quarta-feira, junho 08, 2011

OS PRAZOS POLÍTICOS

A campanha eleitoral que terminou há poucos dias foi muito pobre do ponto de vista de esclarecimento político, especialmente no que respeita à informação aos eleitores do ritmo de aplicação das medidas constantes do memorando assinado com a troika, e no impacto que essas acções terão na vida dos cidadãos.

Na opinião de muito boa gente, razoavelmente informada, o que se tentou passar aos eleitores foi a ideia de que o resgate da dívida era inevitável, e que com ele vinham as obrigações impostas no documento assinado. Esta ideia foi muito bem embrulhada, deixando-se de lado as responsabilidades de quem nos conduziu até este ponto, e dando-se como adquirida a ideia de que o que aí vem é apenas da responsabilidade da troika.

A realidade é bem mais feia e as medidas que mais impacto terão na vida dos portugueses vão estar implementadas antes do final de Setembro, ou seja, aproveitando as férias do pessoal. Entre essas medidas, recorde-se, estarão as novas taxas moderadoras na saúde, os aumentos dos preços dos transportes e da energia, a diminuição da Taxa Social Única e a consequente compensação dessa perda de receita que terá de conseguida por aumento de algum outro imposto ou taxa, e os despedimentos sem justa causa.

Quando terminarem as férias os portugueses irão aperceber-se da extensão dos sacrifícios que lhes vão ser impostos, que o governo dirá ser uma exigência da troika. Sem responsabilidades assumidas por nenhum dos partidos políticos que assinaram o memorando, vamos andar a todo o vapor tentando cumprir o que está no documento, com a consciência plena de que daqui a ano e meio (porque sou comedido) estaremos novamente num sufoco pior do que o actual porque o país assim não pode crescer.

Não sei quanto tempo irá durar o próximo governo, mas não auguro nada de bom para o seu futuro, porque não se pode governar sem o apoio do povo e muito menos contra ele, e as medidas preconizadas para os próximos tempos não terão o apoio popular nem serão compreendidas por muitos dos que agora votaram na coligação que formará governo.

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Humor e Poder
Responsabilidade
Limpeza

4 comentários:

Anónimo disse...

Quando a malta vier de férias é que vão ser elas. Na campanha eram só flores, as cólicas estavam guardadas para depois, e aí vai ser um chorrilho de asneiras que nenhum Coelho gosta de ouvir.
Lol

AnarKa

Isamar disse...

Caro Guardião, presumo que os tempos que se avizinham irão ser muito duros. E falo em mais de uma década. Não acredito, até prova em contrário, que consigamos sair deste buraco negro, onde fomos enfiados, tão cedo.

Bem-hajas!

Abraço fraterno

opolidor disse...

Esse é o retrato! o silenciamento para melhor engolir todo o tipo de imposições, resultado da leviandade acumulada pelos pretensos responsáveis políticos, E convem dizer que este resultado deriva não só do último governo, mas de todos eles desde o 25/74, porque não houve uma vontade de resolver a "parte técnica" da questão...

abraço e bom artigo

Graça Pereira disse...

Não sei se conseguiremos sair deste buraco e por várias razões: má governação desde o 25 de Abril, falta de honestidade e muita corrupção de quem devia estar ao serviço e não "servir-se", má educação cívica e patriótica deste povo que caiu tb no esbanjamento e pensa que a árvore das patacas ainda tem muito para dar, uma juventude (e não só) preparada para o emprego e não para o trabalho, uma União Europeia que não tem nada de unida e o "papão" de sempre pronto a engolir os mais fracos e incautos! É uma lista demasiado dificil e acho que nem com santo António, lá vamos!
Queira Deus que me engane!
Bj e bom fds
Graça