quarta-feira, janeiro 16, 2008

EXPLORAÇÃO E INCONSCIÊNCIA

Li e muito mais gente deve ter lido também, sobre o número de horas praticados pelos camionistas portugueses, se querem levar para casa um ordenado decente para o sustento familiar. Estou a falar de 14 ou 15 horas de trabalho diárias, o que para além de ser uma violência é também um verdadeiro atentado à segurança rodoviária.
Segundo os dados vindos a lume basta constatar que com salários base na ordem dos 500 a 600 euros, estes trabalhadores do volante não têm outro remédio senão aceitar a situação se querem ganhar algum. A ganância dos patrões das empresas, a fuga descarada aos impostos com o estratagema das ajudas de custo e a falta de fiscalização adequada, resultam num perigo óbvio para todos os que circulam nas estradas.
A redução dos custos com estes estratagemas, são uma forma indigna e indirecta de pressionar os motoristas a trabalharem mais horas ao arrepio das leis existentes. As autoridades tão ocupadas com as colheres de pau ou com as facas com cabos de cores diferentes, deviam prestar mais atenção a esta matéria, porque o perigo espreita na estrada e a ameaça é muito real para todos os que por lá circulam, e que não têm culpa nenhuma deste esquema de que só alguns beneficiam.

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Pintura

La fontaine des Jacobins by joeltenzin

Ville soir... by pishum

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Humor Internacional

Manjul - India

Simanca - Brasil

12 comentários:

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá Meu Amigo,li muito sobre o assunto.
Por isso acho que o teu texto foi escrito na Hora H.

Parabéns!!!

Beijinhos de carinho e amizade.
Fernandinha

AnarKa disse...

Fuga aos impostos, mais perigo nas estradas enquanto o senhor AZAR MOR manda umas passas numqualquer espaço entre os eleitos para figurar nas excepções à lei do tabaco.
Lol

Tiago R. Cardoso disse...

Por acaso tive estive nos escritórios de uma empresa de construção civil, diga-se que vi coisas em relação aos horários e horas de trabalho dos motoristas realmente impressionantes...

Rita disse...

O bom humor continua a reinar por aqui, entre coisas sérias e bonitas pinturas.
Bjos

quin[tarantino] disse...

E agora que a GNR não tem equipamento capaz de ler os novos tacógrafos digitais que aí andam...

Sophiamar disse...

E assim vamos andando num país onde a taxa de sinistralidade rodoviária é elevadíssima.Exploração!

Beijinhossss

Meg disse...

Caro Guardião,
Mas haverá algum sector em que não há respeito pelas leis?
Porque não é só com os camionistas, que isso acontece...
A fuga aos impostos, a aldrabice que acaba por envolver as próprias vítimas a quem não resta escolher senão entre pactuar ou ficar no desemprego, são uma coroa de glória para um contingente de chicos espertos que - sabe-se lá porquê - continua a explorar os que menos defesas têm.
Por quanto tempo?

Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Guardião
Que cartoons, Deus Meu!
Relativamente ao texto e no que se refere ao horário prolongado do camionista, o problema é ainda mais fundo. Não é só o patrão que quer explorar o pobre do motorista. Há também a ter em conta que, sendo Portugal um País periférico, os preços de transporte oneram de tal forma os produtos de exportação que estes deixam de ser competitivos nos mercados europeus. O transporte, para ser barato e compensar, tem que ser desumano.
Mas é evidente que existem muitas alternativas nomeadamente a multimodalidade ou o transporte combinado. Mas para o governo não é uma prioridade ter uma boa rede de transportes. Ao governo o que interessa é saber se satisfaz quem tem interesses em Alcochete ou se satisfaz quem tem interesses na Ota.
Um abraço

elvira carvalho disse...

E depois admiram-se da taxa de sinistralidade ser das mais altas da Europa. Os cartoons são um espanto.
Um abraço

Pata Negra disse...

E será que os motoristas com mais de 50 anos que não passarem nas exigências da DGV (secalhar já não é Direcção geral de Viação, estes tipos estão a mudar o nome a tudo passarem a ideia que estão a reformar)vão para a reforma? Ou serão despedidos?

A. João Soares disse...

Muito bom post. Falta referir que o tacógrafo não é eficiente, porque pode ser aldrabado e, embora esteja já em uso um modelo digital, os agentes não dispõem de capacidade para o controlarem. Trata-se de situações muito pouco claras. E nisto de motoristas, há ainda outro aspecto. As transportadoras de passageiros, em percursos longos, têm horários de partida e chegada que obrigam a excesso de velocidade. Quem autoriza esses horários? Porque autoriza? Não haverá por aí corrupção?
Um abraço

No blog Do Miradouro há novos artigos

Anónimo disse...

Muitas empresas forçam os seus colaboradores a receberem uma parte significativa do salário sob a forma de Ajudas de Custos, prejudicando os próprios trabalhadores (e o que eventualmente receberão a mais não compensa o que irão receber a menos em caso de doença e/ou reforma), o erário público e as empresas cumpridoras por concorrência desleal. Isto é um ilicito grave por parte de muitas empresas em Portugal (nomeadamente bancos e banquetas) que, em muitos casos, o praticam de uma forma massiva. Os trabalhadores não deveriam ser responsabilizados porque só aceitam o que lhes é oferecido como condição para ficarem empregados mas com evidente prejuízo em termos pessoais e profissionais. Em alguns casos, a evidência da utilização das Ajudas de Custos como forma de remuneração é tão descarada que se torna dificil compreender como é que ainda se mantém num contexto de combate à evasão fiscal. São os mais pobres que acabam por ter de pagar o que estes senhores deveriam pagar e não pagam...é uma vegonha!