segunda-feira, maio 21, 2012

CENSURA E CRIATIVIDADE

Dos déspotas provêm, até certo ponto, os pensadores. A palavra acorrentada é terrível. O escritor duplica e triplica o seu estilo, quando um senhor impõe silêncio ao povo. Sai desse silêncio certa plenitude misteriosa que se filtra e se condensa em bronze no pensamento. A compreensão na história produz a concisão no historiador. A solidez granítica de tal ou tal prosa célebre não é mais do que um amontoamento feito por um tirano. 

A tirania constrange o escritor a circunscrições de diâmetro, que são alargamentos de força. O período ciceroniano, apenas suficiente para Verres, sobre Calígula embotar-se-ia. Quanto menor for a exuberância da frase, maior será a intensidade do golpe. Sirva de exemplo a concisão de Tácito no exprimir e a sua veemência no pensar. A honestidade de um grande coração, condensada em justiça e em verdade, fulmina. 

Victor Hugo

4 comentários:

maceta disse...

passo a passo mostram a sua raça...

cumpts

Metalurgia das letras disse...

Contra uma ótima criatividade não há censura que resista...

O Puma disse...

Cuidado com os Coelhos

e a Relva à solta

elvira carvalho disse...

Cresce por aí uma Relva que qual galracho quer sufocar tudo à sua volta.
Um abraço