quinta-feira, janeiro 10, 2008

O SHOW E A REALIDADE

Quem não ouviu os elogios trocados cá dentro e o alarido em redor dos sucessos obtidos durante a presidência portuguesa da União Europeia? Houve festa, lançaram-se foguetes, fizeram-se banquetes, e foi ver os nossos políticos colocarem-se a jeito para as fotografias nos momentos altos do último semestre.
Com mais serenidade, vieram alguns recordar que a Alemanha preparou a ocasião e fez o trabalho necessário para que o Tratado da União viesse a ser assinado num país pequeno, para que não tivesse o ónus de ser aprovado durante a presidência dum país grande, o que daria sempre a sensação de ser uma imposição dos que mais ganham com a sua ratificação. Por cá, alguns pensaram, ou fingiram pensar, que tinham tido um grande protagonismo e que os seus nomes iam ficar para sempre na história europeia.
O acordar de certos sonhos de grandeza é frequentemente cruel, pois cai-se na realidade e da grandeza nada resta, antes sobressai a fraqueza e a dependência de quem de facto domina e mexe os cordelinhos que movem os actores como se de simples marionetas se tratassem.
Começou com o Lisboa – Dakar, onde com informações secretas da inteligência francesa (onde é que eu já vi algo parecido?), e com o governo francês a aconselhar os seus cidadãos a não se deslocarem à Mauritânia, se cancelou o rali. Talvez eu esteja a subestimar a ameaça, mas que já se está a desenhar um outro rali Paris – Pequim isso ninguém o nega, até porque é o reavivar duma memória de outros tempos do automobilismo francês e já está sobre a mesa.
Agora nem foi preciso tentar adivinhar, foi tornado público que houveram várias comunicações de governos europeus a pressionar o nosso governo para não realizar o prometido referendo, demonstrando à evidência uma inadmissível ingerência na soberania nacional, que contudo foi acatada pelo nosso governo.
Disse o senhor 1º ministro que este tratado não é o mesmo que se comprometeu a referendar. Tenho para mim que é em tudo igual e que a soberania nacional não está apenas ameaçada, está antes amputada do poder de decisão como deste caso saiu absolutamente evidente.


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9 comentários:

MARIA disse...

Olá Guardião, meu querido amigo.
Pois evidentemente a soberania está abalada .É um processo irreversível que decorre da própria integração e tenderá a agravar-se.
Talvez Sócrates queira ficar na história como o artesão da União...
Mas atrapalhou-se : penso que pagará custos nacionais graves do ponto de vista político em 2009 por causa disto.
Evidentemente , os outros custos... pagamos nós ...
Um beijinho amigo
Maria

Sílvia disse...

Os políticos portugueses andam a especializar-se em mestres de cerimónia. São usados para o trabalho sujo e descartados logo a seguir, mas o seu ego incha de tal modo que nem dão pelo ridículo da impáfia que demonstram.
Bjos

quin[tarantino] disse...

Curiosamente, os principais actores da vida política nacional (e é desses que aqui se fala) não querem um referendo...
Cavaco, Sócrates, Menezes e Portas queria um mas para ganhar tempo de antena, já que afirmou que era claramente pelo SIM.
Alberto João não conta. Esse o que quer é circo.

Tiago R Cardoso disse...

Um autentico festival de cambalhotas, mesmo apoiando ouve quem consegui-se ainda assim discordar das razões, no fim tudo ficará entre a elite politica...

O Guardião disse...

Caros leitores
Exigir o referendo não significa ser a favor do Não, ou do Sim, trata-se apenas de exigir o cumprimento dos compromissos assumidos. Com esta decisão agora anunciada os políticos portugueses demonstraram (como se a gente não o soubesse já) que Portugal (e os portugueses por arrasto) não riscam absolutamente nada na construção (?) europeia. Meia dúzia de telefonemas bastam para os que nos dirigem meterem a viola no saco e darem o dito pelo não dito. Isto é Democracia?
Cumps

Belzebu disse...

Sabes uma coisa, meu amigo? Dá vontade de dizer uma coisa que até dói só de pensar! Com os governantes que temos, a amputação do poder de decisão, não será o melhor que se pode esperar? Não estará a poderosa Europa a prestar-nos os cuidados paliativos de que tanto necessitamos?

Aquele abraço infernal!

Mocho-Real disse...

Com licença dos leitores, cada vez mais acho Portugal... a puta da Europa! E o chulo-mor é... adivinhe-se!

Cumps.

Pata Negra disse...

Excelente análise. A única razão porque os países da europa (democrática?)não fazem o referendo é porque o "não" pode ganhar - assim vai a democracia.

Anónimo disse...

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