segunda-feira, fevereiro 11, 2008

CURIOSIDADES PARLAMENTARES

O diário JN noticiou ontem algumas curiosidades sobre os nossos parlamentares, que só terão surpreendido algumas pessoas que não têm o hábito de consumir notícias. Partindo de um título começamos logo por ficar a saber que “abonos podem duplicar vencimento mensal”, e estamos a falar de um vencimento mensal de 3.708 euros – base. Não vou sequer falar nas pensões vitalícias, pois seria imoral dizer quantos a têm e quantos ainda as podem vir a ter.
Mas há mais, no último ano foram aumentados 77 euros, têm direito a 10% do salário para despesas de representação, algumas benesses para o presidente, para os vices, para os líderes parlamentares e os secretários da Mesa, têm todos direito a título gratuito de serviços postais, telecomunicações e redes electrónicas e a ajudas de custo, bem como a viagens pagas caso “residam” fora de Lisboa, ou ao quilómetro para quem resida nas imediações. Esquecia-me da deslocação semanal em trabalho político.
Para quem ache muita fartura tudo isto, posso acrescentar o almoço a 4,65 euros, isto já com o aumento de 0,10 euros desde 2006, cafés a 25 cêntimos águas a 66 cêntimos e sandes de queijo a 45 cêntimos.
Mais interessante ainda, outra notícia do mesmo diário tinha o sugestivo título “remuneração não é indicada como incentivo”, e referia-se a cinco jovens deputados. Um refere que o mais lhe agrada é a flexibilidade de horários, que lhe permite levar o filho ao infantário, outro refere que “a remuneração não é de todo interessante”, além disso, não toca no salário do Parlamento, porque não sabe o dia de amanhã (?). Um representante do PCP pareceu ser o único que não se queixou, mesmo tendo de entregar parte do salário ao partido. O representante do CDS afirmou que “o mais importante não é o estatuto remuneratório” mas “a satisfação política de lutar por aquilo em que se acredita”, o que também é louvável. A representante do BE declara que “não há qualquer privilégio laboral” e acrescenta que “um deputado não pode tirar férias a meio do ano … e a flexibilidade de horários é estar sempre disponível”.
Pensando bem, acho que eu também não gostaria de ser deputado. Aquilo são só inconvenientes, são mal pagos, não ajuda nada o futuro profissional futuro, tem as chatices das cerimónias oficiais, o trabalho é de levar à exaustão e os gajos como eu, ainda mandam bocas aos que se esfalfam a bem dos cidadãos. Vou aproveitar também para aconselhar os meus filhos e netos a nunca sequer equacionarem a hipótese de uma carreira política.

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Fotos - Cinderelas
Danapra

Danapra

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Humor Nacional

9 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Ora bem, e para os senhores deputados não ficarem aborrecidos que tal trocarem com o ordenado médio dos portugueses (disse médio não disse mínimo)?
Um abraço

AnarKa disse...

Fartei-me de chorar a pobre sorte dos nossos deputados. Pobrezinhos. Já há quem pense em fazer um peditório nacional para os ajudar, tal a miséria a que estão votados.
Lol

Tiago R. Cardoso disse...

então eram curiosidades ou falta de vergonha perante um trabalhador que recebe o salário mínimo e ainda por cima é explorado?

adrianeites disse...

da vontade de partir aquilo tudo...

quintarantino disse...

... estou disponível para, também eu, me sacrificar pela Pátria ... basta que algum partido me convide ...

José Miguel disse...

O último cartoon é simplesmente delicioso :)

Fica bem,
Miguel

ANTONIO DELGADO disse...

"...Esta é a ditosa Pátria nossa amada"...as imagens são bonitas e os cartoons muit a propósito.

Um abraço
António

Mocho-Real disse...

Estou profundamente envergonhado pela ingratidão que tenho revelado pelos nossos dedicados e altruistas representantes.

Mea culpa est!

P.S. (salvo seja) - Vou vergastar-me até apele se me tornar rosa, como penitência.

MARIA disse...

Olá Guardião,
Pois eu bem querir carpir a triste sorte dos senhores deputados, mas o meu amigo coloca na vitrola o Gilbert Becaud - et maintenant : comment le faire ?...
Obrigada.
Entrar neste blog é sempre um presente.
Um beijinho amigo
Maria