quarta-feira, agosto 03, 2011

A ECONOMIA DA VIDA

Todos sabemos que não podemos gastar o que não temos, e que isso nos obriga a fazer uma boa gestão do que temos. Os portugueses, que até são dos europeus que auferem salários mais baixos, são exímios nesse tipo de gestão, mas não serão todos.

Há quem em Portugal tenha muito pouca noção das dificuldades, e muita dificuldade em saber onde está o desperdício e a ostentação inúteis.

Álvaro Santos Pereira, o ministro da Economia, condenou o “ambiente de ostentação” do anterior executivo, e deu como exemplo ter encontrado carros de alta cilindrada, contratos de leasing, um número de motoristas elevado (45) e decidiu cortar 15. Depreende-se que cortou 15 motoristas, mas sobre os tais carros de alta cilindrada, nada terá decidido.

O mesmo ministro, que se diz de acção, encontrou buracos nas empresas de transportes, e imediatamente aumentou as tarifas em valores que chegam a mais de 8 vezes o valor da inflação, e falou em poupanças.

O Álvaro, que é ministro, esqueceu-se de que tudo aumentou menos os salários? Como pretende ele que se desloquem para o trabalho aqueles que trabalham e têm salários de miséria? Pensará este senhor que assim baixará a factura energética do país, se aumentará a produtividade, e aumentará o uso dos transportes públicos?

O senhor ministro está divorciado da realidade, e está a aumentar as dificuldades de quem já não tem mais por onde poupar. Cortar na mobilidade e nos transportes públicos não é cortar na despesa do país mas é de certeza agravar a miséria e o descontentamento, o que tem reflexos na economia, na produtividade e na paz social.

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Foto Florida

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Humor e Concorrência

3 comentários:

Anónimo disse...

O menino da mamã, ou copinho de leite como lhe chamam, não sabe o que é viver com 500 ou 600 euros por mês, pagar alimentação, casa, água, luz e transportes para ir trabalhar. Cortou nos motoristas para pagar à secretária a tal que é super.
Estou farto de palhaçadas coloridas a rosa e laranja.
Lol

AnarKa

São disse...

Ouvi o Álvaro ontem e mais uma vez fiquei a saber que para cotar despesas(como a diminuição da cilindrada dos carros e afins, por exemplo) o Governo ainda está em estudos mas que para nos afinfar o corte de 50% do subsídio de Natal - mesmo a quem o não recebe- nem dos ditos precisou.

Saudações

elvira carvalho disse...

Uns dois anos depois do 25 de Abril, uma jornalista entrevistou uma mulher do povo, uma mulher a quem não fixei o nome. Perguntou-lhe se a vida dela tinha mudado com o 25 de Abril e a mulher respondeu que sim.
-Mas vive melhor agora? insistiu a jornalista.
- Muito melhor menina. Antes almoçávamos pão com azeitonas. Agora almoçamos pão com chouriço, - respondeu prontamente a mulher.
Lembro-me muita vez desta entrevista, e por vezes penso que a continuar assim daqui a pouco o país está outra vez a pão e azeitonas.
Um abraço