quinta-feira, agosto 30, 2012

INSULTOS


Já vem sendo hábito ouvir da boca de Passos Coelho uns quantos adjectivos menos próprios, dirigidos ao colectivo dos portugueses, sempre que eles se insurgem contra as intenções do governo.

Já fomos todos chamados “piegas” e agora “histéricos” apenas porque foram manifestadas sérias divergências relativamente às intenções do 1º ministro.

O caso mais recente prende-se com a tão falada privatização da RTP, que afinal se apresentou como uma concessão a privados do serviço público prestado pela RTP.  Não foi a imprensa que inventou esta fórmula, nem foram boatos que criaram tamanha resistência, foi o consultor do governo, António Borges que veio anunciar esta solução.

Segundo o próprio António Borges e também segundo o insuspeito Marcelo Rebelo de Sousa, este anúncio detalhado foi feito com o conhecimento do governo, e o próprio gabinete do ministro que lidera este processo confirmou o seu conhecimento.

Os portugueses têm sido até demasiadamente pacientes, e não piegas, e se há histerismo é da parte de quem usa estratagemas desta natureza, com declarações de terceiros, para apalpar o terreno, mostrando não ter coragem para assumir as suas responsabilidades.

Aos poucos vão-se revelando os reais intentos de quem alcançou o poder nunca revelando as suas reais intenções, antes dizendo contrário do que depois vieram a fazer. Um dia o povo virá cobrar as promessas não cumpridas e o mau resultado das políticas seguidas desde que chegou ao poder.

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quarta-feira, agosto 29, 2012

MERECEDOR DE UMA MEDALHA

Ainda há poucos dias me insurgi contra a ligeireza com que são atribuídas medalhas neste país, porque ao que parece um presumível burlão terá recebido uma condecoração oficial. 

A bem dizer suspeito eu, e muito boa gente, que já foram condecorados muitos indivíduos que vieram a ter condutas moralmente censuráveis e eticamente reprováveis, mas vida tem destas coisas e a investigação do perfil dos condecorados é muito fraquinha. 

Hoje sou eu que acho que há um individuo que é merecedor de uma medalha por ter tido um comportamento louvável ao castigar alguém que tanto mal tem feito ao colectivo, que neste caso são todos os cidadãos deste país. 

Ao que se soube, um indivíduo com alto sentido de justiça, resolveu castigar um representante da troika em Portugal, o austríaco Albert Jaeger, surripiando-lhe a carteira, com muito mais elegância e habilidade, do que a troika tem tido nos últimos tempos. 

Como tem existido “muita flexibilidade” na atribuição das tais medalhas, que tal considerar a atribuição duma, a título excepcional, ao carteirista que de algum modo aplicou a “sua justiça” a quem nos tem tirado a todos muito mais? 

Ditado popular: Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão.

terça-feira, agosto 28, 2012

A FRASE DA SEMANA


“A pobreza está regressar à Europa”, é a frase que sem surpreender os mais atentos, será talvez a mais forte para a opinião pública e porventura para o poder político europeu.

Jan Zijderveld, o responsável pela unidade de negócios do mercado europeu da Unilever, não poupou nas palavras nem colocou paninhos quentes na situação, quando apresentou as soluções da sua empresa para a situação de crise que grassa pela nossa zona económica.

Se a utilização de produtos mais baratos e de embalagens mais pequenas, são quase que óbvias, o que importa referir no discurso deste responsável da Unilever, é que as empresas “sabem como fazer isso, mas na Europa esquecemo-nos disso nos anos anteriores à crise”.

Não serão muitas as empresas a conseguir adaptar-se com a rapidez necessária à situação de crise que vai alastrando pela Europa, mas se todos os empresários e o poder político prestarem atenção ao fato de estar a Europa à beira da pobreza, talvez ainda seja possível evitar a descida ao fundo do poço.


domingo, agosto 26, 2012

MEMÓRIA

Morreu Neil Armstrong o primeiro homem a colocar o pé na Lua em Julho de 1969.


ONE SMALL STEP FOR MAN, ONE GIANT LEAP FOR MANKIND.

sexta-feira, agosto 24, 2012

O CANO DE UMA PISTOLA PELO CU

Eis um texto que circula pelo Facebook e que está a fazer furor em Espanha e não só. Apesar de comprido vale a pena ler na íntegra.

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Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. 

Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.
 
E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.

Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.

Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.

Texto de José Millás (DAQUI


quinta-feira, agosto 23, 2012

ONDE PÁRA A POLÍCIA?


Não falo da comédia cinematográfica, mas sim da realidade nacional onde os burlões andam por aí impunes e ainda recebem medalhas de organismos públicos.

O caso de Carlos Quaresma e da Fundação AGAPE, parece ser um caso exemplar da ineficácia da nossa polícia e da nossa Justiça.

Vale a pena recordar que vivemos num país que tem serviços secretos, mais do que um, polícias de investigação e criminais, mas acaba por se descobrir que existe um caso de burla que dura há anos, porque uma televisão resolveu investigar.

O que dizer disto?


quarta-feira, agosto 22, 2012

O PODER DOS MERCEEIROS


É já de uso comum dizer-se que vivemos num país de merceeiros atendendo ao facto de que algumas das maiores fortunas nacionais serem precisamente de donos de cadeias de hipermercados.

Não é por acaso que nestas empresas existem grandes percentagens de contratados a prazo, nem é por acaso que os hipermercados estão apoiados por grandes cadeias de distribuição que influenciam os preços desde a produção.

Um dos sinais evidentes do poder dos detentores deste tipo de negócio, foi a tal campanha de desconto de 50% em todas as compras no feriado do 1º de Maio, sem qualquer respeito pela lei, aproveitando-se de uma Justiça lenta e ineficaz e de um governo condescendente perante abusos de empresas dominantes.

A nova ofensiva do grande merceeiro é agora a da restrição do uso de cartões de crédito e débito em transações de valor abaixo dos 20 euros. Pode parecer um mal menor mas esta pressão sobre os bancos e sobre as comissões cobradas nestas operações, poderá vir a transferir-se para os consumidores.

Se a banca e a SIBS cederem perante os grandes do retalho, ninguém duvide que o alívio das taxas será compensado por encargos imputados aos portadores dos cartões. Não sejamos ingénuos porque as entidades financeiras não estarão dispostas a renunciar às receitas que resultam do uso dos cartões.    


segunda-feira, agosto 20, 2012

MEMÓRIA

Esta música foi um marco para o pessoal da minha geração razão pela qual a morte do seu intérprete, lembro aqui. Passaram-se muitos anos sobre o aparecimento da canção, mas o desejo de paz e de liberdade continua.

domingo, agosto 19, 2012

A DEMOCRACIA NO MUNDO


O mundo ocidental manteve durante anos um discurso favorável à democracia e criticou tenazmente a falta de democracia noutras paragens, mas com a globalização muitos foram os que pensaram que era a oportunidade de ver outras paragens a abraçar a democracia.

Os tempos têm vindo a mostrar que com as preocupações com a economia a democracia tem vindo a perder terreno apesar das aparências, para desencanto mesmo dos mais optimistas.

Enquanto alguns apontam o dedo à Rússia de Putin, pelos casos mediáticos da banda feminina que se atreveu a criticar Putin, ou por causa da proibição da parada do orgulho gay durante 100 anos, na África do Sul dispara-se sobre manifestantes matando mais de 34 pessoas e Londres e os EUA não reconhecem asilo diplomático de Assange no Equador.

São apenas alguns casos conhecidos nos últimos dias, mas fazem-nos recordar Guantanamo e os últimos dias de Pinochet, para se entender o profundo cinismo político dos Estados, que têm muitas vezes discursos que variam segundo os interesses de cada momento.

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Humor na Crise

sábado, agosto 18, 2012

POLÍTICAS DE EMPREGO?


Quem não se recorda das críticas feitas por Passos Coelho, Paulo Portas e de outros membros dos dois partidos que formam a maioria que nos (des) governa, num passado recente em que estavam na oposição?

Mesmo os mais distraídos devem recordar-se, mas o mesmo não acontece com essa gente que levou o país a taxas de desemprego nunca vistas, mas que não se sente responsável pela situação. Críticas e promessas na boca de políticos, não passam de tretas.

E o que dizer do emprego que ainda existe? Insegurança absoluta e ordenados cada vez menores. O trabalho temporário mais do que duplicou e já atinge a maioria dos portugueses, em percentagens muito acima da média europeia, pelo que as alterações às leis do trabalho apenas visaram precarizar o emprego para diminuir os salários, e isso não é bom para economia, como já se percebeu.

O dinheiro atirado para o bolso do patronato, que foi anunciado como uma ajuda à criação de emprego, é apenas mais um bónus para os maus patrões, e mais um desfalque à Segurança Social, que vai ficando cada vez mais pobre.

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Humor e Desemprego