sexta-feira, fevereiro 03, 2012

DESCARTES

A Força da Alma não Basta sem o Conhecimento da Verdade

É verdade que há pouquíssimos homens tão fracos e irresolutos que desejem apenas o que a sua paixão lhes dita. A maioria tem determinados julgamentos, pelos quais pautam uma parte das suas acções. E embora frequentemente esses julgamentos estejam errados, e mesmo se fundamentem em algumas paixões pelas quais a vontade anteriormente se deixou vencer ou seduzir, entretanto, como ela continua a segui-los quando a paixão que os causou está ausente, podemos considerá-los como suas prórpias armas, e pensar que as almas são tanto mais fracas ou mais fortes quanto menos ou mais conseguirem seguir esses julgamentos e resistir às paixões presentes que lhes são contrárias.


Mas há no entanto grande diferença entre as resoluções que procedem de alguma opinião errada e as que se baseiam apenas no conhecimento da verdade; tanto que, se seguirmos estas últimas, estamos seguros de nunca sentirmos pesar nem arrependimento, ao passo que sempre os temos por haver seguido as primeiras, quando descobrimos que estão erradas.


René Descartes, in 'As Paixões da Alma'


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Foto - Margaridas

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Humor e Austeridade

5 comentários:

Metalurgia das letras disse...

Guardião, posso filosofar um pouquinho? “Se penso logo existo” - Dificil é provar para um político a existência das outras pessoas. - “Não há nada no mundo que esteja melhor repartido do que a razão: toda a gente está convencida de que a tem de sobra” - Até os pessímos politicos acreditam nisso. -“Mas o que sou eu então? Uma coisa que pensa. E o que é uma coisa que pensa?”. - Para mim é tudo menos um politico pensando. – “Quase nunca me fio nos primeiros pensamentos que me vêm à mente”. - Nem nas primeiras ações tão pouco nas últimas ações praticadas por eles... Acho que aprendi alguma coisa com o René não é mesmo? Mais ainda prefiro: To be or not to be that's the question de Shakespeare.

Anónimo disse...

Os seres inteligentes andam sempre em busca da verdade, e mesmo sem a encontrarem acabam por ter umas quantas certezas. A razão e a paixão nem sempre trilham os mesmos caminhos, mas fazem ambas parte da vida.
Bjos da Sílvia

C Valente disse...

Saudações amigas e bom fim de semana

Graça Pereira disse...

A razão e a paixão deviam andar de braço dado à procura da verdade para que a medida não seja nem oito, nem oitenta! Os políticos pensam? Não conheço nenhum...
Abraço
Graça

LopesCa disse...

Excelente filosofia :)