domingo, janeiro 18, 2015

HOJE VOU SER POLITICAMENTE INCORRECTO



Nestes últimos dias li uma notícia cujo título me chamou a atenção, e o quanto ao texto que se seguia, revelava a dificuldade de entender a mistura de sentimentos que atravessa a cabeça de muitas pessoas que tiveram que deixar as chamadas colónias nos anos 70 do século passado.

Começando pelo título “ para a maioria dos colonos, a possibilidade de abandonar África era nula”, diria que o termo “colonos” é uma simplificação que pode distorcer a compreensão do que se quer perceber.

Talvez fosse importante perguntar aos alvos do estudo se alguma vez se sentiram como colonos, ou se pelo contrário sentiam aquelas terras como as suas terras. Talvez tivessem uma surpresa, pois ignoraram desde o princípio que muitos dos que fugiram para Portugal, eram já naturais daquelas terras, ou nelas tinham as suas vidas há décadas.

Quanto aos traumas e à integração dos que fugiram daqueles territórios africanos, é verdade que existem alguns traumas, outros fugiram deles concentrando-se em refazer as vidas, colocando uma pedra sobre o passado, ainda que nunca tenham conseguido esquecer os territórios que amavam.



8 comentários:

São disse...

A descolonização não foi bem feita e muita gente sofreu por isso, infelizmente.

Sempre defendi a independência dos territórios ultramarinos, porém nem Salazar nem Caetano aceitaram sequer negociar...e o resultado foi um conflito que deixou marcas indeléveis em gerações .

Bom domingo.

Zé Povinho disse...

Eu segui em frente, enfrentei o facto de ter dois filhos para criar e os bolsos vazios. Trabalhei às mesas na Feira Popular, na pica de porões de petroleiros, a carregar sacos de farinha e de açucar, e onde podia ganhar dinheiro, até conseguir emprego mais seguro e mais de acordo com as minhas capacidades. Chorar sobre o leite derramado não servia de nada, e o facto de ter perdido tudo, até a estabilidade familiar (passei por uma separação, não servia de nada, por isso apontei para uma nova vida que tive que construir a pulso em tempos bem difíceis (76/77).
Estou vivo, continuo a amar a minha terra, as suas gentes, mas não penso lá voltar.
Abraço do Zé

Meg disse...

Zé,
Dessa ignorância sobre a vida em África, já me cansei. Eles não sabem, não imaginam nem querem.
Lembrar que os navios chegavam a Luanda cheios de soldados convencidos de que, em vez de encontrarem uma cidade pujante, iam, logo alí, puxar das armas para enfrentar terroristas e leões... Oh... meu Deus! As manhãs de domingo eram para ir receber os soldados, as tardes para ir ao Hospital Militar visitar os feridos - alguns, logo no princípio, com o corpo cravado de tiros de canhangulo, o que incluía pedras, pedaços de metal, enfim, a maior parte das vezes vê-los dar o último suspiro.
Sabem lá o que foi a guerra!!!
Desculpa o desabafo, Zé!
Um abraço

Pata Negra disse...

Grande país, que mo meio de um processo revolucionário, a contas com a necessidade urgente de conceder direitos sociais, em plena crise de petróleo, consegue integrar 1 milhão de retornados - não tenho medo do termo!
Há muita injustiça histórica sobre esse processo e esta é uma delas.
Um abraço correcto

maceta disse...

alguns retiveram uma visão muito conservadora do país esquecido...


cumpts

José Lopes disse...

Meus caros amigos
Eu nasci em Moçambique e essa foi sempre a minha terra. Depois de 1974 fui forçado a escolher uma (só uma) nacionalidade, e com a instabilidade existente à época, escolhi ser português, porque também sempre me senti português. Nunca me senti retornado mas sim refugiado.
O passado é passado, e os únicos lamentos que tenho prendem-se com o retrocesso sofrido por Moçambique derivado dos excessos revolucionários (importados), e nunca esquecerei que fui espoliado dos meus bens, parcos é verdade, e que Portugal nunca me indemnizou ao contrário do que fez noutros casos bem conhecidos.
Lamento ter sido politicamente incorrecto, mas creio que a minha verdade tem que ser conhecida.
Cumprimentos a todos

Maria disse...

Passei por Angola porque o meu pai era militar.
Amei aquela terra, fui feliz e as melhores recordações são de lá. Todos os retornados ou refugiados que conheço continuam a amar aquela terra. Alguns voltaram outros já não o fizeram.
Angola, terra vermelha de mil cheiros, de embondeiros e farta em tudo!
Saudades, muitas saudades...

O Puma disse...

Os povos em liberdade são mais felizes

para definiram a sua vida

Gostei da sua análise ao texto que leu