segunda-feira, dezembro 07, 2009

ARY, DE NOVO!

RETRATO DO POVO DE LISBOA


É da torre mais alta do meu pranto


que eu canto este meu sangue este meu povo.


Dessa torre maior em que apenas sou grande


por me cantar de novo.



Cantar como quem despe a ganga da tristeza


e põe a nu a espádua da saudade


chama que nasce e cresce e morre acesa


em plena liberdade.



É da voz do meu povo uma criança


seminua nas docas de Lisboa


que eu ganho a minha voz


caldo verde sem esperança


laranja de humildade


amarga lança


até que a voz me doa.



Mas nunca se dói só quem a cantar magoa


dói-me o Tejo vazio dói-me a miséria


apunhalada na garganta.


Dói-me o sangue vencido a nódoa negra


punhada no meu canto.



Ary dos Santos



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Omar Turcios

Oktay Bingol

4 comentários:

Pata Negra disse...

Se é tempo de Ary, aryemos pois, pois que outra palavra melhor termos para cumprir este momento.
Um abraço ary

Ferreira-Pinto disse...

Mais um momento de eleição!

Meg disse...

Guardião,

Se temos saudades nesta comemoração do seu aniversário!
O que ele "gritaria" se fosse vivo!
Talvez por issi esteja a ser tão recordado nos blogs.

Bem hajas!

Um abraço

C Valente disse...

Saudações amigas