terça-feira, julho 10, 2012

ACABAR COM O MITO

Temos ouvido da boca de diversos dos comentadores ligados ao poder e dos partidos do governo, e por diversas vezes, que O Estado tem muitas “gorduras”, e que é preciso cortar nos funcionários públicos porque o patrão Estado gasta mais do que pode. 

Convém recordar que o défice do Estado quando Cavaco Silva foi para o governo era duma dimensão muito inferior à actual e que começou a aumentar ao mesmo tempo que entravam os dinheiros da então CEE. 

Começando a partir dessa época podemos ver que todo o dinheiro era encaminhado para a chamada política do betão e do asfalto, cujos beneficiários eram as empresas privadas de construção civil. A construção cresceu, vendiam-se casas, lucravam os bancos e o país começava a endividar-se beneficiando as empresas destes sectores. 

Acabou-se com a agricultura e com as pescas, e os grandes proprietários com terras e com embarcações, privados bem se sabe, amealharam os dinheiros vindos de Bruxelas. Tudo continuou de velas enfunadas até que os dinheiros da Europa começaram a diminuir, mas não se podia parar a maré. 

Com a diminuição da contribuição europeia, vieram os grandes projectos e grandes empréstimos fitos no exterior, e lá surgiram mais estradas, estádios de futebol e uma Expo que foi o orgulho nacional, só que ninguém dizia que o país estava a ficar mais endividado. 

Quando começaram a surgir umas luzinhas de alarme, começou a dizer-se que era preciso privatizar em força, e mais uma vez se começaram a entregar fatias das grandes empresas do Estado a privados, porque havia compromissos a pagar. Tudo o que era lucrativo começou a ser alienado, mas não se disse que as receitas dessas empresas estavam a ser retiradas ao Estado e que isso iria implicar a subida dos impostos a curto prazo. 

O bodo continuou com as PPP, onde o Estado garantia o lucro dos privados por 30, 40 ou mais anos e ainda ficava como avalista dos empréstimos internacionais. No caso das Scut a vergonha ainda foi maior, porque havia uma comparticipação europeia destinada a beneficiar a comunidade e afinal passaram a ser pagas pelos utilizadores e o Estado ainda ficou obrigado a garantir rendas chorudas aos concessionários. 

Tudo isto aconteceu sem que os comentadores ligados ao poder e os partidos que passaram pelos diversos governos viessem dizer que o Estado se estava a endividar e a entregar tudo o que era lucrativo para benefício de privados. Agora dizem todos que foi o Estado que se endividou e que gasta mais do pode, sem nunca aludir quem teve responsabilidades ou quem beneficiou durante todos estes anos em que o endividamento foi aumentando. 

Finalizo dizendo que, a menos que os juros da nossa dívida passem para taxas perto de 1%, Portugal nunca terá capacidade para pagar a sua dívida actual, porque seria preciso haver um crescimento muito alto para se conseguirem pagar os juros e amortizar a dívida. Os comentadores e políticos da área governamental sabem isso, mas não o dizem porque é uma verdade inconveniente. 


5 comentários:

São disse...

Pois é, pois é...

uma vergonha esta classe política e seus acólitos!!

Bom serão.

O Puma disse...

Tenhamos esperança
nos desígnios da cadeira
que ofereceram ao Cavaco

Anónimo disse...

Onde estão os gulosos que mamarão os dinheiros da CEE, os subsídios para não produzir produtos agrícolas, para abater embarcações. Onde estão os administradores da empresas que foram do Estado, como a EDP e a GALP que pediram dinheiro emprestado e deixaram a conta para o Estado? Onde estão os empresários que mamarão baludios para dar cursos de formação que eram uma bandalheira? Foram os funcionários públicos que beneficiaram com essa trampa toda? Foi o Estado (que somos nós) que beneficiou com as falcatruas todas? Onde estão e quem são os que benefiaram com este endividamento e esbanjamento de riqueza?
lol

AnarKa

Anónimo disse...

Até quando se permitirá esta falta de vergonha?


LUIZ

Metalurgia das letras disse...

A novela política parece ter fio para longa data. Só me resta assistir aos próximos capítulos enquanto ainda tenho dinheiro para pagar a conta da energia elétrica.