sexta-feira, outubro 02, 2009

MEU CORPO, QUE MAIS RECEIAS?

-Meu corpo, que mais receias?

-Receio quem não escolhi.


-Na treva que as mãos repelem

os corpos crescem trementes.

Ao toque leve e ligeiro

O corpo torna-se inteiro,

Todos os outros ausentes.


Os olhos no vago

Das luzes brandas e alheias;

Joelhos, dentes e dedos

Se cravam por sobre os medos...

Meu corpo, que mais receias?


-Receio quem não escolhi,

quem pela escolha afastei.

De longe, os corpos que vi

Me lembram quantos perdi

Por este outro que terei.


Jorge de Sena




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Outono
Jannusik

7 comentários:

Anónimo disse...
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Ferreira-Pinto disse...

Uau ... a fama deste rincão blogosférico já chegou a Taiwan :)

Gostei da visão das folhas em tons outonais.

Anónimo disse...
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adrianeites disse...

escreve-se por estas com um portugues esquisito... acreditem que não percebo nada..lol

Anónimo disse...
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Meg disse...

Caro Guardião,

Estou finalmente de férias, e com tempo para os amigos - que as minha férias são cá dentro (de casa mesmo, preciso de silêncio, de estar comigo e convosco, aqui, assim!)

Jorge de Sena, um dos meus poetas preferidos, obriga-nos a reflectir em mais este poema...
Nunca é demais estar com ele.

Um bom fim de semana prolongado e um abraço.


ps: que praga, estes anónimos... eu elimino-os na hora.

O Guardião disse...

Peço desculpas pelas garatujas que começam a ser habituais, mas o tempo não abunda e nem sempre consigo apagar isto.
Cumps
José Lopes