sexta-feira, outubro 19, 2007

JORNALISMO

Os títulos dos jornais e os destaques logo no início dos telejornais, são geralmente feitos para atrair as atenções dos consumidores de informação, para aqueles assuntos em particular. Estamos habituados ao facto e, invariavelmente acabamos por ficar à espera dessa notícia, e por vezes, quando a lemos, ouvimos ou vemos, ficamos com uma sensação de que houve muita parra mas pouca uva.
Ontem noticiou-se a manifestação que ocorreu no Parque das Nações, onde se concentraram 180 mil pessoas, mas a SIC, por exemplo, quase que a caricaturou como uma alegre excursão àquela zona da cidade de Lisboa. Critério discutível.
Também ontem, fui atraído por um título do jornal Público, que dizia textualmente “regime birmanês culpa monges budistas pela repressão das manifestações pacíficas”. Não sei porquê, mas lembrei-me logo de explicações que já ouvi, tão absurdas como estas, feitas por políticos de regimes que se dizem democráticos.
Claro que a jornalista, Fernanda Sousa, se referia a Myanmar embora repita várias vezes a designação de Birmânia.
Nem sempre os destaques assinalam a verdadeira notícia, isenta e desapaixonada, mas já começamos a ficar habituados. Confunde-se muito a notícia com a opinião, e foi precisamente o exercício que aqui fiz, mas não há o cuidado de deixar isso bem claro, o que é naturalmente um mau jornalismo.

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Fotografia
My lost Lenore by Wendelin
Stay focused II by Sortvind

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Humor e Ditadura

Riber Hansson

Frederick Deligne

15 comentários:

Laurentina disse...

Eu juro que não consigo ouvir os telejornais ...dá-me vomitos e diarreia da brava , não tenho culpa que o meu sistema nervoso assim se manifeste.
Era um mar de gente acredita José , só tenho pena que estas manif's se mantenham pacificas...tenho fé que só até um dia !!!
Beijão grande

Sílvia disse...

O jornalismo está enfeudado a interesses políticos e económicos, sendo que a objectividade das notícias e a sua escolha reflecte exactamente isso. O acordo dos parceiros económicos foi um destaque, mas o seu conteúdo que até foi disponibilizado logo a seguir não será notícia, porque as garantias constantes dos princípios acordados para a evolução das negociações, não é compatível com a mentalidade do nosso patronato.
A importância do tratado reformador que cada vez mais diminui a soberania dos estados de pequena dimensão como Portugal, quase não mereceu referências nas notícias de ontem da Reuters, por exemplo.
Sabes bem que as notícias são filtradas e os jornalistas já se acomodaram a veicular os comunicados oficiais.
Bjos

quintarantino disse...

Mas eram mesmo 180.000?
Quanto aos telejornais, há gente nas redacções que devia regressar aos bancos da escola. Alguns para aprender a escrever ou a falar, outros, mais avançados, para reaprenderem a distinguir notícia de artigo de opinião, crónica de grande reportagem e que, as mais das vezes, o desejável é que as coisas não se misturem.

Tiago R Cardoso disse...

O que interessa é vender, audiências, transformando assuntos banais em grandes histórias, transformando assuntos importantes em rodapé.
Mas é o que temos, não só por cá mas em todo o lado.

Belzebu disse...

Assim é de facto. Quando as técnicas do marketing são aplicadas ao jornalismo de informação, nós os alvos, somos muitas vezes induzidos em erro!

Não sei se eram exactamente 180.000 ou mais, ou mesmo menos, nem acho que esse pormenor seja importante, mas considero que não se deu o devido destaque a uma enorme demonstração de descontentamento que tem vindo a alastrar!

Aquele abraço infernal!

adrianeites disse...

o jornalismo está com uma qualidade muito baixa.. os jornalistas deixaram na gaveta a imparcialidad e querem é protagonismo... e o que querem é o sensacionalismo!

O Guardião disse...

Posso-vos garantir que voltarei a este assunto, o jornalismo, amanhã porque o meu mail encheu com alguns comentários muito interessantes de prós e contras, o que é bastante saudável.
Cumps

Meg disse...

Mas o que acontece é que, infelizmente, a maior parte das pessoas ainda compra os jornais conforme os títulos...!!!!
É assim que se coneguem as vendas.
Um abraço

Joca disse...

A manifestão não existiu, foi apenas um grupo excursionista que foi à Expo em passeio. Ai Costinha, estavas mesmo de costas para o pessoal! O que será preciso fazer para haver notícias nos telejornais cá do burgo?
Lol

C Valente disse...

O jornalismo cada vez está mais pobre, os jornalistas cada vez são mais incultos
As televisões e jornais estão na mão do grande capital e que era de esperar.Eu cada vez leio menos kornais, pois poucos assuntos são crediveis e TV idem
Bom fim de semana
saudações amigas

Crítica e denúncia disse...

Amigo, estou percorrendo os blogs participantes da campanha contra a miséria, pedindo voto para o nome do blog Universal. Fico aguardando a sua escolha, se puder ser um único nome, poderia deixá-lo no meu blog ou da Silêncio Culpado.Abraço grande.Voltarei para ver com calma seu blog.
1- "GRITO NO SILÊNCIO"
2 - "VOZ DE UM POVO"
3 -"ECOS SENTIDOS"
4 -"CONTRA POBREZA: MARCHAR...MARCHAR !"
5 -"MARCHA DOS DESCAMISADOS"
6 - "NADA QUEREMOS VOSSO"
7 - "OUçAM"
8 - "PALAVRAS EM ARMAS"
9 - "S.O.S MISÉRIA"
10-"FOME NUNCA MAIS"
11 - "VOZ DO SILÊNCIO"
12 - "GRITO DAS VOZES CALADAS"

Anónimo disse...

Excelente reflexão Guardião! ;-)
Subscrevo!



Abraço da SUlista

Odysseus disse...

E eu a pensar que a SIC era pró PSD. Acho que me enganei, passeio para quem? Nem o Zezé Camarinha arranjava tanta gaja para passear no mesmo dia.

Cumprimentos

João Rato disse...

Um jornalista que não é sensível ao protesto de 200 000 pessoas, não tem vocação para a profissão.
Pela cobertura do acontecimento poderemos avaliar o jornalismo que temos?

Maria Faia disse...

É verdade Amigo Guardião,

Nos dias que correm a actividade jornalística vai perdendo, a olhos vistos, qualidade e sentido ético-profissional em virtude da sua incapacidade de isenção. E, isso verifica.se, infelizmente, não só na SIC mas, em praticamente todos os canais informativos, mesmo os públicos. É a chamada guerra das audiências, as tendências pessoais de cada jornalista que, muitas das vezes, usando subterfúgios de expressão visual, gestual ou facial, condicionam a informação.
É o uso e abuso que se faz do direito de informação, enfim, sinais de tempos conturbados e muito difíceis de viver.

Um abraço Amigo e votos de Bom Fim de Semana.

Maria Faia