quinta-feira, novembro 08, 2007

APANHEI MUITO SOL...

Num país imaginário de ogres, duendes e fadas, um ciclope decidiu encetar negociações salariais com os duendes que o serviam, afirmando que o ponto de partida para o processo se situava nos 2,1%.
Os duendes, representados pelos seus sindicatos, prepararam-se para a negociação e anunciaram publicamente que a base negocial era muito baixa, nem sequer cobria a inflação prevista, que ía fazer subir todos os produtos que consumiam.
Uns quantos ogres, sentados nos seus poleiros altaneiros, falara de pobreza e dos baixos salários, bem como da miséria de aumentos que já duravam há muitos anos, mas apenas porque pretendiam corroer o poder do ciclope, e arregimentar a seu favor os pobres duendes, que evidentemente estavam descontentes.
Os sindicatos dos duendes, apesar dos seus protestos e indignação, nem perante o aumento das desigualdades, com as quais enchem a boca, conseguem apresentar propostas para reduzir essas desigualdades. Inebriados pelas poções de que usam e abusam, apresentam a mesma solução de sempre, os aumentos percentuais.
O ciclope negociador, afinal não pretende negociar nada, e a proposta inicial é também a final, acabando assim com o fingimento, pois estava mesmo era disposto a impor a sua vontade, já que se considerava o único e o maior desse país imaginário.
Os pobre duendes lá terão de contentar-se com uma ou duas dezenas de unidades monetárias, e os ogres com umas largas centenas, reservando-se o ciclope, o direito de distribuir uns quantos milhares aos ogres mais chegados e submissos, que mantém sob sua protecção, comprando assim a sua lealdade.
Este país imaginário, não existe é claro. Não há ciclopes, não há ogres nem fadas e os duendes também não. O mundo real é muito mais rosado e maravilhoso, como todos sabemos.

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Fotos - O Colorido Atrai

tanay

Sergeeva N

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Humor Variado

Simanca Osmani

Joe Heller

12 comentários:

quintarantino disse...

O ciclope é aquele cavalheiro que dá pelo nome de Figueiredo e que nos aparece sempre todo garboso e com ar de gozo a dizer que está a negociar? É?

Laurentina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Laurentina disse...

Tenho para mim que vou ter que comprar um novo dicionario ...é que ja não sei o significado das palavras !!
O que significa mesmo negociar?!
E já agora proposta?!
De dia para dia sinto-me mais burra , vou ter que estudar...com mais humildade,
Beijão grande

3:56 AM

Joca disse...

Este país descrito aqui, não existe na realidade, mas está sempre presente nos pesadelos constantes dos funcionários públicos. Os patrões do sector privado vão também seguir o mau exemplo desta gente. Eu dava-lhes nomes diferentes, menos simpáticos de certeza.
Lol

Tiago R Cardoso disse...

mas isso é uma historia de fantasia ou um pesadelo ?

Bem eu estou acordado e afinal é real.

Belzebu disse...

Ufff! Estava a ler esta esta história fantástica e comecei a sentir suores frios, tal as semelhanças com a realidade. Ainda bem que no final nos dizes que é tudo imaginário, pois estava a ficar preocupado!

E agora como nada mais me resta do que fazer aquilo que os duendes devem fazer, despeço-me e vou trabalhar, ou o ciclope não me paga!

Aquele abraço infernal!

Maria Faia disse...

Amigo Guardião,

Parabéns pela forma como satirizou aquilo que devia ser e não foi, uma negociação salarial.
De facto, o défice vai-nos esvaziando cada vez mais os bolsos e, os sindicatos, aqueles que deviam ter alternativas, propostas ou o que quiserem chamar-lhe, justificam o tempo e o dinheiro com eles gastos de uma forma tão pobre e miserável que, em vez de lhes pagarmos, bem podíamos gravar uma cassete e, anualmente, colocá-la a "botar a faladura gravada" que foi a dos anos anteriores.
Parece que assim ficaríamos com mais uns cobrezitos nos bolsos!!!!!!!!!

Com tanta pobreza junta, onde iremos parar?!

Um abraço amigo,
Maria Faia

Sophiamar disse...

" O ciclope negociador não quer mesmo negociar nada"
Tu não me digas que te referias à negociação salarial? NEGOCIAÇÃO?
E assim vamos caminhando neste mundo de duendes, fadas, feiticeiros, mágicos... valham-nos as flores que nos ofereces.
Beijjinhos

Meg disse...

Ouvi falar em NEGOCIAÇÂO, mas devo ter-me enganado.
NEGOCIAÇÂO, qual NEGOCIAÇÃO?

Ah... bem me parecia... IMPOSIÇÃO!!

Isto da ficção confunde-me.

Um abraço, amigo Guardião!

Jorge Borges disse...

Este país imaginário faz-me, não sei muito bem porquê, lembrar Portugal. Coisas do subconsciente...
Realmente, estou a ver um ciclope todo-poderoso a alimentar principescamente os seus ogres-lacaios e a enganar os duendes - a esmagadora maioria dos que trabalham (mal) na escravatura - com umas migalhas a mais. Que nem dão para encher a cova de um dente.
Deve ser um país de fugir. Para fora.
Um abraço

adrianeites disse...

o post está muito bem conseguido e muitissimo oportuno!
Parabens!

Maria, Flor de Lotus disse...

Caro amigo Guardião :
Que bem elaborada esta sátira. Muitos parabéns pela inspiração.
O texto é tão delicioso que bem vale aqui a máxima de que até das coisas mais tristes se retiram coisas boas...
Um bj
Maria