segunda-feira, março 10, 2008

AVALIAÇÃO E CARREIRAS

Já aqui chegaram alguns comentários sobre as avaliações na função pública de pessoas que, embora desconhecendo o que está consignado na lei, continuam a afirmar que são inteiramente a favor desta reforma agora em vigor. Evidentemente que tenho todo o respeito por quem emite a sua opinião sincera, mas achei que um artigo do DN de 10 de Março era bastante elucidativo, para quem se desse ao trabalho de o ler.

Começo por deixar alguns excertos bem elucidativos como, “A partir do próximo ano, a maioria dos funcionários públicos vai levar mais tempo a progredir na carreira e o seu percurso será muito mais imprevisível. Porém, para uma minoria "felizarda", atingir o topo será mais rápido”, ou “O sistema formal e rígido que esteve em vigor até 2004 vai ser substituído por mecanismos flexíveis que, embora se baseiem em critérios de avaliação objectivos, darão ao dirigente uma margem de manobra "subjectiva" muito maior do que antigamente. O regime de vínculos e carreiras prevê cláusulas excepcionais que agilizam o posicionamento do trabalhador recém ingressado na administração e as alterações de níveis salarial, tudo em função da opinião do respectivo dirigente.”

Antes destas alterações, a subida de categoria estava condicionada por um concurso público, ainda que o mesmo pudesse estar armadilhado por requisitos que “podiam ser à medida” de certos candidatos, mas havia sempre a possibilidade de recurso e até de impugnação, o que aconteceu bastas vezes. Com as novas regras passa a ser possível admitir alguém que não entre pela base da carreira, podendo o posicionamento na grelha ser “negociado” entre o candidato e o dirigente, mas além disso até há excepções interessantes, um chefe pode fazer um funcionário “subir” mais do que um nível remuneratório, desde que não ultrapasse outros colegas que tenham melhor classificação de desempenho.

Já agora mais uma curiosidade do sistema, as mudanças de escalão podem ser de 2 em 2 anos, com a classificação de excelente (5% do universo), ao fim de três anos com relevante (20% do universo), ou ao fim de 5 com um desempenho adequado (75% do universo). Antes que me esqueça, isto acontece se existir dotação orçamental, mas se não houver, serão necessários 4 anos em vez de 2, 5 em vez de 3, e 10 em vez de 5.

Pode ser que ainda haja quem esteja de acordo com este modo de estimular a produtividade e premiar o desempenho dos funcionários públicos, mas mantenho a minha opinião inicial, isto é um disparate completo.

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Frustrações

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Pinturas

beykozda tekneler by sellyart

Champs Elysees by mariechristinelafond

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Caricaturas

Michelle Pfeiffer by Jam Op De Beeck

Meg Ryan by Jan Op De Beeck

6 comentários:

papagueno disse...

Cada vez mais se acentuam as injustiças sociais neste país da treta. Para quando a avaliação de um ministro, porque é que um ministro não pode ser responsabilizado pelos seus disparates. Se assim fosse a maior parte dos ex-ministros portugueses estava agora nas ruas da amargura em vez de disfrutarem dos grandes tachos e das grandes reformas.
Um abraço.

A. João Soares disse...

Caro Guardião, A avaliação não é um mal, mas é a preocupação de premiar o mérito. Nada mais desencorajador do que subir um escalão só depois de outro que não é tão competente. MAS, atenção. É preciso que os critérios sejam bem objectivos e quantificáveis, e tudo se passar com transparência de forma que o chefe tenha uma explicação a dar ao funcionário que só teve 15 e se acha melhor do que aquele que teve 16.
A dificuldade está no estabelecimento desse critério. E sem ele cai-se na injustiça de ver subir os sabujos e lambe-botas, ultrapassando os competentes mas que não gabam o chefe. Na minha parte final da carreira testemunhei vários casos reais que demonstram esta subjectividade, e de que fui prejudicado, por dois chefes que «amo» perdidamente!!!
Talvez eles leiam este comentário !
Abraço
A. João Soares

O Guardião disse...

Meus caros
Hoje já não me preocupo directamente com as avaliações, mas já passei por essa chacha e por ser incómodo levei sempre menos uns pontitos do que os que passavam despercebidos e para isso bastava nada fazerem. Hoje como fica bem claro pelo exposto no texto, nem é preciso grandes malabarismos para favorecer os amigos, nem começar pela base da carreira como seria curial.
Está feito por eles e para o deles, disso não tenho dúvidas.
Cumps

Meg disse...

Então, não te aborreças que eu também já estou "por aqui" com tanta avaliação.
Olha, vou olhar para os teus "bonecos" hoje que são tão maldosos: a Meg Ryan com um "bigode" daqueles e a outra... não está certo ahahahah!!!

Um abraço

Sophiamar disse...

Valham-nos os teus bonecos neste vale de lágrimas. Olha nem sei se hei-de chorar ou rir.
E cá vamos andando...

Beijinhossss

Pata Negra disse...

A palavra de ordem do momento é avaliar, avaliar, avaliar. Não interessa como nem o quê. Contestar um sistema de avaliação por objectivos tornou-se sinónimo de não querer ser avaliado e por consequência de não querer trabalhar.
Alguns jardins de infância estão já a elaborar fichas de avaliação para aplicar a crianças de 3 anos e existem até já vozes a sugerir a criação de quadros de honra para estas crianças. A seguir virão as os bebés e quem sabe até o acto da procriação. E porque não avaliar os idosos dos lares e a morte de cada um?!
Um excelente abraço