domingo, janeiro 20, 2008

PARA ALÉM DOS NÚMEROS

Em Portugal todos os governos fazem questão em fornecer catadupas de números, sempre com o intuito de justificar medidas ou valorizar a sua acção. Valorizar excessivamente os números, muitas vezes isoladamente ou de forma parcial, invariavelmente conduz a conclusões erradas.
Os números têm sempre diversas leituras, vejam-se as enormes discussões no parlamento e na comunicação social, mas a bolsa do cidadão comum é sempre um óptimo indicador, apesar da ausência de critérios científicos.
Qualquer português pode facilmente verificar que os preços na nossa vizinha Espanha estão ao nível dos praticados no nosso país, e falo na alimentação, vestuário, calçado, e despesas relativas à habitação, e que em alguns casos, como sejam os automóveis e os combustíveis até são mais baratos do que deste lado da fronteira. A isto podemos juntar alguns serviços de grande importância, como a Saúde e a Educação, onde também os preços e a qualidade são bastante mais acessíveis. Mesmo sendo benevolentes, e considerando uma relativa igualdade de preços, a maioria dos portugueses está em enorme desvantagem relativamente aos nossos vizinhos, devido à disparidade entre os salários praticados cá, especialmente quando falamos de pessoal operário, administrativo e auxiliar, e os praticados em Espanha.
Os últimos governos, conseguiram a proeza de errar as suas previsões relativas à inflação durante os últimos 10 anos, e com isso fizeram com que os salários durante estes anos todos crescessem abaixo da inflação, diminuindo o poder de compra de grande parte da população que trabalha por contra de outrem.
Este sábado vi no Expresso o quanto terão perdido diversos grupos profissionais, mas curiosamente também se dá mais ênfase aos montantes perdidos por níveis salariais, passando-se ao largo de aspectos importantes, como a injustiça dos aumentos percentuais que cavam um fosso cada vez maior entre os grupos profissionais e ao facto de 50 ou 60 euros mensais significarem em muitos casos uma perda muito maior do que 500 ou 600 euros noutros casos, em que a subsistência ou o equilíbrio do orçamento familiar não ficou verdadeiramente em causa, apesar da efectiva perda de poder de compra.
Como sempre, jogando-se apenas com números, ignora-se convenientemente a má distribuição da riqueza, como se não existissem já muitos portugueses que trabalham, mas que com os salários tão miseráveis que auferem estão já em situação, ou risco de pobreza. Não estou aqui sequer a falar dos que abusaram do crédito fácil, como devem perceber.

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Pintura de Cores Quentes
CITY MAGIC by *Leonidafremov

YACHT CLUB by *Leonidafremov

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Caricaturas Excelentes

Rushdie by Ismael Roldan

Stephen King by Ismael Roldan

11 comentários:

zé lérias disse...

O povo é sereno e só se sabe queixar.
Sair à rua não é com ele, porque faz muito frio se é inverno, ou muito calor se é verão...

Um resto de fim-de-semana feliz e um abração

quin[tarantino] disse...

Percebi, sim senhor. Olha, um exercício simples... em escudos, no café que frequento, pagava 55$00por um café. Hoje pago 0,55€... são só 110$00...

Raposa Velha disse...

Excelentes pinturas por aqui tem sido postadas!

Quanto aos números, parece que os portugueses e matemática não ligam bem. Daí, nada melhor do que procurar convencer usando essa argumentação "enigmática" e que, além disso, ainda dá a ilusão da certeza da escolha.

Tiago R. Cardoso disse...

Eles não se enganaram não conseguiram foi esconde-los...

Rita disse...

Quando se confundem números com pessoas o resultado é trapalhada na certa. Valham-nos as pinturas que são uma beleza.
Bjos

MARIA disse...

Sem dúvida que onde não há qualquer critério e nem mesmo preocupação, é na distribuição ...
Julgo que ninguém leva estatísticas a sério, muito menos, os próprios que conhecem as fontes...
Lindas as pinturas : cores de fogo e sonho.
Um bj amigo da
Maria

Vieira Calado disse...

Antigamente dizia-se
"com papas e bolos
se iludem os tolos"
Agora são números (aldrabados, perdão, albardados...).
Um abraço

Sílvia disse...

Cavaco Silva falou nos altos salários dos altos cargos, logo a seguir tornaram-se públicas as reformas do BCP, como se já não bastássem os salários que tínhamos visto na Visão. Que fez Cavaco para além do discurso?
Bjos

José Miguel Gomes disse...

Começa a ser crónico... Os número por cima de tudo o resto. Ainda bem que há pessoas que estão para lá dos números...

Fica bem,
Miguel

C Valente disse...

A gentinha refila refila mas depois naõ dá em nada , já dizuia o outro , o povo é sereno
Tenho andado com grandes dores de laringite e uma tosse que me deixa incomodado por isso nem vontade tenho tido de ligar o PC , pois nem sei se é gripe, com os medicamentos receitados pelo medico, ainda não fez efeito, por isso não tenho aparecido
As minhas desculpas
Saudações amigas

A. João Soares disse...

Uma boa análise, sem dúvida.
Em termos claros, seria muito perceptível aos menos dados à aritmética, referir os altos ordenados a quantos salários mínimos nacionais (SMN) correspondem. Na comparação entre portugueses e espanhóis, quantos cafés, carcaças se compram com o SMN lá e cá? Ou comparar quantos cafés ou carcaças se compravam com SMN há 15 anos e agora?
O Figueiredo da ERSE e o Teixeira Pinto do BCP quantos salários mínimos recebem? Este recebe por mês, de reforma, tanto quanto um trabalhador no activo com o SMN recebe em SEIS ANOS E MEIO. É uma comparação muito elucidativa.
Cumprimentos