sábado, outubro 12, 2013

A LÓGICA DA BATATA



Leio jornais todos os dias e compreendo que eles veiculem as notícias que o governo vai soltando a conta gotas, principalmente as que dizem respeito aos cortes com que constantemente somos brindados pelo executivo.
Na realidade para além das notícias do desporto, dos casos de polícia e dos tribunais, resta apenas a política nacional e internacional já que o jornalismo de investigação não existe.
É divertido ver como são tratadas as notícias em dias quase seguidos, como por exemplo ler num dia um título que diz que “corte de salários e pensões é necessário” para baixar o défice, e que a “reforma” do Estado está a ser feita com lógica, seguido dois dias depois por outro título em que se diz que “575 mil funcionários públicos arriscam corte no salário que pode chegar a 10%. Junte-se a isto o editorial deste último dia a sugerir que é quase irrelevante taxar mais os mais ricos (os que auferem mais de 80 mil euros/ano brutos), e noutro lado dizer-se que a subida do IVA reduzido renderia muito mais.
É difícil encontrar a lógica de Passos Coelho, que vai soltando informações antes dos anúncios reais, para ver das reacções, bem como a lógica da imprensa que não comenta o corte indiscriminado dos salários superiores a 600 euros num montante fixo (não progressivo) de 10%, mas se preocupa com as taxas dos mais ricos.
A lógica que impera é a da batata, onde não vale a pena taxar os ricos porque rende pouco, mas pode-se taxar funcionários públicos desde os míseros 600 euros, os reformados, os viúvos, os desempregados e todos os que não recebem mais de 6700 euros mensais…


3 comentários:

  1. A lógica dos batatas...
    Bjos da Sílvia

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  2. Já não há nada lógico, nem batatas para comer em muitas casas!

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  3. Está me parencendo com o filme do "pianista".

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