terça-feira, janeiro 27, 2009

DE BESTIAL A BESTA

Vivemos numa sociedade onde o egoísmo e a inveja imperam e são estimulados, apontando-se o sucesso como uma meta ao alcance de muitos, não se valorizando convenientemente o bem comum que acaba por ser a única garantia real, na qual podemos encontrar refúgio quando as coisas nos correm mal.

A Quimonda foi apontada como um caso de sucesso, e ouvimos falar nuns quantos que encabeçaram o tal sucesso quando as ajudas públicas vieram e se planeou a sua expansão e internacionalização. Os seus trabalhadores, que eu tenha lido ou ouvido, nunca foram parte do tal sucesso, nas referências da comunicação social, dos analistas económicos ou dos políticos que cavalgaram o sucesso da empresa.

A empresa está na iminência de encerrar, a menos que apareça um grande investidor que a salve, e os trabalhadores estão à beira do desemprego. As ideias iniciais eram bestiais, os promotores eram bestiais, os produtos eram bestiais, o governo apostou numa empresa bestial, e veio uma tormenta e ficou tudo à beira do abismo.

A Islândia também era uma economia bestial, o mercado de capitais que a sustentava era bestial, as empresas de rating diziam que a economia era bestial, com uma classificação AAA por não poderem usar mais letras, mas a banca rota chegou, a economia afundou-se bem como a moeda, e o governo caiu.

De bestial a besta, num mundo que prega o sucesso individual e de preferência muito rápido, vai um pequeno passo, que o cidadão normal paga muito caro, quer quando há coisas bestiais, quer quando as bestas falham rotundamente, como está a acontecer agora.



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6 comentários:

C Valente disse...

Hoje em dia nada é certo, e caminhos estranhos estamos a percorrer
Saudações amigas

Jorge P.G disse...

A facilidade com que, quem deve ser responsável e assisado nas decisões, embarca em projectos "fantásticos" de forma absolutamente irresponsável, é no mínimo assustadora.
Em Portugal,os ministros bestiais que temos dizem coisas absolutamente próprias de bestas caso estas falassem : "Não há GPS para a crise. Temos que nos guiar pelas estrelas, mas o pior são as nuvens" - Teixeira dos Santos, Min. das Finanças.
E esta foi apenas a última...

Cumps.

Anónimo disse...

O Teixeirinha andou a tirar um curso acelerado de topografia há 30 anos, e agora fica confuso com o GPS que é uma modernice que não existia quando ele foi à tropa.
Lol

AnarKa

Anónimo disse...

Andam por aí umas bestas a bramar contra teorias da cabala, mas a minha burrica diz-me que cabala deve ser algum animal mítico, porque não existe nem no mar nem na terra que pisamos.
Teimosos que nem mulas, isso sim é conhecido e aplicável.
Fui
Joca

Nocturna disse...

Ásperos são os tempos que nos couberam em sorte viver .
De facto, os trabalhadores, nunca fazem parte da história de sucesso das empresas, parecendo que são os gestores que fazem tudo, desde ligar as máquinas a varrer o chão.Também ninguém se lembra de lhes agradecer os lucros das empresas.
Os empresários quando têm sucesso gastam o dinheiro e fogem de pagar os impostos devidos ao Estado. Quando as coisas correm mal correm para os braços do governo pedindo ajuda,despedem empregados e pedem o dinheiro que é de todos nós, os contribuintes( nosso, portanto).
Um abraço nocturno e sem grande esperança , numa mudança.

Ferreira-Pinto disse...

Uma das preocupações que todos devíamos ter neste momento, mais que a crítica e a basófia aos governos, é a ausência de qualquer modelo alternativo.

Dos EUA à Alemanha vemos governos desesperados a atirar rios de dinheiro a empresas que logo pedem mais, que aproveitam para despedir aos milhares (em 2 dias são 85.000 sem emprego e trabalho); paralelamente, pede-se baixa de impostos para aumentar o consumo privado ou o investimento (mas isso levou aos actuais níveis de endividamento) ou investimento em obras públicas.

Nada mais que isso.