domingo, maio 22, 2011

ANJO CAÍDO

Na flor da vida, formosa,
ingénua, casta, inocente,
eras tu no mundo, rosa!
Quem te arrojou de repente
para o abismo fatal?
Viste um dia o sol de abril;
o teu seio virginal
sorriu alegre e gentil.


Ergueu-se aos clarões suaves
d'aquela doce alvorada
a tua face encantada.
Amaste o doce gorjeio
que desprendiam as aves,
e no teu cândido seio
quanto amor, quanta ilusão
alegre pulava então.


Mal haja o fatal destino,
maldita a sinistra mão,
que em teu cálix purpurino
derramou fera e brutal
esse veneno fatal.


Hoje és bela; mas teu rosto
que outrora alegre sorria,
é todo melancolia!


Hoje nem sol, nem estrela,
para ti brilha no céu;
mal haja quem te perdeu!
 
Raimundo António de Bulhão Pato

2 comentários:

opolidor disse...

a rosa desfolhada, de pétalas caídas...
abraço

Anónimo disse...

Bom gosto na poesia e na música.
Bjos da Sílvia