quinta-feira, novembro 29, 2007

TODOS IGUAIS?

Tornou-se recorrente dizer que os funcionários públicos são muito bem pagos e que o Estado gasta grande parte dos seus recursos no pagamento dos seus salários. Nos últimos anos contudo, temos sabido que os seus salários sobem abaixo da inflação e que as carreiras têm ficado congeladas, como medida de poupança do depauperado erário público. Também tem sido estranho, e nunca foi explicado, pelo menos que me tenha chegado ao conhecimento, que o aumento dos gastos em remunerações gastos pelo Estado tenha sempre aumentado percentualmente mais do que aquilo que foram os aumentos dos funcionários.
A minha estranheza quando manifestada perante amigos que até são funcionários públicos, tem suscitado muitos risos e até me chegam a gozar pela minha ingenuidade. Ontem recebi por correio electrónico uma notícia que me deixou siderado. O título é «Grupo Águas de Portugal pede reposição de salários dos gestores».
Li com a máxima atenção, e fiquei a saber que estavam em causa os PPR que lhes tinham sido retirados devido ao novo Estatuto do Gestor Público. Esses PPR parece que significam um aumento de 15% nos salários desses gestores, e significam uma perda da remuneração fixa que tinham até meados de Junho, e portanto seria apenas uma reposição da situação salarial anterior. Como exemplo, a notícia dizia ainda que em 2006, o presidente do grupo AdP SGPS, auferiu 126.686 mil euros de remuneração, mais 19.003 euros de PPR, além de despesas com telefone, viatura, combustível e seguros de saúde e de vida.
Bolas, afinal pela amostra, é verdade que os funcionários públicos ganham muito bem. Claro que nem todos têm este cargo, nem as mesmas regalias, mas fazendo umas médias manhosas, até que se chega a um salário médio bem agradável.
Lugares destes até há mais, mas quando excluímos estes senhores, que até nem são na sua maioria funcionários públicos, embora para efeito de despesa assim sejam contabilizados, ficamos com salários bastante mais próximos da média nacional, ainda que com um maior número de profissionais com maiores qualificações.
Não ficaram todos desgostosos e indignados com o corte dos PPR dos gestores do grupo AdP?

»»» - «««
Fotografia
Julia

Парамоша

««« - »»»

Humor de Autor

Raed Khalil

Raed Khalil

Raed Khalil

8 comentários:

Joca disse...

Coitadinhos dos gestores lá das águas. Então isso faz-se? Será que também vão fazer uma greve para tentarem reaver os PPR, ou nem é preciso, porque o governo já reconheceu a injustiça?
A propósito, há por aí algum lugar vago de gestor? Dava-me um jeitaço.
Lol

Tiago R Cardoso disse...

Como em todo lado existem excepções, tanto no privado como no publico, alguns ganham fortunas, outros medio e muitos uma miséria, normal, tudo muito normal.

O Guardião disse...

Pois é Tiago, mas comos este senhor há mais umas centenas, que comem do orçamento, e "estas bagatelas" constam como remunerações em conjunto com os salários dos funcionários públicos, distorcendo a "realidade" que nos querem impingir. O que me admirava, como escrevi, era que a percentagem de aumento em remunerações nunca batia certo com os aumentos anunciados, tanto mais que as progressões estavam congeladas e o número de funcionários estava a diminuir, segundo diz o governo.
Cumps

quintarantino disse...

Eu, funcionário da administração local, solidarizo-me com os senhores gestores do grupo Águas de Portugal. A ver se algum se lembra de mim para um cargo desses. Também quero um PPR, um cartão de crédito e carro de serviço!

Sílvia disse...

Eu acho que todos deviamos ter ordenados destes e as benesses que lhe vêm associadas. Vo já ver se há alguma vaga por preencher por essas bandas.
Bjos

ruy disse...

Caro Guardião,
Os comentadores do "sistema" na televisão e nos jornais, sempre manipularam os numeros colocando a opinião publica contra os trabalhadores da Função Publica.
O truque era sempre o mesmo. Divulgavam perante quem os ouvia que nos ultimos anos o custo do Estado com os salários da Função Publica rondava os 8% ao ano (o que até não deixava de ser verdade), não deixando de associar a estes valores as chamadas "progrssões automáticas".
Ora aqueles tais 8% ao ano de aumento de despesa com os salários da função Publica não significa, longe disso, que os aumentos salariais anuais fossem de 8%, no entanto era a ideia que ficava no ar.
Claro que os aumentos eram de um modo geral, ano após ano, inferiores ao sector privado, só que a massa salarial da Função Publica aumentava muito mais que isso, os tais 8%, fruto das entradas, e aqui é que está a questão, de pessoal na FP. Recordemos que de 1995 a 2001 entraram cerca de 120.000 novos funcionários, cerca de 20.000 por ano, o que fazia subir para os tais 8% ao ano a massa salarial da FP. Nem tão pouco eram as "progressões automaticas" as responsáveis por este aumento de despesa publica.
Ora isto nunca foi explicado à opinião publica. Pelo contrário sempre se induzia que aquela percentagem de aumento ia direitinha para os bolsos dos "privilegiados" funcionários.
Os próprios Sindicatos nunca explicaram capazmente ou nunca desencadearam uma campanha de desintoxicação da opinião publica sobre esta questão. Enfim!

toca do túlio disse...

No dia 24 de Novembro de 2007, foi publicada no semanário Expresso, uma entrevista do Inspector Geral da Administração Interna, Dr. António Clemente de Lima, anunciada na capa com o título “Há incompetência a mais na polícia”, a qual teve um efeito bombástico transversal, pondo o país em sobressalto.

Pata Negra disse...

Onde posso adquirir uns sapatos desses? Gostava tanto de ter um mercedes!
-Esses calões dos funcionários públicos estão outra vez em greve?
As pessoas que estão incomodadas com a greve dos funcionários públicas são as mesmas que dizem que eles não fazem nada - não percebo o incómodo!
Um abraço de um funcionário