sexta-feira, dezembro 18, 2009

OPORTUNIDADE E OPORTUNISMO

Em quase tudo na vida é possível concordar-se com algo ou discordar com isso mesmo. As condicionantes são diversas, e influenciam a nossa opinião. As decisões mais difíceis, talvez mesmo as mais importantes colocam-nos de um dos lados de uma qualquer barricada, e a razão pode estar noutro lugar qualquer, ou até assistir a ambos os lados.

Estava a pensar na anunciada greve dos trabalhadores das grandes superfícies na véspera de Natal. Já ouvi alguns a barafustar afirmando que vão ser prejudicados porque era precisamente na véspera de Natal que tinham planeado as compras. Estes são os possíveis clientes, mas também temos os patrões, e a UGT, que vêm dizer que não é oportuna a greve e que o emprego é mais importante que os direitos, e que se querem lutar esta não é a ocasião mais propícia.

Tudo é passível de ser rebatido, começando pelo argumento dos que se sentem prejudicados, que bem podem recorrer ao mercado tradicional, contribuindo para a manutenção de muitos mais postos de trabalho, o que a UGT estranhamente não refere. Quanto ao patronato também se pode perguntar se é oportuno aumentar agora o horário de trabalho para as 60 horas, afinal estamos na quadra das festas da família?

Eu faço as minhas compras com tempo, se me esquecer de alguma coisa, tenho bons vizinhos a quem recorrer, e o conveniente plano B. Com o vencimento que a maioria dos empregados dos grandes centros comerciais ganha (uma ninharia), a vontade e o estímulo para encher a barriga aos patrões deve ser igual ou abaixo de zero. Porque raio terá um empregado de uma grande superfície trabalhar 60 horas semanais quando isso favorece o patrão e não pode tirar por exemplo as férias quando mais lhe convém devido às férias dos filhos ou do cônjuge?

Alguém acha que existe equilíbrio nas relações laborais? Talvez comece a ser altura para se pensar até onde é que estamos dispostos a ceder enquanto trabalhadores por conta de outrem! Eu estou à beira da reforma e não trabalho em nenhuma grande superfície.



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Foto Estranha
Японские мотивы

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Humor Premiado
Cristobal Reinoso

Arif Sutristanto

10 comentários:

Anónimo disse...
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Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Mesquinhez e egoísmo são exemplos da pequenez. Um dia, mais tarde ou mais cedo, o que está a acontecer aos outros toca-nos à porta.
Bjos da Sílvia

Anónimo disse...

O equilíbrio implicava que o Estado fosse mediador e/ou regulador nas relações laborais e isso não acontecem sendo claro que o Estado escolheu favorecer o campo patronal.
Lol

AnarKa

São disse...

Equilíbrio nas actuais relações laborias?! Nem sequer em sonhos!!

Bom fim de semana.

Meg disse...

Guardião,
Também não entendo por que há-de haver gente a precisar de fazer compras no dia 24.
Não será comodismo e falta de solidariedade?
As pessoas não podem escolher estar doentes no Natal, por isso os hospitais não fecham.
Agora as grandes superfícies...!!!!
Eu já fiz as minhas compras de Natal e Ano Novo, embora tivesse levado com os tectos falsos "na cabeça"...
E não devia haver uma centena de pessoas lá dentro...
Claro que ir no dia 24 - por que não 25, já agora - deve ser muito mais emocionante.
Não há paciência, parece que o pior do país são mesmo os portugueses.

Bom fim de semana.

Um abraço

Pata Negra disse...

Então e esses trabalhadores? Não têm direito a fazer compras no dia 24? Essa greve é assim tão prejudicial que tenha que haver uma requisição civil? 60 horas? Sol a sol? Novo código de trabalho? UGT? Greve?
- Não! Não vai haver greve e sabem porquê? - medo!!!!!!!!! O direito desses trabalhadores à greve só existe no papel!
Estou solidário com todos esses trabalhadores e ficar~lhes-ia muito grato se não pudesse realizar compras nesse dia!
Um abraço sem códigos

Anónimo disse...
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Anónimo disse...
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Jorge P.G disse...

É uma violência trabalhar 60 horas semanais e é maior violência querer trabalhar e não arranjar emprego, mesmo que precário e explorador.
Nesta terrível corda sem rede por baixo caminha muita gente, enquanto que os empregadores, claro, não têm a menor sensibilidade para os interesses legítimos de quem também é gente e tem família.
No fundo, trata-se do velho dilema entre a oferta e a procura. E a espada está sempre do mesmo lado!

Cumps.