domingo, novembro 25, 2007

A REJEIÇÃO INESPERADA ?

A simples possibilidade de se ver uma união de esforços, e de protestos bem entendido, entre sindicatos e patronato contra a política de emprego prosseguida pelo governo, deixou em alvoroço alguns sectores menos atentos à realidade.
As análises políticas e sociais, feitas pelos analistas nunca previram uma eventualidade destas, de poder haver uma rejeição conjunta de dois sectores que em princípio se situam em lados contrários de contendas laborais. Na realidade não é normal que isto aconteça, pelo menos em economias desenvolvidas e onde o Estado cumpre a sua função de regulador independente e fiscaliza devidamente as relações entre empregadores e empregados.
Hoje, em Portugal, temos uma política de emprego completamente desregulada, e assistimos às intenções dos dois maiores partidos em desregularem ainda mais as relações laborais. Junte-se a isto a péssima distribuição da riqueza, a proliferação das grandes superfícies, a galopante concentração de poder em diversos sectores da economia e temos criado o caldo onde este tipo de fenómeno pode facilmente germinar. Já não são só os trabalhadores por conta de outrem que se sentem descontentes e marginalizados pelo poder político, mas também os pequenos comerciantes e outros pequenos empresários que se vêm também condenados a curto ou a médio prazo, porque estão em clara desvantagem competitiva neste modelo económico e laboral, onde os trunfos estão todos do lado “dos grandes”.
Os salários desceram a níveis miseráveis, os pequenos empresários esmagaram os custos até ao limite, o consumo interno não tem hipótese de subir com estas premissas, o desemprego continua a aumentar, tal como o endividamento familiar, e não só, pelo que a depressão ameaça a grande maioria dos portugueses. O modelo económico está profundamente errado, e mesmo que esta união de vontades entre patronato e sindicatos seja muito difícil de gerir, o descontentamento terá que ter algum escape, a menos que demore muito tempo e se transforme numa explosão social.

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Pinturas
Sunday Morning by blu-paws

Somewhat Colourful by hue-tone

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Caricaturas Excelentes

Bernhard Prinz

Bernhard Prinz

6 comentários:

Sílvia disse...

Um governo que começa a ser contestado pela maioria dos sectores da população. Estas caricaturas são mesmo muito boas.
Bjos

Tiago R Cardoso disse...

Pois eu não estou nada convencido a cerca de uma união de esforços entre patrões e sindicatos.

Laurentina disse...

Vamos ouvir o que eles dizem amanha...

Estou convencida da cara de pau de todos.
Caíram no descrédito total, receio bem os resultados.

Cont. de bom domingo
beijão grande

C Valente disse...

Só demonstra a onde chegou este governo e o PS, até Mario Soares pede para O partido vire um pouco mais á esquerda.
E que não esperava que Socrates fosse o que é.
Saudações amigas e resto de um bom domingo

AnarKa disse...

Se a união for para botar abaixo o governo, eu apoio.
Lol

Pata Negra disse...

Pois é, as greves estão muito contidas e vê-se na cara das pessoas um descontentamento latente, uma vontade de explodir.
Pode ser que esta greve seja apenas mais uma greve, que os sindicato venham cantar sucesso, que o governo se mostre satisfeito, que quem faz greve se sinta frustado, que quem não faz greve se sinta justificado, que a TV bote dois minutos de informação tendenciosa, que os comentadores voltem a abafar os sindicalistas, que os utentes voltem a contestar os grevistas, que fique mais uma vez no ar ideia que os funcionários públicos são uma cambada de privilegiados que não querem trabalhar!
Mas a insatisfação cresce, qualquer dia isto ainda vai desaguar num mar turbulento de Não, Não e Não!
-Não me perguntem porquê, faço greve!