sexta-feira, dezembro 30, 2016

PORQUE EMIGRAM OS PORTUGUESES?

Quando se ouvem os políticos a falar das causas da emigração ficamos todos confusos porque todos acusam os outros e ninguém admite culpas na matéria.

Para quem está no mercado de trabalho, quem tem filhos adultos desempregados, e quem caiu no desemprego, conhece bem muitas causas deste êxodo que compromete o futuro de Portugal.

Outro dos flagelos da nossa sociedade é a baixa natalidade, e também aqui as causas do problema suscitam divergências entre a classe política, mas o cidadão nacional conhece bem as causas deste problema.

A precariedade, os baixos salários, a falta de protecção social, a falta de investimento e um evidente desequilíbrio entre o factor trabalho e o factor capital não só em termos de direitos mas também na redistribuição da riqueza produzida, são apenas alguns dos factores que saltam à vista de qualquer pessoa.


Ainda perguntam porque emigram os portugueses?...  

quarta-feira, dezembro 28, 2016

POBRE JORNALISMO

É cada vez mais deprimente seguir os meios de comunicação social e dar-lhes o crédito que já mereceram no passado, porque hoje faz-se, em geral, muito mau jornalismo.

Sabemos que os títulos têm que ser convidativos, mas nunca nos deviam levar ao engano, nem devem servir para ocultar a verdade, que deve ser a finalidade mais nobre do jornalismo.

Ler ou ouvir o título “os trabalhadores com rendimentos mais baixos vão ter mais dinheiro disponível já apartir de Janeiro”, e depois chegar-se à conclusão que se referem a 1 ou 2 euros mensais referentes ao fim da sobretaxa do IRS para os escalões de rendimentos mais baixos, é apenas um exemplo do mau serviço que se presta.

Sem qualquer relevo a mesma notícia revela que nos escalões mais altos também vão ganhar devido ao aumento do salário mínimo, que influencia descontos nos impostos, e certamente serão mais relevantes do que os modestos 1 a 2 euros, mas isso não interessa nada para o jornalista.

Para que não fique qualquer dúvida sobre a parcialidade do mesmo jornalista, aqui fica outro título por ele assinada, “salários mais altos do estado com menos um quinto em comparação a 2010”, por causa do aumento dos impostos e dos descontos para a ADSE, curiosamente os funcionários que ganham menos também têm hoje um salário líquido menos do que em 2010, mas que interesse tem isso para opinião pública?


sexta-feira, dezembro 23, 2016

HIGIENIZAR A DEPENDÊNCIA ELECTRÓNICA

Uma das notícias mais curiosas desta semana terá sido esta: ”Aeroporto do Japão cria papel higiénico paratelemóveis”.

Já estamos todos habituados a ver gente agarrada aos telemóveis um pouco por todo o lado, é uma verdadeira praga tamanha dependência, e também é conhecido que estes dispositivos são verdadeiros ninhos de bactérias, ainda que isso tenda a ser ignorado por quem é mais dependente.

Os japoneses são conhecidos pelo seu medo de casos de transmissão de vírus, basta ver como protegem a cara quando estão constipados, mas agora nisto do papel higiénico para limpeza dos telemóveis, que é dispensado nas instalações sanitárias parece que foram ainda mais longe.


Não sei como é que os japoneses encararam esta novidade, mas parece-me que será mais um convite a demorar mais um pouco sentado na sanita fazendo uns telefonemas ou consultando algum site, aproveitando no final o papel para limpeza do telemóvel, que naturalmente será adequadamente perfumado…


segunda-feira, dezembro 19, 2016

O FMI E A PRODUTIVIDADE

O FMI e os seus “eminentes economistas” é conhecido por dizer tudo e o seu contrário, e por ser o prestamista mais cruel a nível internacional, comportando-se como um verdadeiro agiota sem rosto.

Esta semana um jornalista do Dinheiro Vivo foi buscar um estudo dessa organização internacional, que parece concluir que os empregados mais velhos são menos produtivos.

Quem diria que o FMI que defende o aumento da idade de reforma, especialmente nos países do ajustamento, com os conhecidos maus resultados para o emprego jovem, viria a concluir isto? Curiosamente o peso dos trabalhadores com idades entre os 55 e os 64 anos, é mais baixo nos países ricos, do norte da Europa, e maior no sul, onde até os horários de trabalho são maiores em termos anuais.

Não se pode dizer que a produtividade dos mais idosos é mais baixa, e ao mesmo tempo querer que se trabalhe cada vez mais até mais tarde. Também não acho que as empresas beneficiem em ter funcionários até mais tarde, em vez de irem renovando os seus quadros, equilibrando experiência com sangue novo e novas mentalidades. O problema maior é o da Segurança Social, que pode não ter capacidade para absorver muita gente com idade (+60 anos) e tempo de descontos (+40 anos), mas daqui a uns anos será muito pior.


O FMI não tem autoridade nesta matéria, e com maior produtividade, com trabalhadores mais novos e bem preparados, com um mercado do trabalho regulado e sem incentivos a um patronato que se aproveita do desemprego jovem para os explorar sem encargos para a Segurança Social, todos ganharão a prazo.  


sábado, dezembro 17, 2016

A IMPRENSA LUSA - SONDAGENS E NÚMEROS

Todos sabemos que com certas perguntas se conseguem certas respostas e isso sem se falsearem resultados de forma grosseira. Não é necessário fazer perguntas apenas a pessoas com pouca cultura cívica ou pouca informação, como por vezes acontecia no passado, porque agora as coisas são mais científicas.

Concluir numa sondagem que os portugueses concordam com os salários elevados na CGD, consegue-se não revelando o valor dos tais salários, nem os bónus previstos, é relativamente fácil, e extrapolar que um relatório da OCDE terá registado que Portugal tem registado na última década das maiores diminuições nas disparidades salariais nos 35 países da OCDE, é quase que tão arriscado como dizer o diabo vem aí a partir de Janeiro.


Sou um leitor de jornais, DN e Expresso, mas tenho que reconhecer que a qualidade da nossa imprensa, escrita e não só, tem piorado muito nos últimos anos, e que os interesses ditam o que se noticia, e como se noticia. 

quinta-feira, dezembro 15, 2016

POLITICAMENTE INCORRECTO

Começo por declarar que me estou nas tintas para o politicamente correcto e que ponho acima de tudo a conservação do Património e a fruição do mesmo em condições aceitáveis.

A medida aprovada, por alteração legislativa, de permitir a entrada gratuita nos museus portugueses aos domingos e feriados até às 14 horas, para todos os residentes em território nacional, não me parece adequada para abranger todos os museus e monumentos nacionais, muito especialmente para aqueles que já apresentam níveis de visitas que rondam o limite adequado ao espaço visitável, às colecções expostas e aos meios de segurança ao dispor dos serviços.

As desculpas da tutela usando argumentos como a legislação europeia, não colhe de todo e é quebrada em diversos países e diversos museus, pelo que não será por aí que se encara o problema de frente.

Toda a gente gostaria de visitar gratuitamente o nosso Património, isso é indiscutível, mas não é responsável colocar em causa a segurança dos visitantes e das colecções, só para colher mais uns votos.


Não terei arranjado muitos amigos com este post mas, para mim, existem valores maiores do que as borlas. Por outro lado, e porque acho que os portugueses merecem mais do Estado para o qual contribuem, não vejo nenhuma incompatibilidade em dar entradas grátis nos meses de menor afluxo de visitantes, como seja de Outubro a Março, aos sábados, domingos e feriados. 

Torre de Belém

Palácio Nacional de Mafra

terça-feira, dezembro 13, 2016

IMAGENS AO ACASO

Quantas vezes sentimos um impulso que nos leva a tirar o telemóvel do bolso e fazer umas fotos, só porque sim...

Imagem 1*


Imagem 2*

domingo, dezembro 11, 2016

CONSCIÊNCIA CIVICA

Os nossos museus, palácios e monumentos são visitados por diversos tipos de públicos, e nem todos estão devidamente sensibilizados para a conservação do nosso Património, pelo que acho que devia ser feita uma campanha de sensibilização para que cada vez mais exista uma consciência colectiva da importância da preservação do Património. 

sexta-feira, dezembro 09, 2016

IMAGENS DE ILUSTRES VISITANTES

Antes da utilização das máquinas fotográficas o modo de registar os motivos de interesse dos viajantes era através dos desenhos, e felizmente Portugal recebeu visitantes ilustres em séculos passados, que não só divulgaram desenhos do que viram, como escreveram livros de viagens que chegaram aos nossos dias.

Um desenho da entrada da Torre de Belém, datado de 1888.

Este desenho de Albrecht Haupt é um exercício sobre o que o autor pensava estar na cabeça dos arquitectos que conceberam as Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha.

quarta-feira, dezembro 07, 2016

VISITAR PALÁCIOS

Quando visito um palácio, procuro perceber como é que ele foi utilizado e o que faziam os seus proprietários quando o ocupavam. Em geral antes da visita procuro ler um pouco sobre o local, recorrendo à minha modesta biblioteca, e só depois à informação dispersa pela internet, que nem sempre é muito rigorosa.

Muita gente desconhece que a decoração de muitos palácios tem variado com regularidade, e que muitas vezes se trocam todos os móveis e outros adereços, chegando-se mesmo a alterar aquilo que é sugerido como utilidade do espaço.


Não querendo agora discutir se as alterações são ou não benéficas para se entender a vivência numa determinada época da utilização, venho hoje desafiar os leitores a descobrir qual das imagens seguintes é mais antiga, e se algum dos móveis, ou adereços, ainda está exposto nos nossos dias nesta sala do Paço de Sintra.

By Palaciano

SP23
SP35

segunda-feira, dezembro 05, 2016

UNS FOGEM AOS IMPOSTOS, OUTROS NEM PODEM FUGIR...

Enquanto os órgãos de comunicação social se debruçam sobre a possibilidade de Ronaldo e Mourinho terem fintado o fisco, aqui o José faz contas e mais contas, mas o ordenado não estica.

Quem tem muito dinheiro contrata especialistas em fintar legalmente o fisco, já quem tem pouco faz acordos com alguns patrões para declarações de vencimento inferiores à realidade, ganhando ambos com a marosca.

Nesta equação complicada os funcionários públicos serão os únicos que não têm qualquer hipótese de fugir ao fisco, mas quem é que está interessado nisso? Os funcionários públicos são uns privilegiados, diz-se, mas são aqueles que independentemente da sua vontade, não podem fugir à voracidade da máquina fiscal, e a comunicação social sabe-o, mas nunca fala disso...

2.299

sábado, dezembro 03, 2016

ESTADO DÁ MAU EXEMPLO

Uma ida de rotina ao médico de família depois de uma barragem de exames e análises, e eis que surgiram as boas notícias, e afinal estou tão bem quanto as minhas maleitas o permitem 

Em conversa com o médico, desabafei que em mais de 40 anos de serviço apenas tinha ido à medicina no trabalho 3 vezes, nos anos em que estive ao trabalho duma empresa com gestão privada. Esperava que o médico mostrasse a sua incredulidade, mas ele também estava exactamente na mesma situação. 

O Estado sempre tão lesto na elaboração de leis e de regulamentos, não as cumpre, e no caso da medicina no trabalho existem muitos funcionários públicos que nunca foram avaliados para sua própria protecção e para os serviços terem uma ideia sobre a saúde dos seus funcionários. 

Os nossos governantes desconhecem isto? Talvez, mas isso demonstra a falta de interesse dos maiores responsáveis pelos seus funcionários, pelo cumprimento da lei, e pela política de recursos humanos.


quinta-feira, dezembro 01, 2016

POR FALAR EM DITADORES

Existem pessoas a quem é dada uma tribuna para expressarem as suas opiniões, a que evidentemente têm direito, mas que não se ouvem a si próprios, para perceberem a sua falta de coerência, que até tem consequências porque a sua opinião é difundida, em meios de comunicação social ou equiparados, podendo influenciar terceiros.

Estava eu a ouvir um telejornal num dos canais nacionais, e o apresentador referindo-se a Cuba diz “… a morte do ditador…”, e eu fiquei à espera de alguma correcção. Não houve, e o apresentador passou a outras notícias de âmbito internacional. 

Mantive a televisão no mesmo canal e as notícias seguintes foram sobre Angola e Luaty Beirão, sobre a Rússia de Vladimir Putin, e sobre a Síria de  Bashar al-Assad. Em nenhum dos casos se ouviu uma só palavra sobre ditaduras, o que diz muito sobre o jornalista em questão, e sobre a sua “imparcialidade”.


A liberdade de opinião merece o meu maior respeito, mas em informação num canal público espera-se ouvir notícias e não opiniões, a menos que isso seja bastante claro, o que não foi o caso.


terça-feira, novembro 29, 2016

UMA PERGUNTA …

Foi-me enviada uma fotografia do quarto onde D. Manuel II pernoitou imediatamente antes de se dirigir à Ericeira para partir rumo ao exílio, e a pergunta que a acompanhava era: as paredes e até o tecto dum palácio, como o de Mafra, estavam assim cobertas com tecidos, normalmente, ou eram pintadas como as vemos agora?

Começo por esclarecer que o Palácio de Mafra era uma das diversas residências de Verão, e ocasionalmente durante os dias de caçadas recebia o rei e quem o acompanhava. Não sendo uma residência permanente, era natural que quando o rei ali se propunha dirigir, as coisas nem sempre estivessem em óptimas condições, e o recurso à cobertura das paredes com panos ou tapetes era um expediente utilizado.

No século XVI, por exemplo, era habitual verem-se tapeçarias a cobrir paredes, até porque ajudavam a tornar o espaço mais agradável. Não devemos confundir a utilização de sedas cobrindo as paredes, como se vê em alguns palácios (Queluz é um exemplo), porque nesse caso trata-se de um adorno decorativo considerado de muito bom gosto.


Como adorno ou apenas como um expediente de recurso, não era pouco habitual verem-se paredes e tectos cobertos com tecidos ou tapeçarias, especialmente em residências reais temporárias, mas não só.



domingo, novembro 27, 2016

MUSEUS - ENTRADAS GRÁTIS



Uma das alterações ao Orçamento de Estado para 2017, aprovada nestes dias, foi a voltarem a ser gratuitas as entradas nos museus nacionais aos domingos e feriados até às 14 horas, para todos os residentes em Portugal, e foi interessante registar que votaram a favor desta alteração todos os partidos, excepto o PS.

As notícias vindas a público na comunicação social deixam ainda algumas dúvidas, não só porque dizem que esta gratuitidade existiu até 2011, mas também porque acrescentam que são para “todos os cidadãos que residam em território nacional”.

Convém esclarecer que até 2011 vigoravam as entradas gratuitas “para todos”, sem excepção, até às 14 horas, aos domingos e feriados. É também de registar que a alteração feita a partir de 2011 se verificou com um executivo do PSD, em que na pasta da Cultura estava Francisco José Viegas.

Para que conste, é difícil determinar quem tem residência em território nacional, mas para os senhores deputados isso não passa de um mero detalhe, que vai originar algumas reclamações e uma trocas de palavras desagradáveis e desnecessárias nas bilheteiras dos museus.


2295

sexta-feira, novembro 25, 2016

O TRABALHO E O DINHEIRO

Uma das coisas que o tempo se encarregou de me ensinar foi o facto de ninguém enriquecer apenas com os proveitos do trabalho honrado. Já sei que me chamaram cínico, talvez porque exista alguém que o conseguiu, mas se virem bem serão bem poucos, e encaixam perfeitamente na classe das honrosas excepções.

É sabido que os portugueses têm trabalhado cada vez mais horas, cada vez mais se acumulam funções, e cada vez mais se penaliza a saúde e a família.

Os salários não esticam e cada vez mais estão desadequados. Quem se pode admirar que existam cerca de metade dos portugueses com falta de dinheiro para honrar os seus compromissos?

Quando falamos de riqueza geralmente referimos o que consta das estatísticas, e portanto à actividade legal e registada para efeitos fiscais, mas estamos a ignorar toda a economia subterrânea, que tem uma grande expressão no nosso país, como é sabido.


A redistribuição da riqueza é mal feita, apesar do que dizem os especialistas, e os políticos, e o resultado está plasmado nos estudos mais actuais em que se constata que há cada vez mais ricos, ao mesmo tempo que há mais gente em sérias dificuldades para levar uma vida decente, mesmo tendo emprego e não tendo hábitos consumistas.


quarta-feira, novembro 23, 2016

MUSEUS E MONUMENTOS BATEM RECORDES DE VISITAS

Este ano de 2016 tem sido muito bom em termos de turismo, e os museus e monumentos nacionais têm registado um muito elevado número de visitantes, que em alguns casos são mesmo recordes absolutos.

É preciso distinguir alguns números, porque é diferente considerar locais onde as entradas são grátis, e outros onde as entradas são pagas, ainda que em qualquer dos casos se verifiquem aumentos substanciais.


O caso do Mosteiro dos Jerónimos, que registou já o visitante 1 milhão, é de sublinhar, ainda que estejamos prestes a atingir o limite da capacidade do mosteiro, pelo menos no período do pico do Verão, o que já aconteceu também na Torre de Belém.


domingo, novembro 20, 2016

CURIOSAS MUDANÇAS

Quem visita nos nossos dias o Paço Real de Sintra, e passa à saída pelo Pátio Central, pode ver a Gruta dos Banhos, os seus azulejos e os tectos trabalhados, em gesso, mas não imaginará com toda a certeza que este espaço já esteve vedado, o que ainda pode ser verificado pelos pontos onde estavam seguras as portas (existem marcas visíveis nas cantarias), e pela foto abaixo, apesar do seu mau estado.


quarta-feira, novembro 16, 2016

CULTURA -MAIS PROMESSAS

Não podia deixar passar despercebido um anúncio da Direcção Geral do Património relativa à revisão dos planos de segurança de 23 monumentos, porque já aqui falei da falta de segurança dos funcionários e visitantes do nosso Património.

O anúncio feito no início do mês por João Seabra Gomes, responsável pelo projecto; “estamos a preparar planos de emergência actualizados para estes edifícios de acordo com as suas características específicas, e o objectivo é concluir no início de Janeiro, e depois iniciar a formação das respectivas equipas para lidar com as situações”, já é uma boa notícia.

Consultando alguns amigos que trabalham em museus e monumentos, inteiramente estatais, com gestão privada, ou totalmente privados, pude concluir que não houve qualquer contacto com os trabalhadores que estão no terreno diariamente, com o fim de se pronunciarem sobre questões de segurança no âmbito da feitura dos planos de segurança, e não tive conhecimento de nenhum serviço onde tenha existido, nos últimos 5 anos, qualquer formação em situações de segurança, ou simulacros com entidades como Bombeiros ou Protecção Civil.


A colaboração dos trabalhadores é essencial, não pode ser tudo planeado em gabinetes, a formação é indispensável e os simulacros devem ser periódicos e com a colaboração de entidades de segurança da zona de implementação dos equipamentos culturais.

A segurança no trabalho nunca é demais, e os visitantes dos equipamentos culturais merecem o melhor. Uma falha grave neste campo seria prejudicial para o turismo e esse tem sido o sector que melhor tem conseguido resistir à crise económica. 

segunda-feira, novembro 14, 2016

PATRONATO LUSO

Ferraz da Costa, ex-presidente da CIP, deu uma entrevista ao DN em que desanca no governo, que como se sabe não é do seu agrado, já que as suas preferências vão muito para a direita, mais precisamente para o pensamento de Donald Trump, um guru da economia, muito respeitador das suas obrigações enquanto patrão e contribuinte.

Este senhor que representou o patronato português, defende que se deve baixar os custo do Estado para se poder pagar menos imposto, mais objectivamente o IRC das empresas, à semelhança do que prometeu Trump.

Um Estado mínimo era o sonho deste tipo de empresários, já se sabe, e também se sabe que foi um defensor da privatização de muitas empresas que eram detidas pelo Estado, e que agora estão na mão de privados.

Nesta entrevista tive dificuldade em entender o pensamento deste iluminado, porque ele não hesitou em falar do peso excessivo da factura cobrada pela EDP, pela Galp, e pela PT, e essas são empresas privadas.

O tal Estado de que se queixa Ferraz da Costa, que detinha as empresas de energia e de telecomunicações, não pode num mercado liberalizado, como ele defende, interferir nos preços, a menos que queira arranjar novos encargos.

Quanto aos baixos salários a que muitos portugueses se têm que agarrar por motivos de sobrevivência, também não podem aumentar, porque muito patronato “amigo” do senhor Ferraz da Costa, se opõe a essa medida, como já se viu com o caso do ordenado mínimo nacional para 2017.


Já sabemos bem qual é o pensamento de Ferraz da Costa, e tudo passa pela desregulação das leis laborais, e pelos baixos salários, um pouco mais de lei da selva, onde o patronato dite as leis e o Estado tenha a seu cargo apenas a política assistencialista, que tanto agrada aos detentores do capital.


sábado, novembro 12, 2016

A CULTURA E AS PROMESSAS

Em períodos de aperto do cinto, a que muitos chamam crise económica, a Cultura, que já é um parente pobre da política, é a primeira a sofrer cortes, já que é considerada por muitos políticos. Incultos obviamente, um luxo dispensável.

Claro que na política há coisas que não se dizem em público, porque perante testemunhas promete-se muito, mesmo sabendo que pouco se realizará, porque não há milagres.

Há promessas para todos os gostos, desde o restauro dos carrilhões de Mafra, que deviam estar operacionais para o tricentenário, ou uma nova “caranguejola” (elevador) para permitir o acesso ao monumento por parte das pessoas com mobilidade reduzida, que agora foi prometida. Nova sinalética? Se for como a dos Coches, estamos falados...

No Museu dos Coches inaugurado em 2015, ainda não está implementado o plano museográfico, com os audiovisuais, e as barreiras que delimitam o espaço de protecção das carruagens que também ainda lá faltam hoje.


Não sei o que vai sair de novo para os lados da Ajuda, e qual a condição em que será explorado o que se construir, e também não sei se haverá vigilância electrónica no Museu de Arte Antiga, ou se o número de vigilantes irá aumentar, cobrindo as saídas para reforma e para outros ministérios do pessoal descontente.   

Nada disto é novo, é apenas mais do mesmo...

*

terça-feira, novembro 08, 2016

OPINIÕES SOBRE SALÁRIOS



É curioso ler os comentários e as declarações das pessoas que na comunicação social falam sobre o aumento do salário mínimo, que não hesitam em afirmar que os aumentos pedidos podem ser prejudiciais para as empresas e para o emprego, e os argumentos de maior peso são sempre o da baixa produtividade nacional e o fraco crescimento da economia.

A curiosidade maior é que, os mesmo protagonistas que criticam o aumento do salário mínimo, são os defensores dos altos salários dos administradores da Caixa Geral de Depósitos, alegando neste caso que um bom banqueiro o merece.

Claro que podia exprimir a minha opinião, mas um cartoon também serve. 


sexta-feira, novembro 04, 2016

OS COMENTADORES E OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

É simplesmente ridículo ler frases do comentador que acha que é inconstitucional cortar salários contratados, por não ser possível retroactividade da lei, no que se refere aos administradores da Caixa Geral de Depósitos, quando no passado aplaudiu os cortes nos salários dos funcionários públicos. Nesta questão os pormenores são lixados, porque enquanto os funcionários públicos têm contrato com a entidade patronal, o Estado, os administradores nomeados para a CGD não o têm, por muito que se queira esconder o facto.

Também é penoso ler outro artigo, de outra comentadora, dizendo que este é”o Orçamento dos funcionários públicos e de (alguns) pensionistas. Diz a senhora que “é um problema puro de clientela” e que o governo terá de “manter os bolsos cheios dos que garantiram as vitórias eleitorais”.

Pobre senhora, que parte do princípio que a situação que o país atravessa é dos funcionários públicos, esquecendo-se duma certa classe política e duns quantos banqueiros e gestores bancários, que pelos vistos foram uns grandes beneméritos. Vai mais longe a senhora dizendo que “a governação devia assumir que os cortes salariais da era da troika eram definitivos”.


As contradições destes, e de outros comentadores do estilo, são evidentes e nem merecem uma classificação, porque teria que pecar por defeito, por razões de educação, mas há uma frase que vem mesmo a calhar: “pimenta no cu dos outros é refresco”.

Termino com a pergunta: será que os funcionários públicos são portugueses de segunda?


quarta-feira, novembro 02, 2016

EXIGÊNCIA DE TRANSPARÊNCIA NÃO É POPULISMO

A polémica em torno dos rendimentos dos novos administradores da CGD não pode ser considerada populismo, como pretende José Gomes Ferreira, mas sim uma exigência de transparência por parte de quem foi nomeado para gerir o banco público.

As questões de confiança dos mercados e outras do léxico dos economistas cá do burgo, não passam de ameaças (pouco) veladas do poder económico, que pretende ignorar a legislação nacional e o dever de transparência exigido a quem se propõe desempenhar um cargo numa empresa detida por capitais públicos.

Se o Governo se permitiu a prometer a esta administração um estatuto de excepção, errou redondamente, e terá culpas no cartório, mas também é certo que se a administração nomeada exigiu essas excepções, também merece esta rejeição por parte dos cidadãos e dos partidos políticos.


Quem semeia ventos colhe tempestades, é um ditado popular, e não populismo.

segunda-feira, outubro 31, 2016

PALÁCIO DE MAFRA. O ABANDONADO

Numa altura em que o turismo está numa fase de crescimento é lamentável que na Cultura não se esteja atento às potencialidades dum monumento que poderia ter mais protagonismo na captação de públicos, como acontece com o Palácio Nacional de Mafra.

Existem boas notícias com o restauro da Sala de Audiências, resultado do mecenato da Fundação Millenium BCP no valor de 50 mil euros, que vão resultar na recuperação das pinturas murais desta sala.

As más notícias são mais, infelizmente, porque o restauro dos carrilhões ainda não tem datas para acontecer, as visitas aos terraços também não constam das opções de visitas, as visitas que já existiram à Cozinha do Convento, à Sala do Capítulo e a outras zonas que estiveram ao alcance dos visitantes continuam a não existir, apesar da procura.

Também é estranho que o Museu de Escultura Comparada, inaugurado na década de 60 do século passado, mas permanentemente fechado ao público, continue sem poder ser uma opção dos visitantes.

Este monumento sofre bastante pela partilha de diferentes inquilinos, Câmara Municipal de Mafra, Escola de Armas e Direcção Geral do Património Cultural, e outras que eu nem sei se podem condicionar um melhor funcionamento.


Desde a direcção de Ayres de Carvalho, o Palácio de Mafra tem sido difícil de gerir pela distância que sempre teve dos centros de decisão, primeiro os Monumentos Nacionais e depois o Ministério da Cultura ou os seus substitutos. Pode ser que agora quando comemoram os 300 anos do lançamento da 1ª pedra deste monumento, as coisas comecem a mudar.