terça-feira, junho 12, 2012

PALAVRAS DE UM FAISÃO

Perdi-me d'amor! 

É uma pomba muito azul - 
Um azul cor de céu quando há sol; 
E hei-de fugir com ela 
Por causa dum rouxinol ciumento 
Que me apoquenta 
Dizendo Melodias de ironia penetrante. 
Iremos A esse país nevoento, 
Lendário, belo, distante, 
Lá onde a Lua se esconde 
Em névoas que eternamente lá pairam... 

Ó névoa, porque envolveis 
O país de Lord Byron? 

Às vezes 
Penso num pajem que me teve 
E num rei que me beijava 
Quando a Rainha dormia... 
Mas quando lho disseram 
Bateu-me tanto 
Que eu em longos ais morria... 

Não ouvem?... 

 Lá continua 
De novo 
O rouxinol a dizer... 
Ai, mas, se houver 
Uma pequena verdade 
No que ele insinua - 
É lume caindo numa ferida - 
Jamais aqui voltarei. 

Num lago da velha Escócia 
Darei fim à minha vida. 

António Botto

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Foto - Papoilas
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Humor e Critérios
Austeridade à la carte

3 comentários:

São disse...

Porque é o amor sem+pre assim tão duro?

Roubei-lhe a papoila, rrss

Um bom dia de Santo António, com saborosa sardinha

Metalurgia das letras disse...

Um amor muito forte pode ter fins não muito romântico. Me remeteu ao "Romeu e a Julieta" Este faisão é muito escocês também...

Pata Negra disse...

Esse Boto morreu como?!
Um abraço do hospício