" "o facilitador" dos negócios em que Itália está interessada. 

Por estes dias seria mais próprio dizer-se «em Roma sê romano... se não vieres a negócios».
 

terça-feira, janeiro 26, 2016

O BRINDE DE CAVACO PARA MARCELO

Está quase terminado o mandato de Cavaco Silva, o pior presidente da República desde 1974, e pelo que dizem as sondagens não deixará saudades à grande maioria dos portugueses.

A saída de Belém não é o abandono da actividade (?) deste personagem cinzento que não ficará para a História por boas razões, ainda o teremos num convento em Alcântara, onde foram gastos 475 mil euros, para o reformado de Boliqueime continuar a debitar inutilidades, como as que proferiu nos últimos anos.

Antes de se ir embora ainda deixou um presente envenenado para o sucessor, Marcelo Rebelo de Sousa, que não gostará de se pronunciar sobre as matérias que Cavaco vetou, antes de sair de Belém. Como dizem os portugueses, é assim que se conhecem os amigos... 


domingo, janeiro 24, 2016

INEXPERIÊNCIA

Mário Centeno pode ser muito bom em contas, não duvido, mas que tem muito que aprender para se tornar um bom político, isso tem.

O aumento do ISP com o argumento de que por causa da baixa do preço do crude este imposto tinha ficado aquém do esperado, faz-nos supor que o mesmo imposto baixará quando o crude subir novamente. A experiência diz-nos que imposto que sobe não volta a a baixar, a menos que seja trocado por outro, 

A credibilidade dum político, nomeadamente na pasta das Finanças, afere-se pelo que faz e pelo que se diz...  
 

sexta-feira, janeiro 22, 2016

O CANDIDATO DO REGIME


Escolher a Faculdade de Direito de Lisboa para a noite eleitoral é polémico, como polémica foi a escolha da mesma Faculdade para a entrevista dada à SIC há uns dias.

É sabido que a sede da campanha do candidato Marcelo Rebelo de Sousa é no espaço onde esteve a pastelaria Chique de Belém, bem em frente do antigo e também do novo Museu dos Coches, que pelos vistos não lhe serve para passar a noite das eleições.

Eu fico a imaginar o que acontecerá se o candidato acabar por ganhar esta eleição à 2ª volta, e também o que diria o comentador, que ele foi, se isso viesse a acontecer...


quarta-feira, janeiro 20, 2016

A GRANDE NÓDOA

O acórdão do Tribunal de Constitucional que diz ser inconstitucional a suspensão das pensões vitalícias que não estivessem de acordo com as condições de recursos, é uma verdadeira nódoa na actividade desta instituição.

Sem querer discutir a decisão nos seus termos constitucionais, o que mais causa repulsa são os argumentos usados para justificar a decisão. Quando todos sofremos com as alterações das regras referentes aos salários, às pensões, aos direitos laborais e até aos direitos sociais, é simplesmente caricato que no caso dos ex-políticos.

Podia falar nos direitos constitucionais da proporcionalidade, da protecção da confiança e do princípio da igualdade, em casos que afectaram pensionistas e funcionários públicos, por exemplo, mas o que mais me revolta é o facto de um rendimento de 2 mil euros ser considerado indigno dum antigo político, quando milhões de portugueses auferem salários e pensões muito inferiores.

Os senhores membros do TC vivem neste país, ou será que vivem em alguma outra galáxia distante?  


segunda-feira, janeiro 18, 2016

BEM-ESTAR E PRODUTIVIDADE



Os grandes empresários portugueses usam sistematicamente os dados (aldrabados) da produtividade, que são baixos, para justificar os salários de miséria praticados na maioria das empresas nacionais. Fugas aos impostos, economia informal e o recurso aos alçapões permitidos pela lei mascaram resultados que as grandes empresas têm, mas que não são os tornados públicos.

Além do que ganham e não é tributado cá dentro, ainda temos os incentivos ao emprego que conseguem através das ajudas estatais, que à custa da exploração dos empregados e das isenções fiscais ainda aumentam mais o seu pecúlio, já de si muito substancial.

O bem-estar dos trabalhadores é uma miragem para a qual os grandes empresários se estão nas tintas. Na verdade, quanto maior for a multidão de pessoas em risco de pobreza extrema, maiores são as oportunidades destes vampiros conseguirem força de trabalho ao mais baixo custo.

Há quem se admire da insatisfação dos trabalhadores portugueses, quem se diga admirado com a cada vez maior desigualdade existente neste país, ou com o aumento dos trabalhadores que vivem em estado de pobreza, mas o que é que está a ser feito para obviar estas realidades?
 
Que mais será preciso para obrigar os nossos governantes a olhar para este problema com olhos de ver? Se as alternativas de cidadania falharem, como tem acontecido, o que poderá acontecer? 


sábado, janeiro 16, 2016

A DEMAGOGIA E A INVEJA

O restabelecimento das 35 horas de trabalho para os funcionários públicos parece estar a incomodar muita gente, uns por ideologia, outros por pura inveja. Os nossos políticos, especialmente os da direita não estão isentos de culpas, sendo mesmo os instigadores deste incómodo.

Os pressupostos que levaram ao aumento do horário de trabalho foi o de incrementar a produtividade e o de reduzir os custos do trabalho, isto em plena crise económica, causada pelo sistema financeiro, como ficou claro para todos.

Não é liquido que seja o número de horas de trabalho que faça aumentar a produtividade, pois os países com maior produtividade têm horários com menos de 40 horas, e a redução dos custos à custa de mais horas de trabalho também nunca foi demonstrado nem contabilizado.

Repor as 35 horas de trabalho na função pública é da mais elementar justiça, e no sector privado tal medida também é recomendável, mas terão que ser os trabalhadores a lutar por esse direito, em vez de se desgastarem a manifestar inveja pelas conquistas da luta dos outros. Juntos temos muito mais força, divididos tudo nos é muito mais difícil.

Botões by Palaciano

quinta-feira, janeiro 14, 2016

DIREITO À PRIVACIDADE



Esta semana soube-se que os patrões têm o direito de “espiar” as mensagens privadas enviadas no local de trabalho.

A discussão é tão disparatada que me admirou ver levantada tanta celeuma sobre essa notícia. Será que alguém que usa equipamento do patrão, durante o horário de trabalho, acha que pode exigir privacidade?

Claro que é tudo muito diferente se, numa pausa usar um dispositivo seu para enviar mensagens privadas, pois aí tem todo o direito à privacidade, e o patrão não poderá de maneira nenhuma tentar “espiar” o que foi desse modo produzido.  


Folhas by Palaciano

terça-feira, janeiro 12, 2016

QUAL ESQUERDA E QUAL DIREITA?

Marcelo Rebelo de Sousa que ainda há  pouco tempo dizia ser do centro direita, veio agora situar-se na esquerda da direita, seja lá isso o que for, mas deste candidato já se espera tudo e o seu contrário.

Talvez ainda haja quem se lembre de ver o candidato ripar duma sandocha, dizendo que ia fazer uma campanha barata porque os tempos eram difíceis, mas agora já o vemos a provar tudo, desde bolinhos a enchidos, à borla é evidente, e a falar com a boca cheia, o que condiz muito pouco com a educação do cidadão Marcelo.

As cambalhotas do comentador candidato, e a irritação e pantominice a cada dia que passa, vão dando a imagem perfeita do homem que não tem perfil para o lugar a que se está a candidatar.


domingo, janeiro 10, 2016

CULTURA DO MILAGRE

João Soares continua a surpreender-me, pela negativa, pois além de não ser um indivíduo simpático e conhecedor do Património, veio mostrar que não está preparado para o lugar que lhe foi entregue, Costa lá saberá porquê.

O ministro da Cultura invocou a ajuda divina para concretizar o milagre de conseguir, ao nível do poder político e económico, os recursos para reforçar a Cultura e o Património. A cunha “metida” aos representantes locais (Viseu) da igreja é risível.


Quando chegar o Orçamento de Estado para 2016 veremos que verbas serão atribuídas à Cultura, e então veremos o que é que João Soares terá a dizer perante as solicitações que os serviços lhe vão apresentar…


sexta-feira, janeiro 08, 2016

PORTUGAL EM POUCAS LINHAS



Patrões 1 – Os industriais deste país alertam para o custo do regresso dos feriados, mas curiosamente não divulgam quais os benefícios das empresas e dos seus proprietários durante o tempo que vigoraram os cortes dos mesmos feriados.

Patrões 2 – Os industriais portugueses dizem que há “bases para um acordo” sobre o salário mínimo com a descida da TSU, mas sabe-se que o desconto que querem não abrange apenas as que têm pessoas que ganham até 520 euros, mas todas as empresas atingidas pelo aumento do salário mínimo. Fica por saber quais são as empresas que vão dizer não serem “atingidas” pelo aumento do SMN.

Economia – Apesar do “sucesso” afirmado por Passos Coelho e sua equipa, as vendas a retalho subiram menos em Portugal do que no resto da União Europeia, tendo mesmo ficado no 2º lugar dos que mais desceram em Novembro passado.

Banca – É formidável como há descaramento suficiente para ouvir da boca de “especialistas” que a subida do salário mínimo nacional podia fazer aumentar as comissões bancárias. O descaramento é tanto maior quanto o aumento das comissões bancárias (pelo menos de alguns), é de 33% e o do SMN é bem menor, basta fazer as contas.


Belém - Calçada by Palaciano 

Belém by Palaciano

quarta-feira, janeiro 06, 2016

FOLHAS

«A natureza é sábia e justa. O vento sacode as árvores, move os galhos, para que todas as folhas tenham o seu momento de ver o sol.»

Humberto de Campos

Folhas by Palaciano


Folha Morta by Palaciano

segunda-feira, janeiro 04, 2016

ELEIÇÕES



Estamos em plena campanha para a Presidência da República, e candidatos é o que não falta, nem debates e entrevistas.


Temos candidatos patuscos, candidatos desconhecidos, candidatos com apoios partidários e candidatos que se dizem apartidários. Há quem diga que temos um único candidato e que os restantes estão lá só para fazer número.


Nesta eleição há duas coisas que me irritam: a comunicação social que sem o admitir, toma partido por um candidato, e os candidatos que se dizem independentes e apartidários, que verdadeiramente não o são.


A pantominice vai muito mais longe e até há o candidato da lancheira, porque a vida não está para gastos desnecessários, diz ele. Só posso esperar que o povo não vá em cantigas e vote em quem defende quem não se esconde atrás de mentiras e hipocrisia.



sábado, janeiro 02, 2016

2015 EM BREVE RETROSPECTIVA



Começo por dizer que 2015 não foi, de todo, um bom ano.


A pretexto do mau estado da economia, diziam os (ir)responsáveis políticos, fomos todos “espremidos” com cortes e aumento de impostos, porque estávamos a ”viver acima das nossas possibilidades”. O resultado foi um desastre, com a dívida pública a aumentar, com o desemprego a crescer, tal como a pobreza, e o país a ver a sangria dos seus jovens por falta de oportunidades.


Contrariando tudo o que nos diziam os comentaristas, os especialistas e os governantes, os “grandes estouros” da economia surgiram na “alta finança”, nas elites económica onde pontuavam os grandes líderes, como eram os banqueiros e os grandes gestores.


Os políticos eram tão maus que acabaram por cair, com grande estrondo, no final do ano. Cavaco que tudo fez para sustentar a velha maioria no poder, também tem os dias contados, para alívio de muitos portugueses.

A saúde sofreu cortes inconcebíveis, a educação virou um campo de experiências e uma máquina de desemprego, a Justiça tem sido uma caricatura de si própria, e a Cultura foi considerada um desperdício.


O ano de 2016 nasceu com muitas incertezas, com um novo governo que terá que conseguir conciliar apoios, com uma campanha para a Presidência da República a decorrer, com a apresentação da factura dos desmandos da nossa banca falida, mas com a esperança bem viva no pensamento dos portugueses que se recusam a desistir. 


Buganvílias no Inverno by Palaciano