terça-feira, setembro 23, 2008

A DEFESA DO CAPITALISMO

Com a crise dos mercados financeiros que estoirou nos últimos meses, e ameaça continuar a fazer estragos durante mais algum tempo, começaram a aparecer os que anunciaram a morte e enterro do capitalismo e como é evidente, os que vieram proclamar a boa saúde do sistema que teria a virtualidade de excluir as más sementes, e regenerar-se a si próprio com todo o esplendor.

O povo costuma dizer que não há maior cego do que o que não quer ver, e nesta matéria nem uns nem outros têm razão. O sistema foi funcionando nos últimos anos, com os inconvenientes sociais causados pela má divisão da riqueza, até que a ganância dos homens introduziu produtos altamente especulativos, sobre os quais não havia qualquer tipo de controle ou regulação, que levaram a uma espiral de especulação que acabou por estoirar nas mãos das grandes instituições.

Será que eu via virtualidades no capitalismo actual? Sinceramente não, pelo menos neste capitalismo ultraliberal que tem caracterizado a última década, com Estados cada vez com menor poder de intervenção e com especialistas na matéria que afirmavam a pés juntos que o mercado se regulava a si próprio.

O resultado viu-se nos últimos dias. Os mercados afundaram-se, grandes sociedades financeiras entraram em falência e começou a temer-se que as pensões garantidas por fundos privados das grandes empresas fossem por água abaixo, causando um verdadeiro descalabro social. É aqui que os defensores da economia completamente liberalizada atiram para trás das costas as suas convicções e anseiam pela intervenção dos bancos centrais, que tiveram que injectar biliões de dólares e euros do dinheiro de todos os contribuintes, para evitar o desastre causado pela gestão irresponsável e criminosa dos gestores dos gigantes do mundo da finança.

O capitalismo não morreu, ainda, mas sem a utilização do dinheiro dos contribuintes, o seu óbito seria inevitável tal a perturbação social que resultaria do colapso de muitos dos gigantes da finança mundial.



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8 comentários:

Ferreira-Pinto disse...

Mas na hora do aperto, se virmos bem, Bush e os "neo cons" mandaram o liberalismo às malvas e apelaram ao socialismo de Estado para salvar os bancos que se afundavam!

São disse...

Os liberais e conservadores mais quem os apoia deveriam ter vergonha!
Então, se há uma mão salvadora porque intervém o Estado?!
Saudações.

Mia disse...

O capitalismo está doente como tu dizes e baixar os braços é perda de tempo.
Mãos à obra que se faz tarde.
beijinhos

José Miguel Gomes disse...

Não sei qual morrerá primeiro... Se o capitalismo... Se nós...

Fica bem,
Miguel

elvira carvalho disse...

Quem espera desespera, e nós andamos todos a ficar desesperados.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

O pior é que o colapso do capitalismo, na sua forma mais dura, vai arrastar os que confiaram em sistemas de saúde e segurança social privados e não só.

Abraço

Jorge P.G disse...

O problema é grande.
Com o falhanço do sistema capitalista, também se afundam os pequenos aforradores e os que apostaram em sistemas privados que lhes assegurassem melhores condições na velhice.

Virá a seguir o quê? um capitalismo de Estado? Uma nova ordem legitimada pelo voto? Uma ditadura dos partidos? O reconhecimento da dispensabilidade do Estado?

Cumps. do meditabundo Sineiro.

Anónimo disse...

Liberais, liberais, mas só até sentirem o fogo a chegar-lhes às partes baixas, porque aí berram pela intervenção dos dinheiros públicos, e movem os cordelinhos para que ninguém lhe venha assacar responsabilidades. É pena é que ainda hajam muitos papalvos que ainda acreditam na autorregulação do poder económico. Artolas!
Lol

AnarKa